XV Fórum de Editoração | Da primeira à quarta capa

Oies Bookaholics!

Nesse post falarei sobre um dos meus eventos favoritos do ano: o Fórum de Editoração, evento este produzido pelos alunos do curso de Editoração da Escola de Comunicação e Artes da USP. A 15ª edição ocorreu no sábado do dia 23 de novembro, no MIS – Museu de Imagem e Som, na cidade de São Paulo.

Nesse ano além da companhia da minha amiga Amanda (vamos juntas desde a edição de 2015), também encontrei com a Brenda (Sobre Livros e Traduções) e finalmente conheci a Tati (Blog das Tatianices)

Claro que vou sempre comparar um evento com os demais que participei e conversando com as meninas ao longo do dia tivemos algumas opiniões bem semelhantes, como a duração das mesas (cerca de 1h15min) durarem pouco e alguns intervalos serem mais longos sem tanta necessidade. Foi a primeira vez que o fórum foi realizado no MIS e é uma região meio afastada de tudo, principalmente locais mais em conta para almoçar, apesar da localização ser bem acessível para ônibus.

Vou trazer algumas anotações que fiz para cada mesa e espero contribuir um pouco para aqueles que gostam de temas voltados ao mercado editorial 😉

 

Mesa I – O autor como leitor: A leitura que antecede a escrita

Explora o processo da escrita criativa, as influências e referências dos autores que os levam a realizar suas próprias produções. O que está por trás do primeiro passo da cadeia produtiva do livro? Para tal, convidamos autores que têm um contato com o meio de produção editorial e abordam o aspecto da criação literária.

A primeira mesa foi mediada pela autora Veronica Stigger e contou com a presenças das autoras Jarid Arraes e Noemi Jaffe e do autor Marcelino Freire. Dos convidados eu só conhecia o trabalho da Jarid e do Marcelino, mas adorei entender os métodos que os autores utilizam em suas produções escritas. Jarid por exemplo diz que seu processo de escrita na prosa e poesia se faz pelo insight, já no gênero cordel exige uma técnica (matemática e música) e segundo ela, para desenvolvê-lo é necessário possuir familiaridade e intimidade com esse gênero, ter influência musical. A autora diz que a escrita para ela retrata uma experiência social e que sirva para um coletivo, e cita Toni Morrison para falar de representatividade ao dizer da necessidade de escrever um livro que ainda não existe. Marcelino Freire diz que seu processo de escrita é longo e usa a metáfora de uma casa cheia de goteiras com baldes sendo utilizados até o momento irremediável de consertar o telhado. Ele diz que não tem uma ideia pronta até começar a escrever e que cada um tem um método único e individual de escrita e segundo o autor o escrever é ritmo, é linguagem. Já Noemi se assume como alguém caótico e sem organização, mas que costuma anotar tudo tudo para ser utilizado como fonte depois. Ela ainda diz que cada livro seu possui um processo diferente de escrita e por isso não possui um método geral. Os três convidados possuem oficinas de escrita criativa e responderam se de fato é possível ensinar a escrever. Marcelino diz que em suas oficinas ele forma mais leitores que escritores e com isso diz da importante necessidade de ser leitor antes de ser escritor. Diz também que em suas oficinas costuma fazer provocações em relação aos autores que indica para serem lidos, assim como no processo de seus alunos como na escolha de palavras, que para ele essa escolha deve ser feita como uma roupa que você possa vestir e sair na rua. Noemi Jaffe, organizadora do Escrevedeira, local que oferece diversos cursos de escrita, levanta a questão para quem quer e/ou escritor: qual o lugar que te cabe na escrita e no mundo? Já Arid Arraes oferece oficinas de cordel e como é um gênero mais técnico diz que todos que participam saem produzindo cordel. A autora também oferece mentoria para autoras independentes mulheres como forma de movimento político encorajando-as à escrita. A autora também é curadora do Selo Ferina que se destina à publicação de mulheres na editora Pólen Livros.

 

Mesa II – O ser editor: as facetas do ofício

Expõe qual seria o passo subsequente à produção do autor, quando entra em ação o papel do editor. Quais são os procedimentos, as dificuldades e as perspectivas futuras para o ofício. Uma conversa para discutir a função dessa figura tão essencial na cadeia produtiva do livro como ele é, de fato, exercê-la.

