Resenha | Além-mundos, de Scott Westerfeld

Oies Bookaholics!

Além-mundos do autor norte-americano Scott Westerfeld foi a segunda leitura concluída na Maratona Literária de Inverno, aqui no Brasil o livro foi publicado pela editora Galera Record. Tenho esse livro desde 2016 quando ganhei (na verdade o troquei com outra garota) no evento do Mochilão da Record, mas só me forcei a ler nesse mês.

ALEMMUNDOS_1461040448579115SK1461040448B

Afterworlds – Tradução: Giu Alonso – 2016 – 546 Páginas – 4/5

Scott Westerfeld, autor da série Feios, retorna em mais uma aventura de tirar o fôlego.
Darcy Patel escreveu seu primeiro livro em um mês. Não muito tempo depois, se mudou para Nova York, para realizar o sonho de viver de escrever. Lizzie se prepara para mais uma viagem de avião, até terroristas invadirem o aeroporto e começarem a atirar em todos. Desesperada, Lizzie se joga no chão. Eu estou morta, eu estou morta… No fim, está tão convencida de pertencer ao lugar dos mortos que acaba atravessando a fronteira do além-mundo. Darcy criou Lizzie. A menina de Além-mundos é sua protagonista. Enquanto Lizzie se vê cada vez mais envolvida nos assuntos dos mortos e do submundo, Darcy luta para se manter no paraíso do YA, na Big Apple, e quanto mais Darcy aprende e amadurece, mais a história de Lizzie também cresce. Ou seria o contrário? Sempre atravessando as barreiras entremundos, as duas irão se redescobrir, se reescrever e explorar os infinitos mundos dentro de si mesmas.

Scott Westerfeld é muito conhecido no gênero Young Adult com a sua série distópica Feios, que foi publicada aqui no Brasil em 2013. Mesmo sempre tendo ouvido falar muito bem das obras desse autor eu nunca tive aquela vontade de procurar seus livros, mesmo porque todos (ou quase todos) fazem parte de alguma série e faz tempo que eu tenho preguiça de começar séries novas.

Enfim, ganhei o livro e estava super empolgada, até que vi envolvia elementos de fantasia, e olhar para aquelas quase 600 páginas não me empolgava muito. Bom, dito isso, preciso confessar que livros de fantasia ou que envolvem qualquer elemento mágico não me atrai, eu posso até ler, mas fico com o pé atrás. Depois de tanto enrolar e como queria desencalhar alguns livro estagnados na estante, vi que estava na hora, mesmo com algumas resenhas em que destacavam os bastidores do mercado editorial muito presentes no livro.

O meu primeiro impacto com a escrita do autor foi muito positiva, isso porque eu conseguia ler de uma só vez 40, 50 páginas da obra e pelo tamanho do calhamaço eu até acho que li rápido, levando em conta que eu fui trabalhar e fiquei doente de gripe e com uma enxaqueca insuportável que só me dava vontade de dormir. A questão da escrita é algo que me marcou muito, visto que o autor alterna duas histórias em paralelo: a história da Darcy e a história que a Darcy escreveu sobre Lizzie, e até em um determinado momento o autor ainda escreve o início de um capítulo de uma outra história, o livro de Imogen, outra personagem muito presente.

Acrescenta-se ainda a questão da escrita a criação de 2 universos com personagens diferentes, realidades diferentes e conflitos diferentes, além da alternância das narrativas, enquanto a história de Darcy é narrada em 3ª pessoa, a de Lizzie está em primeira, e esta última composta por uma complexidade de elementos fantásticos,  digo complexidade vindo da noção de quem não lê muitos livros do gênero e não tem muito campo para comparação, que isso fique bem claro.

Mas o que de fato me encantou foi a história da Darcy! A garota de 18 anos escreveu seu romance sobrenatural com cerca de 60.000 palavras durante o mês novembro, por mais que a tradução não indicasse, acredito que tenha sido durante o National Novel Writing Month (NaNoWriMo), já vi alguns autores, inclusive os nacionais participarem desse desafio com o intuito de se dedicarem mais à prática da escrita e colocar na massa alguns projetos e ideias engavetados. Darcy escreve o Além-mundos nesse período e movida por muita coragem envia o arquivo a uma agência literária, a fim de obter contato com uma editora para que seu livro seja publicado.

Considerando um golpe de sorte, Darcy vê sua vida mudar quando assina contrato com uma editora que além de publicar seu livro, já tem o contrato para o próximo livro, e com isso um adiantamento de 350.000 dólares. Tirando essa soma exorbitante, esse é o modus operandi das publicações no mercado literário norte-americano, o que para mim, uma apaixonada pelo mercado editorial num todo, se esbaldou e foi devorando as páginas para conhecer mais. Tanto as cenas em que Darcy e sua irmã fazem as contas e orçamentos do quanto Darcy poderia investir na sua nova vida a partir do valor que de fato receberia, já que seriam descontados os impostos e 15% para a agência literária.

