Resenha | Pequenos incêndios por toda a parte, de Celeste Ng

Oies Bookaholics!

Eu estava com altas expectativas com a leitura de Pequenos incêndios por toda a parte, da autora norte-americana Celeste Ng, publicado aqui no Brasil pela Editora Intrínseca. Apesar de gostar bastante das temáticas abordadas na história o romance não superou as minhas expectativas e nesta resenha explico melhor os motivos.

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Little fires everywhere – Tradução: Julia Sobral Campos – 2018 – 416 Páginas – 4/5

Um encontro entre duas famílias completamente diferentes vai afetar a vida de todos. Em Shaker Heights tudo é planejado: da localização das escolas à cor usada na pintura das casas. E ninguém se identifica mais com esse espírito organizado do que Elena Richardson. Mia Warren, uma artista solteira e enigmática, chega nessa bolha idílica com a filha adolescente e aluga uma casa que pertence aos Richardson. Em pouco tempo, as duas se tornam mais do que meras inquilinas: todos os quatro filhos da família Richardson se encantam com as novas moradoras de Shaker. Porém, Mia carrega um passado misterioso e um desprezo pelo status quo que ameaça desestruturar uma comunidade tão cuidadosamente ordenada. Eleito nos Estados Unidos um dos melhores livros de 2017 por veículos como Entertainment Weekly, The Guardian e The Washington Post, Pequenos Incêndios Por Toda Parte explora o peso dos segredos, a natureza da arte e o perigo de acreditar que simplesmente seguir as regras vai evitar todos os desastres.

Desde o lançamento deste romance no ano passado aqui no Brasil e o grande hype eu estava super curiosa para ler as obras de Celeste Ng, autora também de Tudo o que nunca contei. Vi diversas resenhas super positivas sobre os dois romances, inclusive comparando-os aos romances de Liane Moriarty, por quem me apaixonei com Pequenas grandes mentiras.

Aproveitei uma promoção do e-book de Pequenos incêndios por toda a parte e realizei a leitura pelo Kindle. A narrativa em terceira pessoa é muito fluída e a leitura é muito envolvente, principalmente no desfecho das diversas histórias que se entrelaçam nessa cidade.

Se eu pudesse resumir o romance acho que seu assunto principal é a maternidade, isso porque o romance trata de retratar o perfil de diversas mães e sua relação com os seus filhos, temos desde a mãe mais tradicional, uma mãe mais liberal, aborto, abandono e adoção. Achei  muito interessante a maneira como a diversidade de diferentes perfis de mulheres é exposto, deixando evidente para o leitor que não é possível julgar as escolhas que estas mães optaram em relação aos seus filhos. Tudo depende de um contexto e diversas implicações financeiras, emocionais, psicológicas, morais, éticas e até legais às suas ações. No final do post trago alguns spoilers sobre esse assunto!

Para o pai ou mãe, um filho não é só uma pessoa: um filho é um lugar, tipo Nárnia, um vasto e eterno local onde o presente que se está vivendo, o passado de que se lembra e o futuro pelo qual se anseia coexistem (…) E toda vez que você deixa seu filho, toda vez que ele sai do seu campo de visão, você tem medo de nunca mais conseguir voltar para aquele lugar.  

Mas apesar da temática principal ser voltada para este aspecto, outras relações também são abordadas por Celeste Ng, que também se dedica a retratar a perspectiva dos jovens no ensino médio e todas as suas aflições e “dramas existenciais”. As relações familiares aqui perpassam esses sentimentos também e pelas ligações de ciclos de famílias tão diferentes os filhos passam a se sentir mais conectados com outras mães do que com a deles próprios.

Acho que nesse sentido a autora acertou em mostrar que não existe um modelo certo ou padrão a ser seguido, cada família tem os seus princípios e valores, e seus diferentes estilos e modos de experiência não são perfeitos e revelam tantos os erros e os acertos de ser quem e como são.

Porém, algumas passagens se tornaram um tanto repetitivas ao longo do desenvolvimento do romance a acabaram me incomodando um pouco. A principal repetição foi na ideia de ordem e perfeição da cidade Shaker Heights, até que entendo a intenção de mostrar que o interior da escondia segredos que contrastavam com a superfície almejada, mas achei que foi um pouco demais.

