Resenha | O diário de Anne Frank

Oies Bookaholics!

Nesse post venho trazer a última leitura finalizada durante a Maratona Literária de Inverno, e posso finalmente dizer que li o grande clássico aclamado da literatura mundial: O diário de Anne Frank.

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Tradução: Alves Calado – 2017 – 418 Páginas – 5/5 ❤

O depoimento da pequena Anne Frank, morta pelos naistas após passar anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, ainda hoje emociona milhões de leitores. Seu diário narra os sentimentos, os medos e as pequenas alegrias de uma menina judia que, como sua família, lutou em vão para sobreviver ao Holocausto.
Lançado em 1947, O Diário de Anne Frank se tornou um dos livros mais lidos do mundo. O relato tocante e impressionante das atrocidades e dos horrores cometidos contra os judeus faz deste livro um precioso documento e uma das obras mais importantes do século XX.

Dizer que estava ansiosa e um pouco intimidada com esta leitura era pouco, afinal, o relato de Anne Frank é considerado com um dos mais estimados e aclamados documentos durante o horror que foi a Segunda Guerra Mundial. Ainda mais porque esse diário traz a perspectiva dos judeus, aqueles que foram mais “caçados”, torturados e exterminados durante esse período. Não quero enfatizar o ponto da veracidade e autenticidade de uma obra que não foi pulicada, organizada e editada pelo próprio autor e sim trazer as minhas impressões durante e após a leitura.

Como sempre gosto de destacar em se tratando de livros clássicos, a escrita desse diário é extremamente acessível, visto que foi escrito por uma garota entre seus 13 e 15 anos, ou seja, nessa tradução não há uma linguagem rebuscada ou de difícil compreensão, o que deixa a leitura extremamente fluída. O fato de termos também a perspectiva de uma adolescente nos coloca em contato também com um texto que não gira somente em torno dos acontecimentos terríveis, mas também do processo de crescimento e amadurecimento de uma mulher, envolvendo inclusive questões sobre o próprio corpo, sexualidade e sentimentos amorosos. Seu posicionamento faz com que Anne Frank seja considerada feminista e até chegam a considerá-la bissexual, e acho que por apenas uma obra e nas condições de escrita em que estava submetida fica difícil categorizá-la integralmente nesses termos.

E acho que esse ponto foi o que mais gostei nesta obra, o fato da escrita e do texto que temos acesso não tentar deixar uma imagem positiva da autora. Pelas entradas no diário percebe-se que Anne Frank era uma garota de personalidade forte, digamos assim, que não mede suas palavras e suas opiniões, inclusive sobre a própria mãe e a relação difícil que elas têm, principalmente com o confinamento no Anexo Secreto. Mas não só isso, Anne por diversas vezes se coloca não somente na posição de vítima dentro do esconderijo, como também reconhece o quanto é mimada pelos pais. Ao mesmo tempo, ela também reconhece que as suas condições de isolamento é muito mais favorável dos demais judeus que foram condenados aos trabalhos forçados e à execução.

Fiquei não só intrigada, mas comovida com a situação e as experiências vividas no Anexo Secreto, não há floreamentos para falar da dinâmica e logística adotadas pelas 8 pessoas que se escondiam ali. Isso envolve não só a relação pessoal entre eles, marcada por diversas brigas por pequenas coisas, segundo Anne Frank, como até mesmo as questões fisiológicas e como tiveram que adaptar às condições que estavam expostos, incluindo a higiene pessoal, e a necessidade do racionamento de comida, visto que dependiam de outras pessoas de confiança para se manterem escondidos, num tempo em que os alimentos eram cada vez mais controlados e escassos.

