Resenha | Destinos e fúrias, por Lauren Groff

Oies Bookaholics!

Depois que fui à 5ª Turnê Intrínseca eu fiquei muito curiosa para ler este livro, tanto que ele entrou para a minha Wishlist de Lançamentos – 1º Semestre | 2016 e fiquei mais feliz ainda quando ganhei de presente de aniversário (Book Haul de Aniversário | 2016). Eu só consegui ler apenas agora e vou compartilhar com vocês as minhas experiências durante a leitura 😉

Esse livro é daqueles que você quer desistir, que vai levando a muito custo, mas a reviravolta que ele dá faz com que a leitura valer a pena, eu recomendo!

 

DESAFIO ANUAL: 51/50

destinos e fúrias

 

  • Título original: Fates and furies
  • Autora: Lauren Groff
  • Gênero: Literatura Estrangeira / Literatura Norte Americana / Romance
  • Lançamento: 2015 – Lançamento Brasil: 2016
  • 368 Páginas
  • Classificação: 4/5

Sinopse: Toda história tem dois lados. Todo relacionamento tem duas perspectivas. E às vezes a chave para um grande casamento não está em suas verdades, mas em seus segredos. Aos 22 anos, Lotto e Mathilde são jovens, perdidamente apaixonados e destinados ao sucesso. Eles se conhecem nos últimos meses da faculdade e antes da formatura já estão casados. Seguem-se anos difíceis, mas românticos: reuniões com amigos no apartamento em Manhattan; uma carreira que ainda não paga as contas; uma casa onde só cabem felicidade e sexo bom. Uma década depois, o caminho tornou-se mais sólido. Ele é um dramaturgo famoso e ela se dedica integralmente ao sucesso do marido. A vida dos dois é invejada como a verdadeira definição de parceria bem-sucedida. Porém, nem tudo é o que parece; toda história tem dois lados, e em um casamento essa máxima se faz ainda mais verdadeira. Se em “Destinos” somos seduzidos pela imagem do casal perfeito, em “Fúrias” a tempestuosa raiva de Mathilde se revela fervendo sob a superfície. Em uma reviravolta emocionalmente complexa, o que começou como uma ode a uma união extraordinária se torna muito mais. Com profundidade e um emaranhado de tramas, a prosa vibrante e original de Destinos e fúrias comove, provoca e surpreende. Um romance sobre os muitos casamentos possíveis entre o amor, a arte e o poder e sobre os diferentes pontos de vista pelos quais essas combinações podem ser enxergadas.

Saraiva

Cabe ressaltar algumas curiosidades sobre este livro: lá fora na gringa, foi eleito o melhor livro publicado em 2015 pela Amazon e eleito pelo Presidente Obama seu melhor livro lido no ano passado! (Fontes: Intrínseca e Folha Uol) Só fui saber desses fatos depois que finalizei a leitura, rs

Achei muito interessante o enredo da história, a autora quis escrever de modo a ter dois pontos de vista sobre um casamento: a visão de Lotto (“Destinos”) e a visão de Mathilde (“Fúrias”). Sabemos que toda história não tem somente uma verdade, e, quando se trata de um relacionamento matrimonial tenho a percepção de que conhecer os dois lados se torna ainda mais interessante. Ainda mais quando esses lados parecem ser tão opostos como o título enuncia; destinos x fúrias.

“Tragédia, comédia. É tudo uma questão de ponto de vista.” (Pág. 188)

Em “Destinos” somos guiados pela perspectiva de Lotto, ou melhor Lancelote. Narrado em 3ª pessoa, a narrativa aborda a origem desta personagem: seus pais, familiares, adolescência, faculdade, sua vida adulta e o casamento com Mathilde. Eu tive alguns problemas durante a leitura desta primeira parte e até cheguei a pensar em abandonar o livro. Isso porque a autora utilizou de uma estratégia de escrita chamada de fragmentação da forma, que nada mais é do que utilizar de tipos diferentes de textos dentro do texto. Para simplificar, o livro é um romance em prosa (diferente de poesia), mas há inúmeras passagens com trechos de crítica de jornais, e partes das peças que Lotto escrevia.

Também senti que a leitura ficou muito cansativa foi a opção de capítulos extremamente longos (alguns até com mais de 50 páginas), quebrando o ritmo de leitura, tanto que levei um pouco mais de duas semanas para finalizar o livro.

Eu não queria ter que desistir do livro e perguntando a alguns amigos eles me disseram que talvez eu não estivesse acostumada com este tipo de leitura porque estava fora da minha zona de conforto, e ainda, que talvez este tipo de livro (adulto) não seria para mim.

Para quem acompanha o blog sabe que eu tento variar muito as minhas leituras, claro que ler os gêneros Young Adult (Jovem Adulto) e Chick-Lit são mais fáceis, sem sombra de dúvidas. Entretanto minhas últimas leituras foram de Clarice Lispector, Edgar Allan Poe, Paula Hawkins… No Skoob a maioria das resenhas destacava o mesmo ponto: a leitura é muito difícil, densa, arrastada, ritmo lento e leitura rebuscada…

Anyway…

Lotto pertence a uma família rica que tem condições de lhe proporcionar uma vida segura e com várias oportunidades, mas a partir do momento que seu pai morre durante sua adolescência as coisas passam a ficar mais complicadas para o jovem. Novas experiências são vividas e percebemos o quanto Lotto é apaixonado pelas artes e literatura. Há várias citações desse tipo e para os que não conhecem fica muito difícil compreendê-las na passagem da história de Lotto.

A personagem de Lotto é bem intrigante, não conseguia sentir empatia por ele. Suas ações são bem compreensivas por tudo que ele passou durante sua vida, seus traumas de infância e adolescência, relacionamento com os familiares e depois as dificuldades financeiras durante o seu casamento.

Entretanto, a história de Lotto não fugiu muito daquele típico estereótipo do escritor / artista depressivo e mal compreendido. Como eu mencionei suas angústias tem fundamento, mas eu esperava por algo novo em relação a este ponto. Por que todos os artistas, escritores precisam ser sempre retratados dessa forma? =/

Lotto é tão egocêntrico, que tinha momentos que não suportava, era extremamente chato ter que lidar com as “crises” dele, rs. Ao final dessa parte há uma grande reviravolta na história e é impossível parar de ler para saber o que acontece.

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“Fúrias” é a parte da história de Mathilde. A narrativa também se dá em 3ª pessoa, e o tempo não é linear. Da mesma forma que conhecemos as origens de Lotto, também somos levados às origens de Mathilde, além de uma continuação do tempo presente da história, se é assim que podemos considerar.

O ritmo da narrativa de “Fúrias” é totalmente diferente de “Destinos”, com capítulos curtos e seus fatos a leitura se torna viciante, empolgante. Mas só faz sentido porque conhecemos alguns pontos pela perspectiva de Lotto na primeira parte.

A visão que Lotto tem de Mathilde descrita na primeira parte se contrapõe à visão que temos de Mathilde como sua esposa. Traumas de infância e uma vida cheia de mistérios ajudam a mulher a sustentar seu casamento durante tantos anos, e há inúmeras revelações e reviravoltas.

“Fala sério. Casamento é feito de mentiras. Bondosas, em geral. Omissões. Se disséssemos em voz alta as coisas que pensamos todo dia sobre nosso cônjuge, acabaríamos esmagando a pessoa até virar pasta.” (Pág. 193)

 Dois pontos que eu queria mencionar que me chamaram muito a atenção são:

  • tradução: eu raramente presto muito atenção aos detalhes de tradução, mesmo porque não tenho o texto no original, mas um trecho achei muito peculiar:

 “Ele acordou á sua hora habitual, 5h26, despertando de um um sonho em que estava numa banheira pouco maior que seu corpo, cheia de cuscuz de tapioca.” (Pág. 102)

Levando em conta que a autora é norte americana e a história se passa nos Estados Unidos, achei um tanto curioso na tradução aparecer um prato tipicamente brasileiro, até procurei algum pdf do livro original para procurar a forma utilizada pela autora, mas infelizmente não encontrei =/

 

  • machismo: há uma passagem em que a personagem de Lotto declara durante um evento de debates em uma universidade:

“Acho que todos nós podemos concordar que as mulheres são tão boas quanto os homens… melhores, em muitos aspectos. Mas a disparidade no ato criativo existe porque elas concentraram suas energias criativas para dentro, não para fora.” (Pág. 158)  

Achei muito ousado da parte da autora levantar essa crítica, pois é mulher e está inserida nesse contexto de que ainda hoje, infelizmente, ainda existe um preconceito de livros escritos por mulheres. Vale sempre lembrar do caso da autora J. K. Rolling que preferiu usar somente as inicias de seu nome para que não sofresse preconceito ao publicar os livros de fantasia da saga Harry Potter.

  • apropriação cultural: eu tenho pensado muito sobre essa questão e achei muito interessante a forma com que a autora abordou o tema:

“- Phoebe Delmar, eu entendo – disse ele. – Ela odeia tudo que eu já fiz e farei na vida. Apropriação cultural, sei lá mais o quê, peça estridente. Mas porque o crítico do Times precisava mencionar o dinheiro da minha mãe? O que isso tem a ver? Eu nem sequer consigo pagar por uma calefação na minha casa, então por que eles se importam com isso? E não posso escrever sobre gente pobre só porque fui criado com dinheiro? Eles não entendem o que é ficção? (Págs. 88/89)

Compartilho com vocês este trecho, porque eu não tenho uma opinião formada sobre essa temática, se vocês tem alguma opinião sobre me digam nos comentários 😉

Como eu disse, é uma leitura difícil, e esse é o tipo de livro que não vai agradar a todos, e provavelmente muitos vão abandoná-lo. Eu em geral gostei muito, e até certo ponto atendeu minhas expectativas.

Até o próximo post!

Camila Melo

P.S. A meta de leitura de 50 livros para 2016 foi cumprida com sucesso!!! 🙂 🙂 

 

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7 Comentários

  1. Oi Cah, tudo bem? Achei exatamente a mesma coisa que você sobre o livro, até escrevi na resenha. Tinha uma expectativa enorme, mas achei a parte de Destinos bem chata, leitura super arrastada; quando chegou em Fúrias, me empolguei e terminei rapidinho. No geral, acho o livro muito pretensioso, se é que isso faz sentido. Hahaha Sabe quando força a barra para ser diferente e chocante?

    Gostei desses três comentários seus no final. Uma vez eu escrevi um post sobre algumas partes da tradução de O Chamado do Cuco. Um trecho que me chamou a atenção no livro era um que a Rowling dizia “cor de tapioca” ou coisa assim, e no original estava tapioca mesmo. Estranhei muito! Hahaha Lotto era muito machista, que personagem intragável! E eu também acho o assunto de apropriação cultural muito interessante (vide o post sobre o discurso da Shriver, né?). Hahaha

    Beijo,
    Brenda

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Brenda! Tudo bem sim e vc? 🙂 Menina foi muito difícil e entediante passar por “Destinos”, mas como eu disse a leitura valeu a pena pela segunda parte. O Lotto era insuportável, mas tbm não conseguia torcer pela Mathilde não, rs. Acho que o propósito da autora era exatamente esse! Fiquei muito curiosa com essa questão da tradução, mas muito interessante o que vc disse sobre “O chamado do Cuco”. Muito obrigada pela visita! Bjos da Cah! ❤ ❤ ❤

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  2. […] Levei mais de duas semanas para finalizar a leitura, e eu realmente quis desistir, mas com perseverança valeu muito a pena, rs. Confiram mais detalhes: Resenha | Destinos e fúrias, por Lauren Groff.😉 […]

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  3. Olá Camila! Sua paixão por livros deixa-me extremamente feliz. Sou de uma geração de muitos livros e andei uns tempos desanimada com a falta de interesse geral. Sou nova na internet e descobrir pessoas que gostam de leitura e escrevem bem é incrível. Parabéns!

    Se você puder, dá uma olhadinha no meu primeiro romance, na Amazon: “Veias Tocadas do Tempo”. Seria muito bom se você pudesse lê-lo e dar sua opinião. Muito obrigada!

    O link é https://www.amazon.com.br/dp/B01N68PK7E/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1480103101

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Monica, primeiramente seja muito bem vinda ao blog! Sou apaixonada pelo universo literário e uso esse espaço para de alguma forma expressar esse amor. Na internet tem muita gente postando coisas muito interessantes sobre livros e afins, é um prato cheio, aproveite mesmo! 😉 Assim que tiver um tempinho disponível vou conferir seu livro, parabéns! Bjos da Cah! 🙂

      Curtido por 1 pessoa

      1. Muito obrigada! Bjs!

        Curtido por 1 pessoa

  4. […] “Tragédia, comédia. É tudo uma questão de ponto de vista.” (Destinos e fúrias, por Lauren Groff) […]

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