Darcy decide que agora que tinha um contrato assinado ela precisaria se mudar para a cidade de Nova York onde se concentrava o mercado editorial dos Estados Unidos. Com um prazo para revisar e reescrever Além-mundos com as observações colocadas pela sua editora e escrever um novo livro, sua casa não seria mais o ambiente propício para a sua carreira de escritora que estava se iniciando, ela precisaria de contatos e networking, e para isso a necessidade de estar perto deste universo.

Nesse contexto de mercado editorial, dois momentos me chamaram a atenção, o primeiro é quando Darcy, Imogen e um outro autor conhecido saem em turnê e falam da importância desse tipo de ação com escolas e livreiros pré-publicação para que se consolide um público quando o livro for lançado, mas ainda nessa passagem há uma discussão dos três autores numa escola de ensino médio quando uma aluna pergunta qual é a parte essencial de uma narrativa. Eles argumentam sobre tema, personagens e conflitos e eu achei maravilhoso!

Um segundo momento é quando Darcy participa do Book Expo America, um evento que ocorre na cidade de Nova York uma feira mais voltada aos profissionais do mercado em que são apresentados os novos títulos, um pouco diferente de uma Bienal do Livro que acontece aqui no Brasil, por exemplo. Nessa feira cópias antecipadas dos livros são disponíveis gratuitamente e os autores autografam. Na cena, Darcy se diz arrependida de ter levado apenas uma sacola porque não foi suficiente para a quantidade de livros que já tinha ganhado, seria meu sonho?!! Hahaha

Só que essa nova jornada colocaria em suspensão outro plano que aparentemente mais seria mais sólido, o ingresso na faculdade, e um novo começo totalmente desafiador (e assustador) sem a supervisão dos pais, a responsabilidade por um novo lar e as obrigações de gente adulta. Esses pontos também foram muito positivos durante a minha experiência, ver o amadurecimento de uma personagem que resolve arriscar tudo para seguir seu sonho. E com isso, somos muito expostos às inseguranças e imaturidades de protagonista que escolheu ser lançada em um novo universo.

Sobre a história que Darcy escreve achei curioso que o autor foi intercalando os capítulos, mas não curtia tanto essas passagens pelos motivos que eu mencionei anteriormente. Mas foi importante lê-los já que durante a narrativa de Darcy se debruçando sobre o seu manuscrito ela comentava detalhes e até mesmo com outros autores sobre apropriação cultural, desenvolvimento de trama, escolha de palavras e descrições e construção de personagens, por exemplo. Alguns detalhes que para mim não faziam muito sentido ou que a minha mente não conseguir materializar ficavam mais claros com as discussões sobre Além-mundos. Mas alguns momentos foram muito interessantes como o ataque terrorista no capítulo inicial e um outro acontecimento envolvendo o passado da mãe de Lizzie.

Aproveitando: os nomes das personagens não têm nenhuma referência direta com Jane Austen. Darcy explica que sua mãe é fã da autora clássica e por isso seu nome serviu como uma espécie de homenagem, e a inspiração para a sua protagonista Lizzie foi  totalmente aleatório, mas talvez para o autor Scott Westerfeld não, rs.

Outros pontos que também são muito importantes no livro é um relacionamento lésbico, que foi uma boa surpresa mesmo sendo escrito por um homem branco hétero, assim como a cultura indiana de Darcy e sua família. Mas acima de tudo, Além-mundos é um guia que pode ajudar tanto os escritores e aqueles que almejam essa profissão, entender seus desafios e alguns mecanismos da rotina de escrita e reescrita de um livro, assim como o mercado editorial, ponto este que tentei ao máximo apontar nessa resenha sem dar muito spoilers.

O mundo sempre tem mais detalhes do que é possível se lembrar, mais do que é possível ver, e mil vezes mais do que é possível escrever. Estamos sempre apagando e esquecendo muito mais do que conseguimos expressar em palavras. (p. 385) 

Além-mundos é o primeiro livro de uma série, mas tanto aqui no Brasil como lá fora nos Estados Unidos, só tem apenas esse título publicado até o momento.

 

Até o próximo post!

 

Redes sociais *Skoob/ *Goodreads/ *Instagram/ *Facebook/ * Filmow

 

2 Comentários

  1. […] Segunda leitura concluída na maratona: Resenha | Além-mundos, de Scott Westerfeld […]

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: