Resenha | O que Alice esqueceu, de Liane Moriarty

Oies Bookaholics!

Uma das minhas últimas leituras realizadas foi O que Alice esqueceu, romance da autora australiana Liane Moriarty.

4 ★

What Alice forgot – Tradução: Julia Romeu – Intrínseca – 2018 – 416 Págs.

Alice tinha certeza de que era feliz: aos 29 anos, casada com Nick, um marido lindo e amoroso, aguardando o nascimento do primeiro filho rodeada pela linda família formada por sua irmã, a mãe atenciosa e a avó. Mas tudo parece ir por água abaixo quando ela acorda no chão da academia… dez anos depois! Enquanto tenta descobrir o que aconteceu nesse período, Alice percebe que se tornou alguém muito diferente: uma pessoa que não tem quase nada em comum com quem ela era na juventude e, pior, de quem ela não gosta nem um pouco. Ao retratar a vida doméstica moderna provocando no leitor muitas risadas e surpresas, Liane Moriarty constrói uma narrativa ao mesmo tempo ágil e leve sobre recomeços, o que queremos lembrar e o que nos esforçamos para esquecer.

Quem mais já leu algum livro da Liane Moriarty? Eu fiquei super envolvida quando li Pequenas grandes mentiras e adorei o estilo da autora, por isso me interessei por conhecer seus outros livros. Apesar de ter sido publicado aqui no Brasil em 2018 o livro na verdade foi publicado originalmente em 2009.

O que Alice esqueceu é uma leitura muito envolvente e em poucas páginas eu já estava imersa nos acontecimentos narrados. Um dos motivos que mais me fez gostar da história é por conta de sua estrutura que traz três perspectivas de diferentes mulheres, por mais que o ponto principal fosse Alice, a perspectiva de sua irmã Libby traz uma carga mais dramática enquanto a perspectiva da avó delas traz alívios cômicos.

Para aqueles que gostar de histórias com a temática de perda da memória como Lembra de mim? (Sophie Kinsella), Para sempre Alice (Lisa Genova) e os filmes Como se fosse a primeira vez e Para sempre provavelmente vai gostar deste romance de Liane Moriarty. O norte da história é sobre Alice que ás vésperas de completar 40 anos sofre um acidente na academia e perde a memória dos últimos 10 anos de sua vida. A partir dessa leitura pude refletir sobre as mudanças que acontecem nas nossas vidas e como como seres humanos mudamos as nossas ideias e valores. Talvez os posicionamentos que tínhamos no passado não condizem mais com quem somos e vice-versa, podemos amadurecer a partir dos acontecimentos e nossas escolhas.

Foi interessante também perceber que quando Alice “acorda” ela tem uma perspectiva de quem ela era no passado, mas não condizente com quem ela é no presente, e isso se dá a partir da perspectiva que os outros têm dela. Os outros aqui são os próprios familiares e pessoas mais próximas, o que faz sentido, porque a proposta não é a de querer agradar todo mundo, mas sim refletir o quanto seres humanos não apoiamos ou colaboramos com aqueles que fazem parte da nossa vida.

Parece que com esse acidente Alice tem uma nova oportunidade de rever as suas ações e tentar recuperar a confiança e amor daqueles que ela decepcionou. E aqui a temática se volta ao matrimônio, relações familiares, luto e amizades. Liane Moriarty consegue trabalhar essas temáticas de forma maravilhosamente bem, principalmente ao inserir também a maternidade e a relação com os filhos pequenos.

O único ponto que me decepcionou um pouco foi ver uma certa obsessão por ter um corpo magro, mas é compreensível visto que atualmente as discussões sobre aceitação do corpo não eram tão evidentes quanto em 2009, como eu mencionei anteriormente, ano em que o livro foi publicado originalmente.

Spoilers!

É difícil comentar sobre algum livro da Liane Moriarty sem comentar aspectos específicos da obra. Um dos pontos que mais mexeu comigo foi o drama de Libby e dificuldade em engravidar. Apesar de essa não ser um dos meus objetivos num futuro próximo foi impossível não me sensibilizar com a situação trabalhada, as frustrações com os procedimentos artificiais e o quanto isso pode abalar o emocional e o psicológico de uma mulher, além de afetar o seu casamento. Pela perspectiva de Libby num diário para seu psiquiatra ela relata de forma mais real e crua seu sentimento de raiva com ela mesma e com o mundo por não conseguir engravidar.

Outro ponto interessante sobre o casamento foi notar que como as pessoas mudam ao longo dos anos e o quanto essas mudanças afetam o relacionamento. Alice e Nick tinham diversos objetivos materiais e agora que conseguiram tudo parece não fazer mais sentido estarem juntos. Aqui traz um ponto reflexivo: até que ponto somos comprometidos? Por isso gostei muito do desfecho da história!

Até o próximo post.

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5 Comentários

  1. Ainda não conheço está autora. Fiquei curiosa. Abraços. Bom final de semana.

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    1. Oies Bia! Já li dois livros dela e simplesmente adorei as experiências, vale muito a pena e acho que vc vai gostar 😉 Bjos e bom final de semana 🙂

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  2. Eu amei esse livro. Achei a proposta tão legal. Será que a gente vai gostar de quem nos tornamos em 20 anos? E se encontrássemos nosso eu de 20 anos atrás, o que ela nos diria? É uma construção muito bonita sobre como a vida acontece e a gente nem sempre se torna quem imaginava.

    Adorei a resenha, Cah! Nem tô dando conta de acompanhar todos os seus posts, você produz tanto! ❤ Admiro, viu.

    Beijo,
    Brenda

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Brenda 🙂 Eu amei a proposta da autora, acho que ultimamente tenho gostado muito de ler histórias que trazem essas diferentes perspectivas, nos fazendo refletir sobre quem somos e a construção de nossas identidades ao longo dos anos. Eu fico muito feliz de saber que vc continua sendo minha leitora fiel, mesmo que eu demore para responder e não tenha visitado o seu blog nos últimos meses, vou compensar, prometo! Bjos

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