Resenha | Em outra vida, talvez?, de Taylor Jenkins Reid

Oies Bookaholics!

Talvez uma das autoras mais faladas no ano passado foi a norte-americana Taylor Jenkins Reid, com seus livros Os sete maridos de Evelyn Hugo e Daisy Jones & The Six, que estou louca para ler. Mas, fuçando o catálogo do Kindle Unlimited vi que a versão original de Em outra vida, talvez? estava disponível e quis aproveitar para conhecer a obra da autora.

Já digo de antemão que adorei a narrativa e o estilo da autora, ainda mais pelas temáticas que ela tratou como os relacionamentos amorosos, familiares e amizade; carreira e vida profissional.

 

MAYBE_IN_ANOTHER_LIFE_1553470807451416SK1553470807BMaybe in another life foi publicado em 2015. Antes de falar propriamente o que eu achei do romance, preciso falar um pouco da minha experiência lendo o livro em inglês. Eu não sou fluente na língua, considero meu nível avançado para leitura por conta dos textos científicos que preciso ler para a faculdade. Por isso, a única dificuldade que tive foi com uma expressões e termos mais coloquiais, mas nada que o próprio tradutor do Kindle não ajudasse. Mas eu só utilizava essa ferramenta quando não conseguia entender o sentido pelo contexto. Achei a leitura fluída e envolvente, eu queria saber o desfecho da trama. Claro que o meu ritmo de leitura em inglês é mais lento que em português devido a falta do hábito, mas que adorei e preciso continuar treinando mais com outros livros.

 

EM_OUTRA_VIDAN_TALVEZ_1516720258749835SK1516720258B

Em histórias paralelas, Hannah vive as consequências de duas decisões. E, no desenrolar dessas realidades, sua vida segue rumos completamente diferentes. Hannah Martin está perdida. Aos 29 anos, já morou em várias cidades e trabalhou em incontáveis lugares – mas nada disso a ajudou a decidir que rumo dar à vida. Depois de sofrer uma decepção amorosa, ela resolve voltar para Los Angeles, sua cidade natal, pois acha que, com o apoio de Gabby, sua melhor amiga, finalmente, vai conseguir colocar a vida nos trilhos. Para comemorar a mudança, nada melhor do que reunir velhos amigos num bar. E é lá que Hannah reencontra Ethan, seu ex-namorado da adolescência. No fim da noite, tanto ele quanto Gabby lhe oferecem carona. Que dúvida! Será que é melhor ir embora com a amiga? Ou ficar até mais tarde com Ethan e aproveitar o restante da noite? Em realidades alternativas, acompanhamos os dois cenários, com desdobramentos bem diferentes na vida de Hannah e de todos que fazem parte dela. Será que tudo o que vivenciamos está predestinado a acontecer? O quanto disso é apenas sorte? E, o mais importante: será que almas gêmeas realmente existem? Hannah acredita que sim. E, nos dois mundos, ela acha que encontrou a sua.

No Brasil, o livro foi publicado em 2018 pela Editora Record, mas ainda não teve o mesmo destaque que os livros posteriores da autora. Provavelmente o livro não deve ter chamado a atenção por ser classificado como Chick-Lit e talvez afastado um pouco o público pensando que esta seria uma história cheia de romances e coisas do tipo. Eu adoro livros desse gênero e desde a sinopse fiquei muito tentada a conhecer a história de Hannah.

Eu me identifiquei demais com a protagonista em alguns sentidos. Assim como eu, a protagonista é apaixonada por cinnamon rolls, aqueles pãezinhos doce de canela (que custam um absurdo na Starbucks, mas dá para fazer em casa seguindo essa receita que fez muito sucesso das vezes que eu fiz).

Temos a mesma idade (pelo menos até julho, rs) e muito daquele sentimento de “eu não conquistei muito na minha vida” enquanto vê pessoas com idade semelhante (ou até mais novos) conseguindo realizar coisas básicas como um emprego estável, casa, carro e até iniciando a família. A gente tem a tendência de se comparar o tempo todo, achar que não estamos nos esforçando o suficiente e até mesmo nos sentindo meio perdido. Mesmo formada eu penso muito nisso e é normal a gente se sentir assim, principalmente em tempos de pandemia em que parece que nada progride.

É interessante ver a perspectiva da protagonista que não tem um local fixo que ela chama de lar, já que muda constantemente de uma cidade para outra, e até mesmo em diferentes cantos dos Estados Unidos. O romance começa na saída de Hannah saindo de Nova York para voltar para Los Angeles, a cidade em que ela viveu por mais tempo. Sem trabalho e até mesmo um teto, ela se muda para a casa da sua melhor amiga Gabby a fim de tentar se estabelecer financeiramente.