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Dia 25 de Julho – Dia Nacional do Escritor "Quando escrevo, consigo afastar todas as preocupações. Minha tristeza desaparece, meu ânimo renasce! Mas – é esta é uma grande questão – será que conseguirei escrever alguma coisa importante, será que me tornarei jornalista ou escritora? Espero, ah, espero muito, porque escrever me permite registrar tudo, todos os meus pensamentos, meus ideais e minhas fantasias." (Anne Frank) . . . . . . . . #mlisegredos #Book #Books #Bookaholic #ABookaholicGirl #bookshelf #Instabook #instareading #lendo #bookish #instalibros #ilovereading #libros #instalivros #bookstagram #instaread #LoveBooks #AmoLivros #AmoLer #VamosLer #LeituraAtual #leiamulheres #annefrank #odiariodeannefrank #holocausto #dianacionacionaldoescritor #grupoeditorialrecord

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Nessa edição belíssima do Grupo Editorial Record, que tenta reproduzir na capa o mesmo formato do diário que Anne Frank utilizava, há diversas fotos e imagens do local para que as descrições do diário sejam mais claras e compreensíveis. Mas, também utilizei a casa da Anne Frank online em que é possível fazer uma visita utilizando a internet para compreender melhor como era o Anexo Secreto, as informações estão em inglês. E é impressionante como essas pessoas conseguiram se manter escondidas por um pouco mais de 2 anos.

É evidente que o diário também aborda o contexto sócio-histórico da Holanda e fica evidente que mesmo que Anne Frank estivesse no início da adolescência ela tinha uma percepção muito clara do totalitarismo de Hitler e sua influência não só na Alemanha, mas em toda a Europa, principalmente as condições dos judeus. Anne relata de forma gradual o controle e a perseguição de seu povo, e como mencionei anteriormente, seu sentimento de culpa ao ver como os seus semelhantes vinham sendo tratados. As pessoas que estavam escondida no Anexo Secreto tinham acesso a essas informações pelas pessoas que as ajudavam, assim como tinham acesso ao rádio e conseguiam acompanhar as notícias sobre a guerra. Mas Anne Frank tinha conhecimento e uma posição crítica sobre os trabalhos forçados, a forma com que os judeus eram enviados aos campos de concentração e o extermínio nas câmaras de gás. E por isso, seus relatos mostram de forma sincera o pavor que sentiam com os constantes bombardeios da guerra sob suas cabeças, e também a tensão em serem descobertos e pegos pela Gestapo, a polícia secreta do Estado Nazista.

Aliás, essa leitura não exige conhecimentos muito aprofundados sobre os acontecimentos da Segunda Guerra, mas acho importante ter em mente alguns nomes conhecidos e entender um pouco a relação dos países e a influência deles na guerra, principalmente os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os Aliados (França, Inglaterra, Estados Unidos e URSS), mesmo porque são citados acontecimentos das ações desses países e nomes importantes que sem um pouco de contexto fica difícil compreender quais países eram a favor e quais eram contra. O que também não impede o aprofundamento dessas questões e na própria vida da Anne Frank a partir de outros materiais de consulta, como este livro reportagem que ganhei num evento uma vez:

A_HISTORIA_DA_FAMILIA_DE_ANNE__1469467209599385SK1469467209B.jpgA história da família de Anne Frank, de Mirjam Pressler

Um importante – e necessário – registro histórico, riquíssimo em detalhes e ilustrações, que resgata e honra a memória da jovem Anne Frank e de seus familiares.
Consagrado como uma das principais obras do século XX, O diário de Anne Frank até hoje emociona leitores no mundo inteiro. Quase um século depois, no sótão da casa de Buddy Elias, primo de Anne Frank, em Basileia, foi encontrado um maço com mais de mil cartas, documentos e fotos – que dão ainda maior significado para a história da família e, ao mesmo tempo, colocam em evidência os relatos da própria Anne. Narrada pela esposa de Buddy, Gerti Elias, e pela renomada Mirjam Pressler, “A História da Família de Anne Frank” tece um retrato envolvente e cativante de uma das mais famosas famílias judaicas vitimadas pelas atrocidades da Segunda Guerra Mundial. Sentimentos e convicções multiplicam-se desde a primeira página, com a descrição das férias na casa dos Frank em Sils Maria, Alpes Suíços, no verão de 1935, onde a família, cujos membros viviam espalhados pelo continente europeu, reunia-se anualmente.

