Resenha | Para sempre Alice, de Lisa Genova

Oies Bookaholics!

Desde que ingressei no curso de Letras fiquei tentada a ler Para sempre Alice da autora norte-americana Lisa Genova, e finalmente agora, já formada, tive coragem de conhecer essa história que trata da doença de Alzheimer.

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4★

Still Alice – Tradução: Vera Ribeiro – Nova Fronteira – 2015 – 288 Páginas

Alice (no filme, interpretada por Julianne Moore) sempre foi uma mulher de certezas. Professora e pesquisadora bem-sucedida, não havia referência bibliográfica que não guardasse de cor. Alice sempre acreditou que poderia estar no controle, mas nada é para sempre. Perto dos cinqüenta anos, Alice Howland começa a esquecer. No início, coisas sem importância, até que ela se perde na volta para casa. Estresse, provavelmente, talvez a menopausa; nada que um médico não dê jeito. Mas não é o que acontece. Ironicamente, a professora com a memória mais afiada de Harvard é diagnosticada com um caso precoce de mal de Alzheimer, uma doença degenerativa incurável. Poucas certezas aguardam Alice. Ela terá que se reinventar a cada dia, abrir mão do controle, aprender a se deixar cuidar e conviver com uma única certeza: a de que não será mais a mesma. Enquanto tenta aprender a lidar com as dificuldades, Alice começa a enxergar a si própria, o marido (Alec Baldwin), os filhos (Kate Botsworth, Hunter Parrish e a queridinha de Hollywood, Kirsten Stewart) e o mundo de forma diferente. Um sorriso, a voz, o toque, a calma que a presença de alguém transmite podem devolver uma lembrança – mesmo que por instantes, e ainda que não saiba quem é.

Provavelmente muitas pessoas conhecem essa história por conta do filme, mas eu queria ter primeiro a experiência mais aprofundada com o livro. Eu recebi a minha edição por uma troca no Skoob no ano passado e nem tinha ideia de quando eu leria. Até que olhei o livro na minha estante, como quem não quer nada, e quem disse que eu conseguia parar de ler?

Acho que a minha experiência se deu principalmente pela escrita envolvente da autora Lisa Genova. Em pouco tempo eu lia quase 60, 70 páginas de uma só vez. O que também é surpreendente, visto que por acaso descobri que a autora é neurocientista e trouxe diversos aspectos sobre a doença de Alzheimer, inclusive tem vídeo dela no TedTalks:

 

E difícil não admirar o trabalho dela também como escritora de romances! O livro é narrado em terceira pessoa e cada capítulo corresponde a um mês, o que nos faz acompanhar o desenvolvimento da doença num curto espaço de tempo.

A doença de Alzheimer é uma das doenças que eu mais emocionalmente tocada quando leio sobre. Essa é uma doença que não significa apenas o esquecimento, mas essencialmente a identidade de um ser humano. Para sempre Alice me tocou ainda mais por trazer um caso raro da doença: quando atinge a pessoa precocemente. Alice acaba de completar 50 anos e precisa lidar com essa realidade que acaba com a sua vida. Ser diagnosticada com uma doença degenerativa e fatal faz com que esta mulher passe a perder todas as suas conquistas, principalmente as profissionais. Assim como a autora, Alice é cientista renomada da Universidade de Harvard, ela tem livros sobre as suas pesquisas e dá diversas palestras em todo o mundo, justamente na área da Linguística.

A protagonista tem domínio dos procedimentos sobre língua e linguagem e coincidentemente   o que ela começa a perder é capacidade de se expressar. Para mim que sou dessa área, preferindo a área da literatura, foi basicamente impossível não sentir empatia por essa mulher e o que ela vem passando. O próprio ambiente universitário me trouxe ainda mais uma reflexão sobre a careira do cientista/pesquisador: o estudo incessante até mesmo nas férias e as responsabilidades como docente. O julgamento dos alunos sem saber o que há por trás das aulas ruins em que a professora estava totalmente perdida sem saber o que estava fazendo na sala de aula.

Uma cena específica me tocou quando Alice relata que tinha deixado diversos livros para serem lidos no futuro, quando ela teria mais tempo disponível, só que agora que ela se vê afastada do trabalho e das viagens, ela não tem mais condições de ler, porque sua mente não consegue absorver as informações contidas nas páginas.

As relações familiares também são tratadas na obra. Casada com John, também professor universitário em Harvard,  e mãe de três filhos, todos eles já adultos com suas vidas, Alice começa a depender da ajuda dos familiares para as suas necessidades mais básicas. A doença chega a uma fase tão drástica que ela não consegue lembrar onde é o banheiro e acaba se urinando. Esquece de traumas profundos, como a morte da mãe e da irmã mais nova num acidente de carro, passando por toda a dor da perda novamente.

Porém, é pela doença que ela passa a conviver melhor com a sua filha mais nova que não quis seguir a vida mais assegurada dos pais e irmãos ao não querer cursar faculdade. O novo relacionamento que as duas passam a desenvolver traz muito de empatia e o de se colocar no lugar da outra.

 

Algumas considerações sobre o filme

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3★ O livro foi adaptado par filme em 2014, dirigido por Richard Glatzer e Wash Westmoreland. O problema de se ler o livro antes é que há uma forte tendência minha em achar a adaptação muito superficial, e nesse caso foi muito superficial. Eu até me irritei por trocarem Harvard por Columbia e outros acontecimentos, principalmente em relação ao John. Mas a minha antipatia pelo filme foi tanta a ponto de eu não conseguir me conectar, nem mesmo com Julianne Moore, que venceu o Oscar justamente pela sua atuação nesse filme. Talvez se eu tivesse visto o filme antes de ler o livro minha experiência muito provavelmente teria sido outra mais positiva.

 

Spoilers

A única coisa que em incomodou na trama foi a reação de John. Eu tive a sensação de que por mais que ele amasse a esposa, ele não queria abrir mão de sua carreira para cuidar dela. Ele sempre foi muito ausente por conta da sua profissão, mas chega a um ponto em que ele até cogita se mudar para Nova York por conta de uma oportunidade nova de trabalho. Isso sem considerar a opinião de Alice de não querer se mudar, porque para ela já era difícil ficar num lugar que ela conhecia há anos, imagina então partir para um lugar novo.

Outro ponto que me deixou muito irritada foi ver que no final as responsabilidades do cuidado de Alice ficou para uma cuidadora contratada e pelas filhas. Aqui fica claro que as responsabilidades do cuidado sempre é deixado para as mulheres porque os homens da família não poderiam abrir mão de nada. E isso é mais que uma crítica feminista, o marido não queria perder suas pesquisas e o filho estava cursando medicina, enquanto a filha mais velha tinha acabada de dar à luz a gêmeos, e a mais nova optou por cursar uma faculdade que ficasse mais próximo da mãe para ter mais tempo com ela. Se não fosse por esse detalhe eu teria dado 5 estrelas e favoritado o livro.

 

Até o próximo post!

Redes sociais *Skoob/ *Goodreads/ *Instagram/ *Facebook/ * Filmow

 

 

 

 

 

 

9 Comentários

  1. Nossa, aquela parte dos livros que ela deixa para ler quando tivesse mais tempo doeu.

    Eu só assisti ao filme e gostei bastante, é devastador. E eu amo a Julianne Moore. Mas sei bem como é quando a gente lê o livro primeiro. O filme quase nunca está à altura. =/

    Beijo, Cah!

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    1. Ai Brenda, é uma história muito tocante mesmo! Aquela cena em que ela vai correr com o marido, mas esquece onde está o banheiro para ir fazer xixi tbm é bem devastadora 😦 E sim, os livros na maioria das vezes nos toca mais quando os lemos antes de assistir ao filme.

      Bjos

      Curtir

  2. Gio - Atraídos Pela Leitura · · Responder

    Como já faz tempo que assisti ao filme, gostei muito de relembrar algumas partes e muito mais em saber a sua opinião sobre o livro. Ótima resenha!♥

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Gio! Desculpe-me pela demora 😉 Olha essa história me deixou tão devastada, sabe? Fico muito feliz que você tenha gostado do post ❤ Bjos

      Curtido por 1 pessoa

  3. Ai, eu revi o filme agora na minha cabeça com a sua resenha, e que triste ele. Preciso muito ler o livro… até bateu uma pontinha de insegurança, porque realmente, a gente deixa tudo pra depois, pra mais tarde… sei que não daremos conta de ler tudo o que realmente queremos, porque sempre surgem novas leituras interessantes na fila, mas talvez posterguemos mais do que deveríamos… fica essa reflexão, né?
    Não sabia que a autora era neurocientista, achei super legal!
    Parabéns pela resenha 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ai Isa, primeiramente me desculpe pela demora em responder pq tenho ficado mais tempo no Instagram e esqueço de responder aqui =/ Nossa, sim, essa reflexão que vc trouxe bate também com uma outra que fico fazendo, o de sempre estarmos produzindo/aprendendo algo, sabe? Digo isso pq a leitura para mim é algo que faço tanto por conta da faculdade, como por uma prazer que eu gosto, então fico sempre naquela coisa de querer ler tudo e ao mesmo tempo de ficar me cobrando por ler mais… Enfim, fico feliz que vc tenha gostado da resenha 🙂 e sim, tbm achei o máximo esse dado da autora, vi que os demais livros dela tbm abordam alguma doença da área dela, mas aí não sei se aguento pq deve ser muito triste como esse 😦 Bjos

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  4. Eu só assisti ao filme, mas sua resenha me deixou muito interessada em ler o livro! Concordo quando você diz que não se trata só da perda da memória, mas sim de toda a sua identidade. Somos aquilo que aprendemos durante nossas vidas… E esse tema me toca muito, inclusive por ser uma questão importante no transtorno bipolar (que afeta a memória e está associado a uma maior chance de desenvolver uma demência). Perder as palavras, a capacidade de comunicação também me abala demais… Enfim, terei que me preparar para essa leitura rs
    E concordo muito com sua crítica feminista! Os cuidados (quase) sempre ficam com as mulheres!! Já vi uma situação muito similar em minha própria família. Mas isso não mostra como é a realidade? Acho que eu ficaria surpresa e incrédula com o marido agindo de outra forma, pensaria “ah só nos livros”… Acho péssima a romantização dos homens, nos livros e na vida real….

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    1. Oies Bia, desculpe pela demora em responder =/ Adorei as suas colocações, ainda mais por trazer outros pontos numa temática que vc conhece tão bem e por partilhar aqui 🙂 Gostei tbm da sua perspectiva sobre o cuidado ser naturalizado a algo das mulheres, me fez repensar a minha crítica e agradeço por isso, viu?! ❤

      Bjos

      Curtido por 1 pessoa

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