Diário da Faculdade | TBR: Os 8 livros que preciso ler no 10º semestre

Oies Bookaholics!

Nesse post vou compartilhar com vocês algumas das leituras obrigatórias desse último semestre da graduação em Letras. Ressalto que só algumas, já que estou me referindo apenas aos livros que preciso ler na íntegra, deixando de fora alguns textos teóricos e até mesmo contos.

Nesse semestre estou cursando 4 disciplinas, sendo que uma delas é da Licenciatura e outra é uma disciplina mais prática no curso de Editoração da ECA-USP ❤ , que não tem nenhum livro na íntegra também. Eu pensei que conseguiria ter um semestre mais leve, só que não, rs…

 

Literatura e Diferença

DESONRA_1291001838BDesonra (J.M. Coetzee)

Aos 52 anos, divorciado duas vezes, o professor David Lurie é um homem solitário, conformado, erudito e irônico. Não se incomoda com o desinteresse dos alunos por suas aulas de poesia. Cogita escrever uma ópera sobre Lord Byron, mas sempre adia o projeto. Acredita ter “resolvido muito bem o problema de sexo”: nas tardes de quinta-feira, visita uma prostituta com idade para ser sua filha, paga o devido e tem direito ao oásis de uma hora e meia num cotidiano de aridez existencial. Sua vida, racionalizada de maneira burocrática, soçobra quando a prostituta o dispensa e, mesmo sabendo que é um erro, Lurie tem um caso com uma de suas jovens alunas. Acusado de abuso, e desprezando os códigos politicamente corretos do ambiente universitário, Lurie cai em desgraça. Torna-se um réprobo e se refugia na fazenda da sua filha, a única pessoa com a qual tem um vínculo afetivo. Toma então contato com a realidade da África do Sul pós-apartheid, país onde é “um risco possuir coisas: um carro, um par de sapatos, um maço de cigarros”. É uma realidade brutal, feita de vingança, banditismo, submissão. Brutalidade contra a qual a cultura ocidental é inútil: “Ele fala italiano, fala francês, mas italiano e francês de nada lhe valem na África negra”, diz o narrador quando três negros tentam queimar Lurie vivo. J.M. Coetzee constrói em Desonra personagens de carne e osso e, por meio deles, tece relações entre classes, entre homens e mulheres, entre pais e filhos, negros e brancos, entre seres humanos e animais, entre uma longa história de exploração e um presente de ressentimento explosivo. Escrito com fluidez exemplar, o romance enfrenta problemas intratáveis da atualidade de um país subdesenvolvido. Situado na terra de ninguém onde se misturam civilização e barbárie – região bem conhecida pelo leitor brasileiro – Desonra é uma resposta artística profunda à ferocidade avassaladora da realidade.

 

DEIXE_O_GRANDE_MUNDO_GIRAR_1279557680BDeixe o grande mundo girar (Colum McCann)

7 de agosto de 1974, um equilibrista anda sobre um cabo estendido entre as Torres Gêmeas; Corrigan, um padre irlandês, procura Deus em um gupo de prostitutas do Bronx; em um apartamento luxuoso da Park Avenue, mães de soldados mortos no Vietnã se reúnem para partilhar sua dor; dentro de uma prisão nova-iorquina, a prostituta Tillie chora por ter fracassado em proteger a filha e os netos. As vozes desses e de outros personagens se misturam neste livro para recriar a efervescência de uma época, a Nova York dos anos 1970.

 

Tópicos do Romance

1984_1388816485B1984 (George Orwell)

Ao lado de A Revolução dos Bichos, o livro 1984 é um dos mais famosos de George Orwell. A obra já ganhou versões de filmes, minisséries, quadrinhos, traduções para 65 países, e uma polêmica fama, que não é à toa! Em seu último romance o autor criou um personagem chamado Winston, que vive aprisionado em uma sociedade completamente dominada pelo Estado. Essa submissão ao poder, é relatada, inclusive, na rotina desse personagem, que trabalha com a falsificação de registros históricos a fim de satisfazer os interesses presentes. Winston, contudo, não aceita bem essa realidade, que se disfarça de democracia, e vive questionando a opressão que o partido e o Grande Irmão exercem sob a sociedade. A inspiração do livro vem dos regimes totalitários dos anos 30 e 40 e, é assim, sob a ótica da ficção, que o autor faz com que seus leitores reflitam sobre o sistema de controle, que depois de tanto tempo ainda é muito questionado.

 

OS_DESPOSSUIDOS_1493572059673000SK1493572059B

Os despossuídos (Ursula K. Le Guin)

Ganhador do prêmio Nebula de melhor romance em 1974, além do Hugo e do Locus em 1975, Os Despossuídos lida com temas fundamentais a sua época, como o capitalismo, o comunismo russo e o anarquismo, além dos conceitos de individual e coletivo. O romance se passa em dois planetas-gêmeos, Uras e Anarres, com sistemas políticos opostos e prestes a entrar em conflito, numa alusão à Guerra Fria.

 

 

O_CONTO_DA_AIA_14955647998256SK1495564800B O conto da Aia (Margaret Arwood)

Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.

 

Introdução aos Estudos da Educação – Enfoque Filosófico

DEMOCRACIA_E_EDUCACAO_141678342845391SK1416783428B Democracia e Educação (John Dewey)

Filósofo, pensador da educação e ativista social, John Dewey não apenas vislumbrou concepções inovadoras para o campo da educação: ele também investigou na sociedade as razões que impedem a realização dos ideais educacionais. Este volume traz seis capítulos selecionados de “Democracia e Educação – Uma introdução à filosofia da educação”, obra que marcou a cena filosófica e educacional do século XX, antecipando idéias de outros autores e consolidando as formulações do que se convencionou chamar de Escola Nova, Escola Ativa ou Escola Progressiva. Nela, o fazer pedagógico centra-se nas ações práticas, propiciando vivências significativas para os alunos. 

experiencia e educação Experiência e Educação (John Dewey)

Esta obra oferece a educadores e professores uma filosofia da educação positiva. Avalia as práticas tanto das escolas tradicionais como das progressivas e expõe os defeitos de cada uma delas. Dr. Dewey, ao considerar as questões educacionais atuais, interpreta o significado de uma filosofia da experiência e as implicações educacionais do método científico. Uma situação de ensino é descrita e concretamente ilustrada. Os significados de liberdade, atividades, disciplina, controle e organização de matérias curriculares são aqui expostos a partir do contexto da experiência educativa como um processo que implica tanto continuidade como interação.

 

DEBAIXO_DAS_RODAS_1233327660BDebaixo das rodas (Hermann Hesse)

A atmosfera de sua cidade natal, bem como os outros lugares por onde passou a infância são os cenários desse conto que Hermann Hesse escreveu com apenas 25 anos de idade, e que se tornou um de seus mais conhecidos e discutidos. E não apenas por causa do cenário, mas sim pelo enredo, a obra traz feições completamente autobiográficas nos dois personagens principais. Trata-se de história da vida curta de um garoto extraordinariamente inteligente que foi interiormente destruído através das pressões do sistema de educação. O talentoso aluno Hans Giebenrath é orfão de mãe e a vontade de seu pai era que ele, ao terminar a escola primária, prestasse um exame para estudar teologia na famoso convento de Maulbronn. Os estudos preparatórios para o tal exame toma-lhe todo o tempo livre chegando ao ponto de tirar-lhe qualquer opção de lazer, sacrificando-lhe até mesmo as férias. O delicado garoto começa lentamente a sofrer, física e psicologicamente as consequências disso.

Se já leram alguns dos livros mencionados me digam nos comentários o que acharam, vou adorar saber! 😉

 

Até o próximo post!

Redes sociais *Skoob/ *Goodreads/ *Instagram/ *Facebook/ * Filmow

 

 

 

 

 

15 Comentários

  1. Estou doida pra saber o que você vai achar de Desonra e Conto da Aia!

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    1. Hahaha só sofrimento até o momento! 😦

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  2. Só li 1984 (faz muito tempo! preciso reler rs) e O Conto da Aia, que já compartilhei minhas impressões no blog. Eu ainda acho que a série é pior que o livro, porque ela foi repensada para a atualidade (não que o livro não seja atemporal também). Achei bem curiosas as sinopses de Desonra, que eu acho que vc começou a ler, né? e Deixe o Grande Mundo Girar. Aguardo as resenhas hahaha

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    1. Oies Isa! Nossa, eu estou aflita para reler 1984, e vou até procurar sua resenha 😉 e ainda mais tensas para ler os demais livros que trazem temáticas tão pesadas, O conto da aia é tenso por si só, mas vc diz pior por conta da temática ou pq achou ruim a escrita/história? Mulher, eu comecei a ler Desonra no kindle pq estava no ônibus e era mais prático, mas eu não consigo parar de ler e olha que acontece cada coisa que eu fiquei despedaçada =/ E Deixe o mundo girar é uma incógnita ainda e vai demorar para eu ler pq se eu não me engano é só para final de outubro e/ou começo de novembro. 😉 Bjos

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      1. Infelizmente, nunca resenhei 1984. Eu o li no ensino médio, e, embora até tivesse blog na época, ele não era dedicado à literatura. Espero poder reler e finalmente resenhá-lo. O Congo da Aia eu achei pior a série em termos de mais tenso, mais pesado, mesmo. Foi muito bem adaptado e atualizado. Boas leituras! 😊

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        1. Ahh sim, entendi, acho que o “apelo” visual deve deixar tudo mais desconfortável mesmo… Boas leituras para nós 😉 Bjos

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  3. Cá, só li “1984” e o “Conto da Aia” e se os outros forem tão bons quanto esses, você estará muito bem servida kkk. Boa sorte 😉

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    1. Oies Dri! 🙂 Gostou das leituras? Acho que sim, mas queria confirmar rs 😉 Eu estou é tensa, não sei se aguento não hahaha Obrigada ❤

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      1. Se eu gostei? Eu amei haha. Respira fundo que você consegue ❤️

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  4. Não li nenhum.

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    1. Mauro é difícil dar conta quando há tantos títulos disponíveis rs 😉

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  5. […] Diário da Faculdade | TBR: Os 8 livros que preciso ler no 10º semestre […]

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  6. Vou confessar que ouvi falar dos livros da Ursula K. Le Guin numa disciplina de Escrita Criativa esse ano! Era sobre literatura de massa, e estávamos abordando ficção científica e distopia… Fiquei curiosa sobre a escrita dela – outra que quero ler é O Conto da Aia. E 1984 tenho parado aqui… Vai entrar pra meta do próximo ano! hahahaha

    Espero que você tenha gostado das leituras, flor!

    Beijo

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    1. Que incrível ter uma disciplina de Escrita Criativa, me conta mais sobre 😉
      Olha, confesso que foi um desafio ler Os despossuídos, foi difícil engrenar na história e a narrativa é muito densa, precisei voltar alguns trechos pq ficava perdida e tinha hora que nem sabia mais se era Urras ou Anarres. 1984 foi uma releitura e eu amei, não deixe passar desse ano, é incrível (depois que vc se acostuma, rs), O conto da aia foi muito bom tbm, acho que nessa disciplina em que eu precisei ler essas distopias o que ajudou muito na compreensão foram as discussões em sala de aula, e a professora conseguiu mediar tudo muito bem.

      Bjos

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