 

O sentimento de terror é algo constante e que permeia toda a leitura e mesmo que saibamos o fim trágico, é impossível não ser empático e não torcer pela sobrevivência desses judeus vítimas de uma perseguição tão sem sentido. E diante de tantas passagens marcantes nesse diário, a que para mim traz mais peso é a passagem que destaco a seguir, porque cabe perfeitamente ao momento presente, marcado por tanto ódio e aversão:

Não acredito que a guerra seja apenas obra de políticos e capitalistas. Ah, não, o homem comum é igualmente culpado; caso contrário, os povos e as nações teriam se rebelado há muito tempo! Há uma necessidade destrutiva nas pessoas, a necessidade de demonstrar fúria, de assassinar e matar. E até que toda a humanidade, sem exceção, passe por metamorfose, as guerras continuarão a ser declaradas, e tudo o que foi cuidadosamente construído, cultivado e criado será cortado e destruído, só para começar outra vez! (p. 341)

 

Até o próximo post!

 

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10 Comentários

  1. Que linda resenha Camila.
    Realmente um livro que marca, não apenas pelo relato in-loco do sentimento de medo diante da possibilidade de uma captura que certamente traria a morte, mas também por trazer à mente do leitor que mesmo diante de tantas adversidades, uma jovem sem muita experiência de vida, ao se ver tolida de sua liberdade, encontrou na escrita uma aliada para suas angústias.
    Anne cresceu à medida que escreveu e suas palavras devem sempre nos lembrar do que o Homem é capaz.
    Abraço.

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    1. Oies Gabriel! Obrigada querido 🙂 Aprendi muito com essa leitura, principalmente empatia. E super concordo com as sua colocações, graças a essas palavras podemos compreender tempos tão sombrios, como um marco para que essas barbáries não se repitam. Abraços!

      Curtido por 1 pessoa

  2. Nossa, Cah, que resenha perfeita! Já vai fazer 4 anos que eu li o Diário de Anne Frank, mas tanta coisa dele me permanece tão nítido, e a sua resenha só fez reacender algumas memórias minhas sobre essa leitura.
    Essa visita online ao anexo é realmente fantástica… ajuda a compreender muito melhor a situação que Anne, sua família e amigos tiveram de suportar.
    Creio que seja uma leitura que, em algum momento da vida, todas as pessoas deveriam fazer, e, se possível, fazer a visita online ao Anexo.
    Bjos

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Isa! Poxa, fico tocada querida! ❤ Desde que comecei a ler ouvia as pessoas elogiarem muito esse livro, mas sempre posterguei, mas chegou o momento e pude ter a minha experiência, acho até que se eu tivesse lido antes, talvez não teria tido o mesmo impacto que me causou. E tem também aquela coisa que vc mencionou numa resenha (acho que Drácula, rs) que tem livros que tem um momento certo para ser lido. Seria meu sonho fazer um visita real na casa de Anne Frank, mesmo que meu emocional ficasse muito abalado. ❤
      Bjos

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  3. Que linda sua resenha! ❤️

    Curtido por 1 pessoa

    1. Obrigada Dri! ❤ ❤

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  4. É uma leitura que mexe demais com nossos sentimentos. Saber que este livro é um relato verídico de uma menina que foi obrigada a passar por tanto medo e sofrimento, é muito triste. Parabéns pela resenha, ótima análise! ♥

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    1. Oies Gio! Disse tudo mulher, ter acesso a este diário e ver que as palavras de Anne Frank têm sido disseminadas mundo à fora serve como um alerta para que não repetimos esse tipo de barbárie. Fico muito feliz que você tenha gostado! ❤ Bjos

      Curtido por 1 pessoa

  5. […] Terceira e última leitura concluída na maratona e no mês: Resenha | O diário de Anne Frank. […]

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