A segunda mesa do fórum foi mediada pelo Plinio Martins e contou com a participação dos editores Jiro Takahashi, Cristina Yamazaki e Nathália Dimambro. Nathália que é formada em editoração pela ECA-USP e atualmente é editora na Companhia das Letras disse que a função do editor é tornar melhor o texto do autor e após o livro ser finalizado fazer com que ele possa chegar e encontrar leitores, por isso o editor também é um criador de conteúdos que não se limita apenas ao objeto livro. Cristina afirmou que ser editor não é só fazer um livro, é ter a oportunidade de trabalhar com gêneros que se ama e isso faz toda a diferença no processo. Ela ainda acrescenta que não é apenas teoria e prática, mas paixão de se fazer o livro que se gosta, como vê muito bem refletido nas editoras independentes. Plinio ressalta a importância da profissionalização da área já que este é um mercado movido pela paixão, e diante da crise das livrarias no cenário atual ele mencionou que o negócio dos livros sempre foi e sempre será de risco. Já Jiro diz que o editor é só uma ponte e está sujeito ao imperativo do aqui e agora e com isso os arrependimentos são futuros. Ele ainda pontuou dizendo que o trabalho do editor é um espelho e martelo da sociedade, ou seja, os livros se tornam história.

 

Mesa III – O ramos das editoras: aspectos comerciais e inovações

Discute aspectos que circundam o meio editorial, mas o afetam diretamente. Como está a situação atual do mercado produtivo e comercial, quais são as mudanças, inovações e o panorama geral desse segmento. O que devemos esperar para os próximos anos e o que está no momento. 

A terceira mesa foi mediada pela Bárbara Prince e trouxe como convidadas Diana Passy, Luciana Fracchetta e Ana Maia, assim como Paulo Verano. Ana Maia (Estante Virtual) apontou o livro como um produto que precisa ter resultado e coloca o livro como um bem de consumo que precisa atender às diversidades do Brasil e por isso diz que é fundamental pensar em estratégias comerciais e na formação de novos leitores. Luciana coloca a editora como produtora de conteúdo e tem como desafio criar uma relação de confiança com o leitor em momentos de crise. Aponta que pouco se sabe sobre o perfil dos leitores. Diana aponta que houve uma necessidade de mudança a partir do crescimento das redes sociais e com elas foi possível entender o perfil dos leitores. Criadora da Flipop ela ressalta a importância de se estar em contato direto com os leitores e a ideia do evento foi a Editora Seguinte pensando em ajudar o mercado editorial no segmento de literatura jovem com a união entre outras editoras, ainda mais porque o gênero Young Adult dá abertura para trabalhar com temáticas relevantes num determinado período. Para Paulo Verano vê na sua editora Edições Barbatanas os desafios das editoras independentes frente à crise do mercado e o caminho de inserção no nicho de publicações para crianças. E como um dos principais pontos girou em torno das crises da livrarias, Luciana ainda acrescentou que para não depender de um único meio é necessário pensar em diferentes pontos de vendas diferentes das livrarias, ou seja, sair do óbvio e apontou como meios as bancas de jornais, feiras, e-commerce da própria editora e os financiamentos coletivos.

 

Mesa IV – Histórias em quadrinhos: a construção editorial

Aborda o que seria a etapa final do processo final de produção do livro, neste caso o gênero escolhido foi a história em quadrinhos. Como se dão as escolhas editoriais, a preparação dos originais e a edição. Qual a situação desse mercado atualmente e quais foram as principais mudanças ao longo do tempo. 

A última mesa foi mediada pelo Leandro Luigi e teve como convidados a Janaína de Luna, Cassius Medauar e Guilherme Kroll. Confesso que nessa mesa eu quase não fiz anotações, mas gostei muito do jeito irreverente dos convidados, principalmente da Janaína, rs. Vou deixar o perfil de suas editoras em quadrinhos para que vocês possam conhecê-las: Editora Mino e Balão Editorial.

 

 

Adoro esse evento e já estou ansiosa para o Fórum de Editoração de 2020!

 

Até o próximo post!

Redes sociais *Skoob/ *Goodreads/ *Instagram/ *Facebook/ * Filmow

4 Comentários

  1. Arrasou, Cah! Um relato excelente sobre as discussões que assistimos. Foi ótimo poder participar de mais um Fórum e reencontrá-la!

    Beijo,
    Brenda
    http://sobrelivrosetraducoes.com.br/

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Brenda! Ahh sua linda obrigadaa, foi ótimo te reencontrar tbm! Bjos ❤

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  2. Adorei poder relembrar desse dia lendo o seu post. Foi um prazer ir a um evento tão bacana e estar com pessoas tão legais!!

    Curtido por 1 pessoa

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