Resenha | O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald + Considerações sobre o filme

Oies Bookaholics!

O grande Gatsby, do autor norte-americano F. Scott Fitzgerald é um livro que eu tinha esquecido na minha estante há uns 3 anos, e por ser um clássico renomado eu sempre adiava a leitura com receio de não entender e todos as balelas sobre os livros desse gênero. Fiz leitura tanto na edição física quando a versão digital publicada aqui no Brasil pela Editora Tordesilhas e vou tentar mostrar nessa resenha que essa é mais uma obra para desmistificar o nosso medo de ler clássicos.

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★★★★

The Great Gatsby – Tradução: Cristina Cupertino – 2013 – 288 Páginas

A obra traz como pano de fundo a sociedade americana da década de 1920, época que ficou conhecida como a era do jazz. Ao se mudar para a casa ao lado, Nick Carraway adentra o mundo de extravagância e luxo de Jay Gatsby, um misterioso milionário que, na verdade, busca a atenção de um antigo amor, Daisy Buchanan, de quem se separou na Primeira Guerra Mundial. Um retrato pungente da decadência de uma sociedade materialista e deslumbrada com o poderio do pós-guerra e dos trágicos danos causados por uma obsessão lancinante com o passado. A edição traz ainda o prefácio à edição americana de 1934, escrita pelo próprio Fitzgerald; um posfácio do escritor americano Alex Gilvarry; uma seleção das cartas que Fitzgerald escreveu a Maxwell Perkins, seu editor à época da publicação de ‘O grande Gatsby’; e a cronologia da vida e obra do autor.

Antes de falar propriamente da minha experiência com essa leitura, gostaria de trazer algumas curiosidades. A primeira delas é que eu achei essa edição para doação no metrô, especificamente na linha amarela, aqui em São Paulo, e no último final de semana de 2019 senti uma vontade de ler alguns livros encalhados na minha estante. O mais curioso foi que no Amazon Prime Reading tinha disponível a mesma edição em e-book, e foi uma leitura que eu preferi fazer no e-book.

Outra curiosidade é que esta edição é riquíssima ao trazer o prefácio do próprio autor à uma nova edição da obra, assim como cartas com seu editor e outro texto de apoio. E quero destacar as palavras de Fitzgerald nesse prefácio:

Acho que este romance é honesto – entendo por isso que ele afasta qualquer virtuosismo destinado a impressionar e, para ir mais longe na fatuidade, que ele sempre conservou em surdina a emoção, para evitar que as lágrimas corram em exagerada abundância sobre o gigantesco rosto de papel, que observa o que se passa além da mente dos personagens. Um livro pode sobreviver, se lido com a consciência limpa – pelo menos pelo sentimento pessoal que se conserva dele. Por outro lado, se o leitor tem uma consciência culpada, só encontrará nele o que quis reter das críticas. Acrescento que, se o leitor é jovem, a maioria das críticas, mesmo as mais injustas, poderá lhe ser útil. (pp. 14-15)

Ao me debruçar nas primeira páginas desse romance percebi o quanto a escrita é simples e fluída. O grande Gatsby não possui um rebuscamento na sua linguagem e rapidamente me envolvi na trama criada pelo autor. Narrado sob a perspectiva de Nick,  e alternância entre presente e passado somos imersos numa narrativa sobre um homem que desperta muito interesse na sociedade da época. Não é por acaso que Gatsby está envolvido em diversas fofocas, afinal ele mora sozinho em sua mansão e promove festas grandiosas todos os finais de semana. Ninguém sabe ao certo de onde vem a fonte de renda deste homem, mas há várias especulações sobre possíveis ações ilegais e até mesmo sobre o passado obscuro de Gatsby.

Vi que muitas pessoas não gostaram da leitura por ela justamente não entregar de fato todos os detalhes sobre Gatsby, mas confesso que foi esse ponto que mais me fez gostar da história. A gente nunca tem um conhecimento total sobre as pessoas, as motivações de suas atitudes, seus pensamentos e seus sentimentos, então construir uma história sobre um personagem com várias lacunas não foi um problema para mim.

O leitor tem acesso pela perspectiva de Nick, vizinho de Gatsby e que rapidamente começa uma relação de amizade sincera com o milionário. Conforme Nick vai conhecendo Gatsby o leitor também vai preenchendo as lacunas e comparando as versões sobre o que se fala sobre esta figura, ilustre e controversa, na cidade.

A admiração que Nick sente por Gatsby se deve num primeiro momento pelo dinheiro, já que o narrador abandonou o sonho de ser escritor para trabalhar no mercado financeiro e assim se tornar rico. Os dois possuem aspectos semelhantes em suas vidas, ambos vieram de origem pobre e lutaram na guerra, então o deslumbramento de Nick é por ter em Gatsby um reflexo daquilo que ele quer ser.

O contexto da história também é muito interessante, a sociedade norte-americana durante a década de 1920 em que o luxo e as extravagâncias mostram o perfil burguês. A maioria das relações são pautadas por interesses e os conceitos morais e éticos sobre o casamento não são prioridade aqui. Por ser passar no pós-Primeira Guerra, achei curioso não trazer os traumas pelos combatentes, visto que este é um aspecto recorrentes nas obras nesse período. Outro ponto que é retratado na trama é a Lei Seca, período entre 1920 e 1933, em que a fabricação, o transporte e o consumo de bebidas alcoólicas eram proibidos nos Estados Unidos. E aí que fica o questionamento: como Gatsby desafiava a lei e conseguia promover suas festas?

Nick ao se relacionar com a prima Daisy e seu esposo Tom, a parte rica da família, começa a perceber as futilidades e infidelidade do casamento, isso porque logo no começo da história Nick conhece a amante que Tom mantém, Myrtle, e esse fato é muito importante para o desfecho da trama. Ainda, é pela perspectiva de Nick que vemos como Tom também é racista e como coloca os negros como seres inferiores, isso num período antes dos Movimentos Civis nos Estados Unidos.

 

Spoilers

  • Com o desenvolvimento da trama a gente entende as motivações de Gatsby para realizar as festas: reencontrar seu grande amor Daisy, na esperança de que ela um dia vá à sua mansão. É com a ajuda de Nick que os dois passam a se encontrar escondidos de Tom.
  • Nick também descobre o passado de Gatsby, sendo contado por ele mesmo: como ele ficou rico e como criou esse personagem Gatsby, já que seu nome real não é esse.
  • Com a narrativa de Nick a gente percebe que algo aconteceu com Gatsby e seu final é bem trágico, e ainda mais melancólico porque ele morreu por tentar encobrir Daisy, que de fato foi quem atropelou e matou Myrtle. Mas, na verdade para se safar, Tom conta ao esposo de Myrtle, seu amigo, que foi Gatsby o responsável e assim o viúvo assassina Gatsby em sua piscina. Aqui também fica a reflexão sobre a solidão, se no começo a mansão de Gatsby que vivia lotada de pessoas desconhecidas, em seu velório não vai ninguém, nem mesmo Daisy que vai embora com seu esposo.

 

Considerações sobre o filme

o-grande-gatsby_t34593_RmwNn8D A adaptação de 2013 deste clássico foi dirigida por Baz Luhrmann e conta nos papéis principais Leonardo DiCaprio e Tobey Maguire.  Então enquanto eu lia, só tinha em mente a imagem de Leonardo DiCaprio como Gatsby (o que não foi um problema). Essa foi uma das adaptações mais fiéis que já vi de um livro e gostei muito principalmente porque o recurso visual do cinema conseguiu expandir a minha imaginação da riqueza de Gatsby e das suas famosas festas. O figurino e a fotografia são de fazerem os olhos brilharem, tornando o filme muito bonito e rico em cores. A trilha sonora, conta Beyoncé, Jay-Z, Sia e Florence and The Machine, entre outros, o que me fez estranhar em alguns momentos, porque trouxe uma modernidade a um período do passado. Gostei muito das atuações, e vários diálogos eram integralmente iguais aos relatados no livro e acho que o filme conseguiu passar melhor o estado desolador de Nick após a morte de Gatsby.

 

E enquanto estava sentado ali meditando sobre o velho e desconhecido mundo, pensei no encantamento de Gatsby quando viu pela primeira vez a luz verde na extremidade do embarcadouro da casa de Daisy. Ele tinha vindo de muito longe até aquele gramado azul, e seu sonho deve ter parecido tão próximo que seria difícil deixar de alcançá-lo. Não sabia que seu sonho ficara para trás, em algum lugar daquela vasta escuridão que se via além da cidade, onde os campos escuros da república se estendiam sob a noite. (p. 233)

 

Após ler O curioso caso de Benjamin Button, esse foi o meu segundo contato com a obra de F. Scott Fitzgerald e estou ansiosa para ler os demais livros desse autor.

 

Até o próximo post!

 

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4 Comentários

  1. Oi, Cah! Deu certo de eu ler esse livro bem na época da adaptação e, apesar de também ter achada fiel, não curti muito o filme. Achei muito exagerado, teatral… Mas isso já faz algum tempo,fiquei curiosa se eu teria outra percepção hoje.

    Beijo,
    Brenda

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oies Brenda! Olha que interessante, eu acho que a sua percepção sobre o filme retrata bem a sociedade da época, pessoas que vivem de performances. Talvez seja isso pq essa foi a impressão que tive primeiramente com a leitura… Mas, tbm fiquei curiosa para saber se a sua percepção seria a mesma hj, rs 😉

      Bjos

      Curtido por 2 pessoas

  2. […] Outro livro que estava esquecido na minha estante por eu ter alguns receios de ler clássicos, mas esse me surpreendeu e eu adorei! Confiram: Resenha | O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald + Considerações sobre o filme. […]

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  3. […] O último filme do mês e último filme do ano de 2019 que eu assisti foi a adaptação de O grande Gatsby, adorei e comento mais sobre no post Resenha | O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald + Considerações sobre o filme. […]

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