Resenha | No seu pescoço, de Chimamanda Ngozi Adichie

Oies Bookaholics!

A autora Chimamanda Ngozi Adichie é uma das minhas escritoras contemporâneas favoritas, e depois te ter lido seus ensaios e o romance Hibisco roxo, pude conhecer sua outra faceta: a de contista.

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★★★★★ ❤ 

The thing around your neck – Tradução: Julia Romeu – Companhia das Letras – 2017 – 240 páginas

A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie vem conquistando um público cada vez maior, tanto no Brasil como fora dele. Em 2007, seu romance Meio sol amarelo venceu o National Book Critics Circle Award e o Orange Prize de ficção, mas foi com o romance seguinte, Americanah, que ela atingiu o volume de leitores que a alavancou para o topo das listas de mais vendidos dos Estados Unidos, onde vive atualmente. Ao trabalho de ficcionista, somou-se a expressiva e incontornável militância da autora em favor da igualdade de gêneros e raça. Agora é a vez de os leitores brasileiros conhecerem a face de contista dessa grande autora já consagrada pelas formas do romance e do ensaio. Publicado em inglês em 2009, No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro — escrito em segunda pessoa —, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.

No seu pescoço foi um dos livros que eu ganhei de aniversário no ano passado, e só tinha lido dois contos para uma disciplina da faculdade: No seu pescoço e A historiadora obstinada, este último utilizei para fazer um trabalho de análise, inclusive.

Preciso dizer que fiquei inspirada a ler este livo por conta do projeto da Mell Ferraz (Literature-se) de dedicar o mês de abril à leitura de contos. Como estava muito difícil de me concentrar nas leituras resolvi ler um conto por dia, já que são histórias mais curtas e independentes uma das outras.

O gênero conto não é o que eu mais costumo ler e sempre acabo lendo alguns contos esparsos, sem me dedicar a alguma obra específica, e mesmo assim quando o faço, mais dificilmente gostar de todos os contos presentes. Entretanto, No seu pescoço foi um livro que se tornou um dos meus favoritos da vida, pelas experiências que ele me trouxe num momento complicado de quarentena.

A coletânea possui 12 contos, dos quais eu amei 11 e adorei 1, não foi nem questão de não ter gostado, mas de não ter sido impactada tão profundamente quanto os demais. Mesmo assim, percebe-se o trabalho da autora ao tratar de temas tão pertinentes e que têm sido de muito interesse para mim. São histórias sobre a cultura nigeriana, os costumes e tradições, a História e política; outros contos ainda tratam das diferenças culturais entre Nigéria e os Estados Unidos, e a condição das mulheres, seja em qual país elas estão.

Em relação à História, foi muito oportuno conhecer a Nigéria sob esta perspectiva, o que ajuda a desmistificar que a África não é uma única coisa, mas diversos países que contam com suas próprias culturas e Histórias, mesmo que muitos deles tenham passado por processos sócio-históricos semelhantes. A autora faz questão de mencionar nomes, tanto de políticos e nomes reais importantes a fim de trazer veracidade aos seus contos e nos deixar instigados a procurar mais informações sobre os fatos ocorridos.

Utilizando das suas próprias experiências, fica nítida as críticas que Chimamanda faz sobre o “sonho americano”. De forma crua ela descreve que os Estados Unidos estão longe de ser o melhor lugar do mundo para se viver, principalmente se você for um estrangeiro negro. Há muito racismo e falta de valorização de profissionais altamente qualificados, mas que precisam ocupar funções mais desvalorizadas pelo simples fato de ser de fora. Muitos de seus personagens mostram a frustração de finalmente conseguirem mudar para a América e o sentimento do vazio, e outros até chegam a negar sua identidade para se moldar num padrão que os humilha constantemente.

Além disso, chamou-me a atenção que Chimamanda consegue concentrar esses assuntos com tão profundidade em poucas páginas. Fiquei muito impressionada pelos diferentes estilos que foram utilizados nos contos, estes variavam entre as diferentes perspectivas de narrativa, sendo utilizados ora primeira, segunda ou até terceira pessoa, como também diferentes temporalidades: passado, presente e futuro.

Fica difícil escolher apenas um conto como o meu favorito em toda a obra, mas uma das coisas que mais amo neste gênero literário é quando ele deixa aquela sensação de quero mais. Porque mesmo que a história tivesse um final eu não me importaria em me aprofundar num romance sobre os personagens e as situações em que foram inseridos. Com isso quero dizer que leria tranquilamente as doze histórias se em vez de contos ela fossem estruturadas em forma de romance com mais páginas e profundidade.

Por mais que a minha ideia era a de ler um conto por dia eu passei por momentos em que queria ler o livro todo de uma vez, já que ficava tão absorvida nestas páginas. Fiz diversas marcações, e quando percebi tinha grifado quase o livro todo diante da quantidade de passagens que me tocaram ao longo da leitura. Confesso que se eu fosse usar post-its ou flags eu provavelmente acabaria com todo o meu estoque!

Se ainda não tiveram contato com a obra da Chimamanda Ngozi Adichie eu recomendo que o façam o quanto antes. No seu pescoço pode ser um ótimo começo, mas se forem tomados assim como eu, provavelmente vão querer ler até mesmo a lista de compras dessa autora incrível.

 

Até o próximo post.

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3 Comentários

  1. Amo esse livro!!!! e o meu tá todo marcado também, mas no kindle, pois tenho angústia de riscar livro físico!! kkkkk mas no kindle vou selecionando tudo!!! kkkk tenho vários que destaquei o livro inteiro quase.. como Porque o pássaro canta na gaiola, A redoma de vidro, Só garotos, vários de psicologia analítica (pra esses inclusive tenho um caderno onde vou fazendo anotações!!)

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    1. Eu tbm tinha muita angústia, mas é difícil ficar sem marcar, no Kindle eu tbm marco, mas acho mais difícil ficar transitando entre as marcações e o livro, acho que é falta de prática mesmo rs Eu sei pq o pássaro canta na gaiola foi uma leitura que eu fiz no Kindle e nossa, está com diversas marcações, pq que livro incrível tbm ❤ Antes eu costumava anotar os trechos preferidos em um caderno e tals, mas confesso que fico com preguiça e acho mais prático fazer marcações e comentários na própria obra hahaha

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  2. […] No seu pescoço, de Chimamanda Ngozi Adichie – 5★   […]

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