“A maioria das comunidades simplesmente surge; as melhores são planejadas”: a filosofia implícita era que tudo podia e devia ser programado, e com isso evitava-se o impróprio, o desagradável e o desastroso. 

Nessa ideia de repetição também considero a a percepção que a família tinha sobre Izzy, considerada a ovelha negra da família rica Richardson.

Os mistérios e as reviravoltas que aparecem ao longo da narrativa foram essenciais para me deixar curiosa a ponto de finalizar a leitura e entender o passado e o desfecho dos personagens. Entretanto, apesar de gostar da narrativa e achá-la envolvente em diversos momentos, eu esperava um pouco mais da escrita da autora. Com isso não quero dizer que a escrita é ruim, mas sabe quando você inicia uma leitura e nas primeiras páginas você sente algo diferente e um tanto arrebatador que te prende à narrativa? Eu não senti isso nesse romance, também não sei se a tradução acabou influenciando nesse aspecto, mas ainda tenho curiosidade de ler outros livros da autora.

Se você já leu Pequenos incêndios por toda a parte me diga nos comentários se gostou, vou adorar saber! 😉

 

Spoilers

Alguns acontecimentos acabam por despertar discussões que acho ser muito importantes, principalmente em relação à mulher e gostaria de saber a opinião de vocês sobre:

  • no caso da mãe chinesa que abandonou sua bebê pelas péssimas condições financeiras e depois quis recuperar a filha, vocês concordaram com a decisão do juiz de manter a guarda da criança com os pais adotivos, financeiramente estruturados, mas sem contato algum com as raízes culturais da bebê?
  • outro assunto bem polêmico diz respeito à Mia servir de barriga de aluguel para um casal que não tinha condições de gerar filhos. Mesmo fazendo isso motivada pelo dinheiro que serviria para pagar a faculdade a mãe se sente muito apegada à criança e foge do casal rompendo o contrato. Quem vocês acham que tem o direito de ficar com a criança?
  • em relação à gravidez não planejada durante a adolescência Lexie decide fazer um aborto, visto que um bebê nessa fase atrapalharia seus planos de ir cursar a faculdade, além do desgosto que daria à sua família, especialmente sua mãe perfeita. Lexie tem uma vida financeiramente confortável, mas não recebeu apoio nenhum do namorado negro. O que acharam da decisão da garota?

 

 

Até o próximo post!

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4 Comentários

  1. Oi, Cah! Eu li esse livro há algum tempo e já não me lembrava mais dos detalhes então gostei especialmente da parte com os spoilers no seu post. Hahaha Lembro-me de gostar bastante do livro, mas não chega nem aos pés de Liane Moriarty! Esse ano, eu li Tudo o que nunca contei e gostei, mas também achei que algumas coisas foram repetitivas. (Me incomodei também com um recurso da autora de fazer muitas comparações no texto.)

    Esses tópicos que você listou são ótimos. Eu já não saberia dizer mais como me senti lendo, mas é engraçado como o livro consegue fazer com que tomemos o lado “fora da lei” né?

    Beijo,
    Brenda

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Brenda! Nossa sim, eu tbm acho que nem tem muita comparação com a Liane Moriarty, além da temática das relações familiares, eu pensava que Tudo o que nunca contei fosse mais promissor, mas parece que não hahaha Acredita que eu não ia colocar os spoilers, mas aí pensei melhor e pensei: por que não? Nossa sim, eu torcia muito pela Mia continuar fugindo e pela mãe que no final sequestrou a própria filha! Fico muito feliz que vc tenha gostado da resenha! ❤
      Bjos

      Curtido por 1 pessoa

  2. […] Vários dramas familiares que valem muito para discussão, comento melhor no post: Resenha | Pequenos incêndios por toda a parte, de Celeste Ng. […]

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  3. […] quero falar da adaptação do livro Pequenos incêndios por toda a parte, da autora Celeste Ng. Sim, o livro foi adaptado para uma minissérie de 8 episódios, produzida […]

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