Resenha | Daytripper, de Fábio Moon & Gabriel Bá

Oies Bookaholics! 

Hoje é dia de graphic novel, ou HQ, ou se você preferir quadrinhos! Daytripper é uma renomada história de autoria dos irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, referências mundias nesse segmento, publicado aqui no Brasil pela Panini Books.

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Panini Books – 2011 – 258 Páginas – 5/5 ❤

Quais são os dias mais importantes da sua vida? Conheça Brás de Oliva Domingos. Milagroso filho de um mundialmente famoso escritor brasileiro, Brás passa os dias escrevendo obituários e as noites sonhando em se tornar um autor de sucesso – ele escreve o fim da história de outras pessoas enquanto a sua própria mal começou. Mas, no dia que sua vida começar, ele será capaz de perceber? Ela começará aos 21, quando ele conhece a garota dos seus sonhos? Ou aos 11, quando dá seu primeiro beijo? É mais adiante na vida quando seu primeiro filho nasce? Ou antes, quando pode ter encontrado sua voz como escritor? Cada dia na vida de Brás é como a página de um livro. Cada um deles revela as pessoas e coisas que o fizeram ser quem é: sua mãe e seu pai, seu filho e seu melhor amigo, seu primeiro amor e o amor de sua vida. E, como em todas as grandes histórias, seus dias tem uma reviravolta que ele nunca antecipou… Em Daytripper, os ganhadores dos Prêmios Eisner e Jabuti Fábio Moon e Gabriel Bá contam uma história mágica, misteriosa e tocante sobre a vida – uma jornada lírica que usa os momentos silenciosos para fazer as grandes perguntas.
“…Ganhador do prêmio Eisner (o Oscar das HQs) “Daytripper” consagra dupla brasileira Gabriel Bá e Fábio Moon. Obra mais vendida em março/2011, segundo ranking de gibis do “New York Times”…”

Antes de falar propriamente sobre a minha experiência com essa leitura vale a pena considerar algumas coisas do contexto que envolve essa HQ. A primeira coisa é que eu sou suspeita a falar, mas sou apaixonada pelo trabalho desses autores. Desde que tive meu primeiro contato no XII Fórum de Editoração da ECA-USP e com a influência da minha amiga Amanda eu estava ansiosa para ler Daytripper, porém, a edição estava indisponível para venda, sendo possível comprar pelo Mercado Livre ou em uma das edições da Comic Con, ambos com preço exorbitante para o meu bolso.

O problema é que até os próprios autores chegaram a postar nas redes sociais (post excluído, porque provavelmente deve ter rolado processo) um desabafo sobre a não reimpressão de sua obra mais renomada, atentando principalmente para a questão do contrato que eles tinham com a Panini Books. Nessa época eles já estavam com contrato assinado com a Companhia das Letras, já publicado a adaptação de Dois irmãos (Milton Hatoum) e no processo de publicação da adaptação de Como falar com garotas em festas (Neil Gaiman). Eu cheguei a comprar pelo site da Saraiva, mas eles cancelaram a compra por não ter a edição disponível no estoque, mas finalmente a Panini Books voltou a publicar e no passado consegui adquirir pela Amazon (e na promoção).

 

Enfim…

Daytripper foi a minha primeira experiência com uma história original nesse formato. Por mais que eu já tivesse lido Dois Irmãos e considerado uma obra incrível, era a adaptação de uma história que eu já tinha lido o romance e visto a série de tv. O próprio ritmo de leitura foi um desafio para mim, já que não estou acostumada a ler HQs, mas a minha expectativa era alta de tanto que já tinha somente elogios positivos sobre, desde resenhas no booktuber, amigos e eventos (Literaturas – Encontros com autores da nova literatura brasileira: Fábio Moon & Gabriel Bá).

Eu passei o último sábado lendo (e contemplando) a(s) história(s) de Brás. No começo senti dificuldade por achar os balõezinhos e as letras muito pequenas (miopa e estigmatismo, sorry), mas com o passar do tempo eu fui me acostumando. Como no livro convencional só tem texto eu tive que me adaptar a ler esse novo formato, pode parecer óbvio, mas tem muitas diferenças. Eu dava uma olhada rápida na página em um todo, passava para a parte escrita e depois olhava cada detalhe dos desenhos e dos traços, das cores utilizadas.

De tanto ouvir eu já esperava que seria uma leitura que provocaria reflexões, por trazer como temática principal a relação entre vida e morte, e realmente esse ponto não decepcionou. Mesmo depois de terminar fiquei pensando em o quanto a nossa vida pode chegar ao fim num único e inesperado instante, por estar no local errado e na hora errada, coisas que não temos controle, nossa existência é efêmera. As questões da própria existência também são colocadas em questionamento, nossos sonhos, estudos, trabalhos, relacionamentos, família, amizade e além de trazer reflexão também provocam e chamam a atenção para o que temos feito com as nossas vidas.

Não seguindo uma narrativa temporal linear e com alguns toques de fantasia e talvez realismo mágico, Daytripper envolve a cada página, a cada capítulo.

Brás de Oliva Domingos é um escritor de obituários, e os autores já disseram que esse personagem é uma homenagem ao Brás Cubas de Machado de Assis. Brás é um personagem aspirante a escritor e que não está satisfeito com a sua vida e seu trabalho, principalmente por ser filho de um autor renomado e ter uma relação difícil com o pai. Apesar de ser muito elogiado pelos obituários que escreve para o jornal, Brás sente que sua vida não tem sentido e como sua vida empacou, já que seu objetivo era escrever sobre vida e não sobre morte. Conforme conhecemos sob diversas temporalidades a vida de Brás mas somos imersos nesse universo que poderia ser a nossa própria vida, seja quando criança, adulto, desesperançoso/frustrado, aventureiro ou apaixonado.

Tenho propriedade zero para falar sobre os traços ou aspectos mais específicos sobre quadrinhos (e acho tudo tão incrível porque eu não consigo desenhar nada, rs), mas o que me chamou a atenção foi como elementos culturais e históricos brasileiros compusera a narrativa e trouxeram os acontecimentos da vida de Brás como algo muito próximo da nossa realidade. Seja pelas descrições de São Paulo, com direito ao trânsito e ao Theatro Municipal (local este que fez parte da minha rotina durante dois anos, por trabalhar ao lado), a referência à USP, o Corinthians, a infância em chácaras com a família, a cidade de Salvador e os costumes religiosos, como a festa de Iemanjá… Além do triste acidente com a queda do avião da Tam em 2007, tragédia que marcou a história do país.

 

Pude comprovar, Daytripper realmente era tudo o que eu sempre ouvi: uma reflexão sobre a experiência da vida e da morte, e segundo Fábio Moon no posfácio:

Com o pé calcado na realidade, o mais difícil não seria criar algo que PARECESSE real. Não, o difícil foi criar um mundo que você se SENTISSE ser real. Cada referência, cada foto, cada cor e cada personagem, tudo foi construído de forma a reproduzir sentimentos. A sensação de que você está vivo, alegre, solitário, amedrontado ou apaixonado. Queríamos aquela sensação de que a vida está acontecendo aqui, bem à nossa frente, e a estamos vivendo. E como vivemos. E às vezes morremos para provar que vivemos. 

 

Finalizando este post e procurando maiores informações sobre Daytripper me deparo com a informação de que essa hq tão premiada pode ser resultado de plágio! No post E se Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá, for um caso de plágio?, publicado em 2014 no site Melhores do Mundo, traz toda a história, as semelhanças e as polêmicas que envolve esse caso. Muito do que foi levantado faz sentido, confesso que fiquei em choque, não sei  que pensar sobre o assunto, já que não tem como provar, de fato com provas, tudo o que os envolvidos disseram e fizeram. Fica aí o questionamento, a dúvida e um pouco de decepção sobre tudo.

 

Até o próximo post.

 

Redes sociais *Skoob/ *Goodreads/ *Instagram/ *Facebook/ * Filmow

5 Comentários

  1. Estava precisando de indicações de HQs maravilhosas assim! 😍 obrigada!

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    1. Ahh imagina! Depois que ler, vou querer saber a sua opinião 😉 ❤

      Curtido por 1 pessoa

  2. Adorei! Acredita que não conhecia? Acompanhei seus stories com alguns quadrinhos e estava curiosa para saber mais

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies! Ahh que mara, foi uma experiência maravilhosa! Espero que leia tbm 😉

      Curtido por 1 pessoa

  3. […] Uma graphic novel maravilhosa, mas que perdeu um pouco do brilho quando descobri a possível suspeita de plágio: Resenha | Daytripper, de Fábio Moon & Gabriel Bá […]

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