Resenha | A amiga genial, de Elena Ferrante (Tetralogia Napolitana – Livro 1)

Oies Bookaholics!

Eu finalmente venci a minha curiosidade e resolvi iniciar a minha trajetória na obra da Elena Ferrante. E o primeiro livro escolhido, foi justamente o primeiro livro da Tetralogia Napolitana.

4 ★

L’amica geniale: infanzia, adolescenza – Tradução: Maurício Santana Dias – Biblioteca Azul – 2015 – 336 Páginas

Lila Cerullo e Elena Greco são duas meninas que crescem em meio ao subúrbio de Nápoles, nos anos 1950, ainda convivendo com a densa herança da Segunda Guerra Mundial. Em um bairro em que o trabalho parece ser definidor de todas as pessoas – as personagens são descritas como a família do sapateiro, a do contínuo, a do marceneiro, a do ferroviário, a do capitalista -, é traçado o microcosmo da sociedade, em que os ricos estão em vantagem, mas também são dadas oportunidades para os mais espertos. Nápoles, pois, é como um vórtice espaço-temporal no qual se encontram gregos e latinos com a modernidade pulsante do pós-guerra, revistas de moda para mulheres emancipadas com velhos ideais românticos, o velho e o novo, a aldeia e o universal.

A amiga genial, e na verdade toda a Tetralogia Napolitana, estava no meu radar há muito tempo. Primeiro por conta da febre Ferrante, e segundo por receber indicações de amigas que leram e amaram a experiência. Tanto que a Amanda me deu de presente de aniversário no ano passado, e dos livros que a Amanda me dá/indica eu costumo gostar de todos, exceto esse.

O meu problema com A amiga genial não foi que eu achei a experiência ruim, mas sabe quando você não consegue se conectar com a história? Foi exatamente assim que me senti. Enquanto via diversas pessoas falando que leram este livro (e toda a série) tão rápido que não conseguia parar, ou que essa série ajudou a sair de uma ressaca literária, eu não estava no mesmo nível de empolgação enquanto lia.

Achei muito interessante a escrita da Elena Ferrante: sua narrativa é permeada por uma linguagem muitas vezes poética para narrar os acontecimentos, ainda mais quando essa narrativa é construída por meio da memória da personagem que nos conta a história. Tanto que como estamos com a perspectiva da infância/adolescência, alguns acontecimentos históricos não são tratados com muita clareza, principalmente no que diz respeito ao comunismo e aos regimes totalitários que marcaram a Segunda Guerra. A parte da infância, foi tão bem construída, não seguindo um sequência linear. A perspectiva da história se dá pelas lembranças de Elena/Lenu a partir do momento, já na velhice, em que sua amiga Rafaella/Lila desaparece sem deixar rastros.

Por mais que eu não tenha me envolvido com a história, reconheço a importância deste romance de formação em que podemos acompanhar o crescimentos dos personagens. Estas são traçadas pela amizade entre duas amigas, precisando lidar com as suas diferenças, ao mesmo tempo em que é a união que a fortalece diante dos problemas. Assistimos suas descobertas, principalmente às descobertas relacionadas à sexualidade. E ainda, somos imersos no contexto de uma Itália, especificamente numa comunidade pobre da cidade de Nápoles dos anos 1960.

A educação é um dos temas recorrentes nesse primeiro livro. Percebemos que no contexto retratado a educação básica não é algo acessível. São poucos os que conseguem concluir a educação básica e ainda mais seguir para um nível superior. Os pais dificilmente acreditam que a educação é algo vantajoso, ainda mais para suas filhas, já que estas devem ajudar nas tarefas de casa até o momento de se casarem e continuar com as mesmas funções, sem nenhuma perspectiva diferente de vida.

Aliás, o casamento aqui é ainda tratado como uma moeda de troca. A filha pode ser entregue aquele que melhor tem condições financeiras para sustentá-la. Numa comunidade como esta descrita, em que todo mundo se conhece desde sempre, é ainda mais difícil pensar em como os casamentos constroem e perpetuam as mesmas relações, muitas vezes problemáticas, como podemos observar com o relato sobre os pais, e que pode continuar com seus filhos.

O final do livro não me surpreendeu, eu já esperava que iria acontecer alguma reviravolta. E mesmo com a indicação de novos conflitos eu não me senti tentada a ler o segundo livro imediatamente, e como tinha sido alertada, já tinha adquirido a continuação. A questão agora é que eu não sei quando vou ler. 

E você, já leu algum livro da Elena Ferrante? Me diga nos comentários!

Até o próximo post.

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2 Comentários

  1. Adorei seu ponto de vista! Também vejo só elogios para esse livro, então foi interessante ler o que você escreveu. Ainda não li! Queria ler em italiano mesmo, mas é caro demais /:

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