Discussão: quais os impactos das artes como instrumentos de críticas sociais?

Oies Bookaholics!

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A discussão que quero trazer hoje começou a partir de uma observação dos meus últimos livros e filmes assistidos que classifiquei como 5 estrelas e meus favoritos da vida:

 

 

O que essas histórias têm em comum? Todas acabam tratando de uma crítica social: violência doméstica, racismo, violência contra a mulher, transtornos mentais (como depressão e ansiedade), diferenças sociais e homofobia. Tenho percebido que as demais leituras e formatos do cinema que não abordem algum destes elementos não conseguem mais despertar meu interesse, e principalmente alguma paixão pelo material em questão.

Eu mudei! E meu interesse por esses assuntos tem sido cada vez maior e intenso, muito por influência das questões que são apresentadas durante as aulas no curso de Letras na FFLCH, também conhecida como o epicentro dos movimentos esquerdistas da Universidade de São Paulo. Meu interesse pelo feminismo, luta dos lgbtq+ e raça vem muito deste ambiente que pertenço desde 2015, que no começo foi um choque por conta do estranhamento em lidar com questões que até então eu não enxergava até o presente momento em que os materiais artísticos para mim necessitam mais do que tocar em certas feridas até então encobertas.

E por isso eu vibro quando histórias que saiam do padrão, não só por ver protagonistas negras, mas também por ver autoras negras escrevendo, e enxergo isso como tentativa de curar feridas. Como há muita discriminação e preconceito (sim, sinto te frustrar com essa verdade) muitas dessas histórias abordam de forma crítica as experiências racistas, homofóbicas e machistas, por ainda há necessidade de se falar sobre o assunto, de mostrar uma realidade que para muitos pode estar muito distante ou vista de forma menor, sem entender de fato o que a vítima experienciou.

As possibilidades de encontrar nas artes esses assuntos é para mim mais do que necessário: é essencial. Músicas, filmes, séries e livros tem um alcance muito maior que as escolas, faculdades e outros locais formais de educação e que muitas vezes não se preocupam com isso. E isso gera incômodos, muitos. Mas além de propor críticas, diálogos e reflexões, eu considero que estas abordagem provocam empatia, isso significa que você não precisa fazer parte de determinado grupo ou ser rotulado de alguma forma para sentir empatia por um outro ser humano que seja diferente de você.

E trago como exemplo o que aconteceu no último final de semana durante a Bienal do Rio em que livros com a temática lgbtq+ foram ameaçados de censura. Eu não faço parte da comunidade, mas fiquei indignada com o preconceito e com as ações contrárias adotadas, como a fiscalização de livros e presença da polícia num evento de literatura.

Ou então os diversos comentários racistas quando foi divulgado que a protagonista do live action de A pequena sereia seria Halle Bailey, uma atriz negra? Entre os comentários, um deles dizia que sua infância tinha sido destruída, e olha que o filme nem saiu ainda.

halle-pequena-sereia

Por mais que a representatividade ser uma das palavras mais em alta nos últimos tempos, por que será que incomoda tanto ver algo diferente do habitual ganhando mais espaço e protagonismo?

 

 

Dentre os super-heróis é impossível não comentar sobre os sucessos de Pantera Negra e Homem-aranha no aranhaverso, eu que não sou fã deste gênero fiquei tentada a assistir justamente pelas novas propostas em suas tramas: protagonismo negro, roupas, músicas e a cultura no geral. Isso também me faz relembrar uma mesa de discussão durante a FLIPOP 2019 sobre a volta das comédias românticas e a maneira como esse gênero se transformou, trazendo novos protagonistas considerados minorias para as histórias clichês.

Como eu disse anteriormente eu mudei e meu blog acaba por expressar essa mudança no conteúdo que produzo, por isso algumas leituras e filmes que fogem destes novos valores acabam sofrendo com as minhas críticas negativas, mesmo que o meu objetivo seja o de incentivar o consumo destes materiais, mas mais do que isto, eu respeito quem eu sou sendo sincera, mesmo que não seja a opinião geral e que não agrade a todos.

Eu não consigo me deparar com histórias e sair ilesa sem parar para refletir e até sentir empatia, e por isso tenho pensado seriamente em que tipo de material eu tenho investido e que realmente vale a pena o meu tempo e disposição? 

Enfim, mas depois de tantas divagações por aqui, me digam o que vocês acham destas novas abordagens? E mais ainda quais os impactos das artes como instrumentos de críticas sociais?

 

Até o próximo post!

 

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5 Comentários

  1. Que post sensível e honesto! ❤️

    Curtido por 1 pessoa

  2. […] relação aos posts no blog, quase nada aconteceu por aqui, mas ainda assim fiz um post sobre quais os impactos das artes como instrumentos de críticas sociais?, pensando sobre os últimos livros e filmes que considerei como favoritos já que ambos tratam de […]

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  3. […] A leitura exige atenção porque são vários personagens e diferentes focos narrativos, mas também exige muito do emocional do leitor que dificilmente não sentirá empatia pelas desgraças que ocorrem ao longo das páginas. E esse foi o principal motivo que me fez gostar tanto da leitura: trazer reflexão ao leitor sobre os problemas sociais, assunto este que eu coloco no post Discussão: quais os impactos das artes como instrumentos de críticas sociais? […]

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  4. […] tentado priorizar aqueles que realmente tem relevância para o que eu acredito agora. Inclusive neste post comentei um pouco sobre algumas dos valores que venho buscado nos livros ultimamente. Também estou […]

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