Diário da Faculdade | A USP e as dificuldades do ensino remoto

Oies Bookaholics!

Como de costume venho compartilhar com vocês as minhas experiências no curso de Letras e nesse ano tudo tem sido tão diferente por conta da pandemia. Para esclarecer alguns pontos queria deixar claro que tudo o que eu expor nesse post é sobre o que eu tenho vivido, já que tenho amigos em condições completamente diferentes da minha. Primeiro preciso ressaltar que estou cursando a Licenciatura em Letras Português-Inglês, visto que no ano passado eu concluí o bacharelado (assim espero porque por conta da pandemia não pude fazer a minha colação de grau, e com isso, confirmar que de fato estou formada).

As aulas da Licenciatura são ministradas, em sua maioria, na Faculdade de Educação, mas nesse primeiro (tumultuoso) semestre de 2020 eu tinha aulas também na Faculdade de Letras e no Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA (disciplina que eu escolhi cursar como optativa livre). Isso significa que cada faculdade adotou um procedimento diferente para lidar com as aulas remotas e cada uma tem seguido um calendário diferente de aulas, assim como os métodos dos professores.

 

As soluções adotadas para o ensino remoto

Acredito que a USP demorou para pensar em métodos para atender às novas necessidades e entrar num consenso. Além disso outros fatores influenciaram também, como a necessidade de utilizar em tão pouco tempo ferramentas as quais muitos não estavam habituados. A maioria dos professoras da Universidade de São Paulo, são formados para pesquisa e muitos não tem didática e aportes necessários relacionados à tecnologia, mas precisaram se adequar. Dos professores que tive aula, todos estavam insatisfeitos com as aulas nesse formato, alguns se adequaram tranquilamente e outros simplesmente não quiseram. Foram disponibilizados gratuitamente kits de internet para os alunos que necessitavam (confiram esse post sobre a falta de acesso à internet no Brasil), além da opção de trancamento de disciplina para aqueles que não conseguiam lidar com o ensino remoto e trabalho (e outros motivos). Eu até pensei em trancar porque pensei que talvez seria um ensino mais precário, mas como eu não sabia até quando essa situação iria ocorrer preferi seguir, e ainda bem que optei por isso, já que foi definido que as aulas em 2020 não seriam mais presenciais. Também formaram realizadas parcerias com diversas instituições para disponibilizar o acesso à acervos de livros, revistas científicas, artigos e cursos online, uma vez que o acesso às bibliotecas também foi cancelado e a renovação automática dos livros que já estavam emprestados.

 

A minha rotina ao estudar em casa

Eu nunca tive muita disciplina para estudar em casa, mas em tempos de aulas remotas precisei me adaptar. Na verdade voltar às aulas foi muito bom para mim, isso porque eu estava sofrendo muito com a falta de rotina e emprego nesses últimos meses. Passei a acordar cedo e não ficar o dia todo de pijama assistindo séries e filmes e/ou cozinhando. Me organizei e fiz um planejamento de tudo o que precisava fazer e por isso consegui concluir várias atividades com folga e tranquilidade. Entretanto, passar muitas horas em frente ao computador deixou-me com enxaqueca em diversos momentos, além das instabilidades com a internet, principalmente em alguns eventos obrigatórios. Posso dizer que mesmo com um semestre tão atípico aprendi muito, as discussões e temas abordados não perderam a relevância ou podem ser menosprezados por não serem presenciais, vou levar os aprendizados para a minha vida.

 

As disciplinas que cursei

A ECA manteve normalmente o cronograma e como cursei a disciplina de Legislação da Indústria Editorial segui com as “aulas” desde março, quando foi determinada a quarentena. No começo o professor seguia com uma espécie de plantão de dúvidas via a plataforma Moodle da USP, funcionando como um fórum. Esse método foi horrível, mas aí depois de conversamos com o professor ele passou a fazer os roteiros das aulas e fazer os encontros via Google Meet, seguindo os mesmo horário da aula presencial, cerca de 1h40. Os trabalhos seguiram a mesma data e o professor até que foi flexível para atender às dificuldades que tínhamos, entretanto, confesso que apesar de um resultado muito satisfatório estudar legislação desse modo foi um pouco frustrante. 

Na Faculdade de Letras, cada professor seguiu à sua maneira, e tive a chance de cursar a disciplina de Abordagens crítica e o ensino de Literatura com um professor maravilhoso, eu só tive aula com ele uma única vez no início da minha habilitação. Ele se manteve o tempo todo preocupado com o bem-estar físico, emocional e psicológico dos alunos. Fazia roteiros das aulas com temáticas bem específicas e nos encontros via Google Meet abria oportunidade para todos falarem e trazerem exemplos de outros assuntos não relacionados diretamente à literatura, mas também a filmes, músicas e outras artes. Como a disciplina era oferecida tanto de manhã como à noite, poderíamos escolher o horário para participar, além também de atribuirmos nossa frequência e nota final, se quiséssemos, mas ainda assim tínhamos um trabalho final para entregar, sendo três opções disponíveis para este. Apesar do ensino remoto essa foi a melhor disciplina que cursei no semestre e se tornou uma das minhas favoritas da Graduação, por fazermos um panorama das abordagens críticas de literatura e as discussões que tecemos ao longo do semestre pude sair com um sopro de esperança em tempos tão difíceis e a educação desvalorizada, principalmente à educação voltada às áreas de humanas.

Já na Faculdade de Educação as coisas demoraram muito tempo, mesmo porque várias disciplinas dependiam dos estágios obrigatórios em escolas públicas, e as mesmas também mantinham-se fechadas. Após várias discussões entre professores e alunos foram instituídas algumas opções para compensar as horas de estágio. As aulas, ou melhor dizendo, os encontros virtuais só voltaram mesmo em Junho e o semestre se encerrará na última semana de agosto. Na disciplina de Política e Organização da Educação Básica no Brasil, que tinha iniciado as aulas presenciais em fevereiro, o professor não estava satisfeito com o ensino remoto e até sugeriu que os alunos que pudessem se matriculassem em outro momento. Para aqueles que permaneceram não houve nenhuma aula, apenas dois trabalhos em grupo com alguns temas sobre a educação, e o grupo o qual eu estava discutiu sobre a educação profissional e formação tecnológica. Trabalho em grupo muitas vezes já é complicado, imagina então lidar com pessoas que você nunca viu e seus diferentes modos de trabalho, mas no final das contas o professor pediu que cada um atribuísse suas próprias notas e frequência.

A outra disciplina que cursei foi Metodologia do Ensino de Inglês I e esta foi que a mais exigiu de mim. Além das aulas, que presencialmente duravam 4 horas, passamos a ter encontros por Google Meet por cerca de 1h40, e, para compensar houve muitos textos e atividades para compor as 90 horas de estágio. Dentre essas atividades eu fiz entrevistas com professoras e familiares sobre o ensino à distância, análises de material didático e ainda busca por materiais para auxiliar no ensino de língua inglesa. Apesar da carga puxada, que a professora mesmo reconheceu, a docente ainda foi muito flexível para atender às nossas demandas. Também fiz algumas atividades avaliativas, como ensaios e autobiografia, assisti a um evento voltado à metodologias de ensino de línguas, tudo remotamente. Com essa disciplina eu pude conhecer como o ensino de Inglês é abordado, principalmente nas escolas públicas e qual o nosso papel como educadores, que vai além do ensino de um idioma, e também, a frustração em ver tanta defasagem em relação à rede privada. O legal foi que nessa disciplina tínhamos um grupo no Whatsapp, e mesmo odiando grupos, foi muito bom ver a recepção e solidariedade entre os participantes para esclarecer dúvidas.

 

Para finalizar quero dizer que nada substitui a relação pessoal que a sala de aula possibilita, o contato e as trocas. Espero que nesse período as famílias, e principalmente o Governo, possam valorizar o papel dos professores, essencialmente os da educação básica, visto que estes recebem salários muito abaixo, cumprindo diversas demandas, muitas delas envolvendo falta de recursos nas escolas, violência e diversos problemas psicológicos, emocionais e familiares de seus alunos, estes concentrados em grande quantidade em uma única turma.

 

E você, como tem sido a sua rotina de estudo com ensino remoto e quais são as maiores dificuldades que tem encontrado? Me diga nos comentários, vou adora saber! 😉

 

Até o próximo post.

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3 Comentários

  1. Oi, Cah!
    Foi muito interessante ler o seu relato com as aulas remotas nesse período de pandemia. Imagino que muitos professores tenham dificuldade mesmo de se adaptarem, porque o ensino não é proposto dessa forma nas universidades públicas, que, em geral também, contam com um corpo de docentes composto por pessoas que já estão na carreira há um bom tempo e tudo isso de pensar didaticamente frente às tecnologias de hoje é novidade pra eles, mais do que pros alunos, talvez. Fora isso, realmente, não são todos os alunos que têm condições de acompanhar as aulas por essa modalidade, seja por acesso à internet, seja por ter de se desdobrar mais ainda para levar junto trabalho, aula, filhos também em casa… não deve ser fácil.
    Mas fico feliz de ter visto pelo menos uma experiência boa que tenha trazido um pouco de esperança em meio a tantas coisas atípicas.
    Manter uma rotina às vezes salva também a nossa sanidade, rs.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Isa! Sim, nas aulas presenciais mesmo percebia que os professores tinham dificuldade para utilizar slides, imagina então nesse tempo em que tudo está ligado à tecnologia? E olha, eu posso dizer que sou privilegiada por conseguir manter uma rotina tranquila de estudos, p em casa o único problema que eu enfrento é o barulho. Vi colegas e pelo relato de pessoas que entrevistei tendo que lidar com a carga maior de trabalho devido tbm às novas ferramentas que precisam usar, além dos filhos e demais tarefas de casa, realmente não é fácil. Por isso tentei encontrar o lado bom nessa loucura que tem sido 2020 e estabelecer uma rotina tem sido essencial para mim, de verdade. 😉

      Curtido por 1 pessoa

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