Resenha | O desaparecimento de Stephanie Mailer, de Joël Dicker

Oies Bookaholics!

Hoje quero compartilhar com vocês a minha experiência durante a leitura de O desaparecimento de Stephanie Mailer, do autor suíço Joël Dicker, publicado aqui no Brasil pela Editora Intrínseca. O livro foi primeiro publicado na caixa nº1 do Clube Intrínsecos, ganhando bastante destaque e chamando a minha atenção, como o encontrei o e-book numa promoção da Amazon comprei e infelizmente saí muito decepcionada.

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La Disparition de Stephanie Mailer – Tradução: André Telles – 2018 – 578 Páginas – 3/5

Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só para quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta. A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado. Dias depois, Stephanie desaparece. Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace. O que aconteceu a Stephanie Mailer? E o que aconteceu realmente no Verão de 1994?

O grande problema quando a gente começa a ler um livro que já teve muito hype é que a gente pode se decepcionar e muito, como o que aconteceu comigo, mas antes de eu falar dos motivos que me desagradaram nesse leitura quero abordar os pontos que gostei. Primeiro que a própria sinopse me interessou muito e fiquei muito curiosa para descobrir este mistério, e isso por si só torna a leitura instigante, mas não necessariamente envolvente.

Eu não sou uma leitora ávida de romances policiais, mas nesse caso eu tinha uma pista da revelação final com 30% de leitura, mas certamente porque uma uma frase foi repetida tantas vezes que passei a considerar os assassinatos de 1994 sob uma nova perspectiva, esta que ajudaria a entender o que de fato aconteceu e que se reverberou 20 ano depois. E sim, ao final do quebra-cabeças eu fiquei satisfeita com a complexidade da trama criada por Joël Dicker.

Outro ponto que merece atenção e que eu particularmente gostei muito foram algumas tramas envolvendo outros personagens, envolvendo relações extraconjugais, machismo, depressão, bullying, assassinatos… São personagens secundários tão complexos e que se escondem em seus terríveis segredos e mentiras. Teve momentos em que eu estava mais fissurada nessas tramas secundárias do que na revelação dos assassinatos em si, como se o que se houvesse uma mudança entre o que era pano de fundo e o que era história principal. Como eu gosto muito do processo de escrita e produção de livro gostei muito do trecho em que um crítico falava erroneamente sobre o papel dos críticos:

– Eu jamais, repito, jamais, conheci um crítico que sonhasse escrever. Os críticos estão acima disso. Escrever é uma arte menor. Escrever é juntar palavras que em seguida formam frases. Até um macaco adestrado pode fazer isso. 

– Qual é o papel do crítico, então?

– Instituir o que é a verdade. Permitir que a massa veja o que é bom e o que não presta. Sabe, só uma ínfima parte da população consegue identificar, por si mesma, o que é de fato bom. Infelizmente, como hoje todo mundo quer dar sua opinião em tudo, com autênticas imbecilidades sendo alçadas às nuvens, nós críticos, acabamos sendo obrigados a colocar um pouco de ordem no circo. Somos a polícia da verdade intelectual. É isso. 

Esse trecho me chamou muito a atenção pela maneira egocêntrica e arrogante com que os críticos têm não só do escritor, mas também do público, considerando-os incapazes de atribuir valor crítico ao que se lê. Isso também parece ser algo muito semelhante com o comportamento de alguns críticos literários com o surgimento e disseminação de canais no YouTube voltados à literatura, como se eles fossem algo menor e desprovidos de conhecimento necessário para contar suas experiências com uma leitura. Enfim… E para garantir que essa postura não pode ser levando em conta, o trecho a seguir mostra qual o seu procedimento utilizado por esse crítico para avaliar uma obra:

Para arejar a mente, decidiu escrever sua próxima crítica para a revista. Como era de costume, pegou a última lista dos livros mais vendidos em Nova York, percorreu-a com o dedo até o que figurava em primeiro lugar e escreveu um texto fatal sobre aquele romance deplorável que ele nem tinha lido. 

Mas o que me incomodou muito na leitura foi que a estrutura me pareceu muito cansativa, isso porque até 60% do livro eu não estava fissurada na história a fundo? E estamos falando de um livro com quase 600 páginas! O desaparecimento de Stephanie Mailer me fez perceber que eu não sou muito fã de romances policiais, por ter que ficar acompanhando cenas repetitivas do tipo: fomos à delegacia, voltamos da delegacia, seguimos tal pista, etc… Para mim o que funciona melhor são os suspenses psicológicos, como Garota Exemplar, de Gillian Flynn, A garota no trem e os livros do Harlan Coben, como Não fale com estranhos.

Por mais que a narrativa alterne entre o passado de 1994 e o presente (2014) e vários pontos de vista eu senti inconsistência em alguns momentos, principalmente porque o crime do passado soou estranho para diferentes pessoas, inclusive da polícia, e ninguém fez absolutamente nada para questionar o caso, e pior, ter um personagem desse tipo que mesmo depois de 20 anos ainda tinha guardado uma prova, nada mais do que fragmentos de um carro num acidente, e aí reapareceu do nada sendo usada no presente.

O desaparecimento de Stephanie Mailer tinha muitos aspectos para se tornar uma história eletrizante, mas apesar dos pontos positivos outros deixaram a desejar. Pensei que seria uma leitura que me envolveria muito, mas que acabou sendo um “embuste” no final das contas.

Se já leram esse livro me digam nos comentários o que acharam, vou adorar saber! 😉

 

Até o próximo post!

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7 Comentários

  1. Nossa, Cah, eu acabei ontem A verdade sobre o caso Harry Quebert e este seu post poderia ser exatamente a resenha dele também. Eu não sei porque ainda tem autor que acha que pro livro ser considerado bom ele tem que ser um calhamaço. A história sobre Harry Quebert poderia ter sido escrita com um terço das páginas. É MUITO repetitivo e enrolado, e as coisas só degringolam nas últimas 60 páginas. As tramas secundárias, que você mencionou, são totalmente desnecessárias, a meu ver. Tem hora que ele comenta sobre algo em um diálogo no presente – o que já seria suficiente pro leitor entender o que aconteceu – e depois escreve todo um trecho voltando no tempo pra narrar a cena de novo. Repetitivo demais. Como eu resolvi seguir até o fim pra saber como terminava a história, deliberadamente pulei vários trechos que, sem brincadeira, não fizeram falta nenhuma pra entender o livro.

    Uma pena né… Eu já li O livro dos Baltimore do autor e gostei. Talvez ele tenha melhorado ao longo das obras deles.

    Beijo,
    Brenda
    https://sobrelivrosetraducoes.com.br/

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Brenda! Nossa, eu acompanhei sua luta e super te entendo, infelizmente eu saí muito decepcionada pq as expectativas eram altas… Eu tbm acabei comprando o e-book de O livro dos Baltimore numa promoção, mas nem sei quando teria coragem de me arriscar nessa leitura. Pena que vc tbm se decepcionou 😦 Que tenhamos leituras melhores hahaha 😉
      Bjos

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  2. Que pena saber que vc não gostou. Eu tenho o livro da caixa mesmo, mas até hoje nunca li hahaha… só que, diferente de vc, eu sempre sou muito tapada pra resolver suspenses. Ainda bem que na vida real não é bem assim. Mas, só pra garantir, quando eu finalmente for ler, vou sem muitas expectativas.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Hahahaha não sou tão esperta para thrillers não, esse foi uma exceção pq estava se repetindo demais, rs… Torço que sua experiência seja melhor do que a minha, quem sabe vc goste 😉

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  3. Nossa Cá, bom saber. Esse livro tá na minha lista, gosto bastante do autor, assim eu penso melhor antes de comprar kkk

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    1. Ai mulher, eu não sei, rs. Uma amiga estava lendo outro livro do autor no mesmo período que eu e a experiência dela foi muito pior hahaha. Tomara que a sua experiência seja melhor do que a nossa 😉

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  4. […] Confiram: Resenha | O desaparecimento de Stephanie Mailer, de Joël Dicker […]

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