[10 séries para 2020] Olhos que condenam: é mesmo tudo o que disseram?

Oies Bookaholics!

Olhos que condenam foi uma das minisséries mais comentadas do ano passado. Eu tento fugir dos hypes, mas nesse ano a coloquei na minha lista de 10 séries para 2020 e realmente é mesmo tudo o que disseram: todo mundo tem assistir!

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Cinco jovens negros do Harlem foram injustamente acusados de estuprarem uma mulher no Central Park. Com criação, roteiro e direção de Ava DuVernay, a série expõe falhas da Justiça dos EUA em um dos mais polêmicos casos de erro judiciário de sua história.

Outro motivo que me fez adiar tanto conhecer a história real deste caso é a crueldade com que esses jovens são tratadas, e sabia que iria ficar muito tocada devido à violência e racismo. Aproveitando, já aviso que como se trata de uma história real, não evitarei possíveis “spoilers” neste post.

Tive a oportunidade de assistir à Olhos que condenam com o boy nesse período de quarentena, já que assuntos relacionado às questões raciais e sociais são de nosso interesse. Não conseguimos assistir aos quatro episódios da minissérie numa única vez (mais por mim que costuma dormir cedo), mas comentávamos e discutíamos vários detalhes.

O sentimento predominante que nos marcou foi revolta. Eu ficava cada vez indignada com as atitudes racistas que a polícia e promotores adotaram durante a investigação: usaram de maneiras desumanas para culpar e condenar 5 adolescentes, na época entre 14 e 16 anos, do crime de estupro. É de dar nojo o quão cruel os sistemas policial e judiciário condenam os jovens negros, antes, durante e depois do fatídico caso que teve início no final da década de 1980 nos Estados Unidos. E que é muito semelhante ao que acontece no Brasil, já que boa parte da população carcerária é composta por negros.

Meu maior receio em relação à minissérie é que eu não queria ficar destruída, mas infelizmente é necessário que existam esse tipo de conteúdo numa plataforma como a Netflix em que milhões de pessoas ao redor do mundo possam enxergar como o racismo ainda se faz muito presente em nossa sociedade. E reforço, todos precisam assistir a essa série, não só para se tornar mais empáticos, mas principalmente humanos, e rever suas ações e (pré) julgamentos.

Achei curioso que mesmo sabendo que eles ficariam presos eu ainda tinha esperanças de que as coisas iriam mudar durante os julgamentos, principalmente porque não encontram o dna de nenhum dos acusados nas provas do crime. Os poucos episódios concentram uma carga tão grande de emoções que é impossível não sentir empatia pelos garotos e seus familiares.

Todos os atores conseguiram expressar tão bem os diversos sentimentos envolvidos: culpa, raiva, medo, solidão, angústia… E isso tudo o antes, o durante e o depois da condenação, principalmente na vida adulta e a difícil reintegração numa sociedade que além de racista, continua marginalizando os ex-presidiários. Eu até que fui muito forte e o único momento em que chorei foi quando finalmente conseguiram provar a inocência deles, 16 anos depois! Parecia que eu compartilhava do sentimento de alívio deles e acreditava numa “justiça” livre e  racialmente ética.

Apesar de ter amado a série e ser algo que todos deveriam assistir (de novo, desculpem!) eu tenho algumas ressalvas. Acho que alguns acontecimentos poderiam ser mostrados de forma mais aprofundada como o julgamento, a vida de cada um dos envolvidos e as consequências para os policiais e promotores que fizeram parte da prisão de cinco inocentes. Talvez seria interessante assistir à uma série de 10 episódios para dar conta das conclusões. Mas nada que diminua o trabalho incrível da diretora e roteirista Ava DuVernay, uma mulher negra incrível que vem utilizando dos recursos cinematográficos para criticar, essencialmente, o racismo nos Estados Unidos. É dela também o documentário A 13ª emenda, que eu super recomendo!

Olhos que condenam se tornou uma das minhas séries favoritas, mas isso só depois de assistir à entrevista da Oprah Winfrey com a diretora, o elenco e os personagens reais dessa história (entrevista esta também disponível na Netflix). Foi muito forte e marcante ver a partir dos relatos de Kevin Richardson, Raymond Santana, Antron McCray, Yusef Salaam e principalmente de Korey Wise as cicatrizes profundas que a condenação injusta deixaram em suas vidas e famílias. É extremamente triste! E mesmo que tenham sido inocentados e recebido indenização, nada pode compensar as perdas que tiveram ao longo dos anos e do inferno que suas vidas se tornaram por conta de um crime que não cometeram.

É triste, é desolador, é revoltante, é violento, é de fazer chorar, mas também é essencial para que casos semelhantes não voltem a acontecer… E que os olhos que condenam da nossa sociedade racista não destrua a vida de outros.

 

Até o próximo post.

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