Hannah se cobra o tempo todo ao ver o quão estabilizada está a vida de Gabby, mas não com um sentimento de inveja ou coisa parecida, mas repensando em todas as suas escolhas e decisões que a levaram a cometer tantos erros. Até mesmo a sua saída de Nova York foi uma maneira que Hannah encontrou para tentar mudar o rumo da sua vida, mesmo sem nenhum plano em vista.

O romance se estrutura a partir de duas narrativas paralelas a partir de mais uma decisão de Hannah. Eu não sei vocês, mas eu sempre me pergunto o que teria acontecido se eu tivesse optado por um caminho em vez de outro, e digo isso das coisas mais simples como o que aconteceria se eu tivesse conseguido entrar no ônibus que eu não cheguei a tempo; às mais complexas do tipo: como eu estaria hoje se em vez de Letras eu tivesse optado por Ciências Contábeis em 2015.

Sem utilizar de nenhum efeito mágico ou fantasioso a autora desenvolve o romance sob duas alternativas: a carona com Gabby e o ficar com o Ethan, seu namoro mal resolvido do passado. A maneira como os acontecimentos ocorrem diferem em alguns momentos e em outros são semelhantes. É impossível não torcer para o que acontece em ambos os casos e para os relacionamentos amorosos que aparecem em ambos os cenários. Chega um ponto que eu não conseguia mais decidir por qual alternativa a protagonista deveria de fato viver. E aqui acho que ficou mais uma reflexão: independente das nossas escolhas, vamos arcar com as consequências delas, sejam positivas ou negativas. Como o trecho a seguir, tradução livre:

Não importa se não pretendemos fazer as coisas que fazemos. Não importa se foi um acidente ou um erro. Não importa se achamos que tudo isso está certo. Porque, independentemente do seu destino, ainda temos que responder por nossas ações. Fazemos escolhas, grandes e pequenas, todos os dias de nossas vidas, e essas escolhas têm consequências. Temos que enfrentar essas conseqüências de frente, para melhor ou para pior. Não conseguimos apagá-los justificando dizendo que não pretendíamos. Destino ou não, nossas vidas ainda são o resultado de nossas escolhas. Estou começando a pensar que quando não os possuímos, não nos possuímos.

E sim, não podemos esquecer de que não temos controle sobre tudo, aliás, alguns acontecimentos nas nossas vidas ocorrem sem necessariamente ser porque escolhemos ou não. Eu tendo a acreditar para tudo há um propósito, outras pessoas acreditam em destino, outras ainda me carma e outras mais em Deus.

Preciso destacar a protagonista Gabby, a autora trouxe representatividade ao construir uma personagem negra sem os estereótipos relacionados à raça. Eu até leria um livro que contasse só a história de Gabby, sua criação com pais ricos e sua carreira na área de direitos humanos.

 

Até o próximo post.

Redes sociais *Skoob/ *Goodreads/ *Instagram/ *Facebook/ * Filmow

 

7 Comentários

  1. Rótulos às vezes ajudam, mas às vezes também atrapalham. Se eu me limitasse a apenas ver que este livro é um chick-lit, eu provavelmente não o leria, mas depois de já ter conhecido Os sete Maridos de Evelyn Hugo e Amor(es) Verdadeiro(s), sei do potencial literário da autora que vai muito além de qualquer tentativa de classificar livros por apenas um gênero.
    Como eu gosto de dar um tempo entre um livro e outro do mesmo autor ou autora, provavelmente não lerei tão cedo, mas sua resenha despertou meu interesse para ir atrás sim do livro em algum momento 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Concordo Isa, rótulos às vezes atrapalham mesmo quando carregam e passam alguns estereótipos e preconceitos. Olha, posso te dizer que depois que li esse livro e Os sete maridos de Evelyn Hugo eu quero ler tudo dessa autora: ela tem o dom de contar histórias! Mas tbm sou de dar um tempo entre as obras de um mesmo autor, rs… Digo isso, mas morrendo de vontade de ler Amor(es) Verdadeiro(s) e Daisy Jones & The Six, confesso hahaha 🙂

      Curtido por 1 pessoa

  2. Tô amando visitar e ler seus conteúdos, são os melhores!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Karol! Primeiramente seja muito bem vinda 🙂 Fico muito feliz que tenha gostado do conteúdo que venho criado aqui, isso significa muito pra mim ❤ Bjos

      Curtir

  3. […] li Em outra vida, talvez?, de Taylor Jenkins Reid e aqui também se questiona muito sobre o famoso “e, se…” principalmente quando […]

    Curtir

  4. […] da Taylor Jenkins Reid é extremamente envolvente como eu já tinha notado anteriormente no livro Em outra vida, talvez?. A autora tem um jeito único de contar histórias e acho que isso que nos mantém tão imersos em […]

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: