Diário da Faculdade | O perfil ou estereótipo do aluno de Letras da FFLCH/USP

Oies Bookaholics!

Faz um tempo que fico refletindo sobre esse assunto e resolvi compartilhar com vocês alguns questionamentos que tenho. Estou no 5º (e último ano, amém) do curso de Bacharel em Letras na USP, especificamente na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

Para quem é de fora já tem uma noção, muitas vezes equivocada, do perfil de aluno USP: mauricinhos e patricinhas ricos que sempre estudaram na rede privada, inteligentes, brancos, vagabundos, maconheiros etc… Se for da FFLCH então são aqueles que não que não querem estudar e sim fazer bagunça e atrapalhar o desenvolvimento da universidade fazendo greves, inclusive já vi alunos de outras unidades da própria USP falarem isso.

Em 2015 quando iniciei o curso passei a ouvir muito a respeito e confesso que nunca foi algo que incomodou muito, exceto nas últimas eleições. O meu ingresso na USP significou ser lançada em um universo que eu mal conhecia, e digo isso em vários sentidos. Começando pelo fato da minha escolha pelo curso de Letras ser algo que eu considerava fazer mais como hobby do que uma profissão para promover meu sustento, já que ser professora nunca foi a opção nº 1 e nunca gostei muito de estudar gramática, eu estava ali pela minha paixão pelos livros e o desejo de ser editora.

Com as aulas e convívio com outros colegas comecei a perceber que estava “para trás” em diversos assuntos, e com certeza por influência da minha formação base em escolas públicas e ser moradora de zona periférica, com basicamente zero contato com atividades e movimentos culturais.

Apesar de amar o hábito da leitura, mal conhecia os grandes clássicos mundiais e ficava perdida com as referências durante as aulas, ou até mesmo perdida em conversas com meus colegas. Por muito tempo fiquei com a impressão de que as pessoas tinham que obrigatoriamente ler esses livros, arrotar e dominar os estilos dos grandes autores como Dostoiévski, Tolstói, Jane Austen ou qualquer um de origem francesa… E por ser da FFLCH inclui-se na lista obrigatória os pensadores das áreas sociais como Karl Marx, Simone de Beauvoir, Platão.

Os livros mais comerciais ou best-sellers pareciam ser algo completamente abominável de forma muito enfática pelos professores e raramente eu via alguém carregar algum exemplar de Nicholas Sparks, John Green ou Sidney Sheldon pelos corredores, mesmo que muitos tenham começado sua vida de leitores com Harry Potter (mas calma, esses sempre foram muito “aceitos” pela grande maioria dos estudantes).

Mas o estereótipo não fica somente nos livros. Filmes de diretores como Woody Allen, Lars von Trier e as músicas, no melhor estilo MPB, com Chico Buarque, Elis Regina. Eu não tinha conhecimento nenhum sobre isso,  e até hoje nunca parei para ouvir Caetano Veloso ou Maria Bethânia, Belchior. Um colega, quando me conheceu, até chegou a dizer que eu não tinha o perfil de Letras: eu não me vestia igual, eu não curtia as mesmas músicas, filmes e livros, eu não ia às festas (só virei a noite em uma até o presente momento, rs).

Okay, e qual o problema nisso? A hipocrisia! Até hoje lembro de um professor que disse durante uma aula algo do tipo: “Olha, aqui a gente pode até tentar fingir que só lê o cânone, mas na verdade a gente gosta mesmo é de séries, super-heróis e muita coisa comercial que é rejeitada pela academia”, ou seja tudo o que é considerado cultura menor.

Além disso, parece que estamos o tempo todo numa disputa para saber quem mais leu os livros clássicos ou um vasto onhecimento de análise literária sobre. É ridículo! Fora o menosprezo do próprio hábito da leitura e o preconceito literário, como futuros professores o que adianta enfiar o cânone goela abaixo dos alunos do ensino fundamental e médio? Esse tipo de postura só afasta cada vez mais as crianças e jovens da leitura, exemplo disso é a nossa própria formação em que raros são os casos de pessoas que amaram ter lido determinado livro na escola e seguiram a vida como leitires ávidos e críticos de tudo o que se lê, isso ainda sem mencionar a dificuldade de interpretação de texto e erros grotescos de ortografia (aproveito para compartilhar o post da Babi sobre As vantagens da leitura).

Voltando ao ambiente da Letras, pode até parecer besteira mas a gente começa a se sentir deslocado e parece não encaixar, não se enturmar. E não só isso, eu já questionei a minha escolha pelo curso de Letras inúmeras vezes, principalmente nos momentos em que mais tive dificuldade, me questionando se todo o esforço valia a pena e até mesmo o que eu estava fazendo naquele lugar de egos em potência máxima.

Ao mesmo tempo em que me via pressionada a obter conhecimento em diversas questões eu também passei a me interessar por temas que antes eu rejeitava. Nunca teria um posicionamento mais crítico sobre política, história, feminismo e raça como eu tenho hoje. Eu gosto de parar, refletir e estudar a ditadura militar, eu gosto de ler sobre a temática lgbtq+, sobre mulheres negras e as influências africanas. Aprendi a dar prioridade para aquilo que de fato me interessava e que tinha relevância para mim e não simplesmente para me enquadrar nessa bolha um tanto claustrofóbica.

Claro que seria hipocrisia minha não falar que muitas vezes meu pensamento já vai condicionado ao estilo FFLCH-USP e causar alguns atritos com quem “é de fora” que geralmente tem um pensamento mais conservador sobre as coisas.

Outro ponto que acho que faz muita diferença é a idade. Enquanto a maioria dos ingressantes vem direto do ensino médio, com seus 18, 19 anos, eu entrei com 25 já cursado outro curso superior, experiência profissional em diferentes lugares e ter frequentando uma igreja evangélica por 13 anos. Então, para mim era mais difícil me “sujeitar” aos costumes e me transformar em uma pessoa totalmente diferente (ou como dizem porra louca), apesar de ter mudado bastante nesses quase 5 anos.

Acredito que muito do que somos e nossas escolhas vem das influências e experiências do que vivemos. Para mim entender isso e não me importar tanto com as padronizações e estereótipos que tentam me rotular parece ser uma luta constante diante das diversas influências externas (e/ou modinhas) que recebemos constantemente, independente do lugar que estamos.

Hoje valorizo muito as minhas transformações, mas também tento manter quem realmente sou e que outras mudanças realmente quero e são indispensáveis para o meu desenvolvimento não só como Beletrista ou futura professora, mas como ser humano.

 

Até o próximo post.

 

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21 Comentários

  1. Gio - Atraídos Pela Leitura · · Responder

    Menina, parece que você está relatando muito do que senti no curso de Letras. E olha que estudei em uma estadual de uma cidade no interior da Bahia, imagine na USP!! Parece que os professores tem o mesmo discurso pronto sobre a Literatura clássica. Eu não lia muito e quando lia algum livro geralmente eram clássicos (mas eu sempre gostei!). Mas na faculdade colocam isso como uma obrigação e em meio a tanta leitura obrigatória vc fica sem muitas opções. Só quando terminei a faculdade que comecei a comprar e ler outros tipos de livros e experimentar novas experiências literárias. E isso é libertador!♥

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    1. Oies Gio! Ahh que mara saber que vc tbm é Beletrista ❤ E nossa, apesar dos inúmeros texto obrigatórios eu sempre tento encaixar algo meu, sabe? Se eu não fizer isso eu surto pq parece que toda a vez que eu pego um livro clássico já vem aquele sentimento de inferioridade com coisas do tipo: "nossa, isso é cânone… alta literatura, vai ser difícil… olha a densidade …". Enfim, espero que as coisas mudem! 😉 Bjos

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  2. É verdade Camila, existe mesmo um modus vivendi em alguns cursos e Universidades. Penso nisso como um fator de segregação para com aqueles que ‘não se encaixam’.
    Fico feliz por você ter conseguido passar por cima de tudo isso.
    Abraço.

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    1. Oie Gabriel!

      Nossa, adorei sua colocação sobre segregação, é exatamente isso, muitas vezes mostrar quão culto/intelectual e superior…
      Estou na luta ainda, rs Obrigada pelo apoio!

      Cah

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  3. Adorei seu post. Não cursei letras, mas só li verdades. O importante é você estar satisfeita com você mesma, e permitir-se mudar sempre, se for isso que desejar também. Eu comecei minha vida de leitora já na vida adulta, então não sei muito de clássicos, mas como meu gosto literário tem se expandido cada vez mais, hoje estou curiosa querendo aprender mais sobre eles, mas sem deixar de ler as coisas que gosto e não fazem parte do “cânone”. Parabéns pelo post.

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    1. Oies Isa! Sempre bom te ver por aqui! 🙂
      Infelizmente parece que a discussão e o preconceito literário vão durar muito 😦 E é exatamente isso o que vc disse, nós como leitores temos curiosidade e vamos buscando gêneros, temas e autores diferentes e se não tiver, também não tem problema, o importante é ler!

      Fico feliz que vc tenha gostado do post!

      Bjos

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  4. Quando eu entrei na USP, eu morria de medo do início do curso, por conta da visão estereotipada da sociedade. Mas, não sei se por muita sorte, conheci pessoas incríveis no curso. Inclusive, foi uma amiga da USP que me apresentou à Babi Dewet e Ray Tavares. A verdade é que ali existe de um tudo e a gente precisa aprender a filtrar mesmo, a encontrar pessoas com quem conseguimos conversar de maneira saudável.
    https://blogdastatianices.wordpress.com

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    1. Oies Tati! Nossa, exatamente, é preciso filtrar mesmo, deixar que a onda de deslumbramento (no meu caso) não seja um problema, e isso em qualquer lugar, né? Obrigada pelo comentário e pela colaboração com a sua experiência 😉

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      1. Sempre! Mas tenho certeza que você sabe filtrar muito bem! Eu quem agradeço por todas as experiências que você compartilha aqui!

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        1. Maravilhosa vc! ❤

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  5. Olá Camila!
    Como sabes sou portuguesa e não estou familiarizada com o ambiente académico do Brasil, mas fiquei impactada com tanto preconceito. Aqui em Portugal também há um certo estigma com as pessoas que são da área das Letras. Toda a gente pensa que essas pessoas são as intelectuais, betinhas…
    É muito triste saber que só valorizam os clássicos. Eu acho que o mais importante é ter o hábito de leitura e apreciação crítica daquilo se lê. Depois disso, acho inportante que a pessoa se desafie. Por exemplo, eu agora estou a começar a ler mais clássicos simplesmente porque acho que irei crescer como leitora e até como pessoa. É claro que inicialmente persisto um bocadinho a leitura, pois os começos são sempre dificeis e sei que no fim tudo compensa. Contudo, se não estiver a gostar nada desisto e passo para outra. Não sei porque é que as pessoas colocam rótulos em tudo e pensam que podem fazer distinção sobre o que é bom ou mau. Eu acho que essa distinção entre o bom e o mau não existe em nenhuma área. Há simplesmente aquilo que gostamos, o que não gostamos, o que é prestigiado e o que não é. Nem sei como é possível as pessoas serem tão homogêneas nos seus gostos. Eu por exemplo, a nivel musical gosto de tudo um pouco. Tanto gosto muito de rock como nirvana e ac dc como também dou concertos com as músicas da Britney Spears. Aposto que muita gente é assim em segredo e que se calhar devoram a cultura mais comercial que tanto criticam.
    Fico muito feliz por saber que há exceções que não têm medo de assumir quem são sem nunca descartar novas aprendizagens. Que inspiração, Camila!
    Adorei o post, obrigada pela partilha e pela menção.
    Beijinhos grandes e toda a sorte do mundo 😘❤❤😕

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    1. Oies Babi! Ahh que comentário mara! Muito do que vc disse se reflete no que eu penso, a ideia de se desafiar a tentar coisas diferentes para crescer, e não só porque é algo que é muito bem conceituado. E olha, com certeza tem disso, muito mais gente consumindo a cultura popular e arrotando a literatura culta só para o prazer de se mostrar inconveniente e pedante. Obrigada pelo comentário e pela contribuição com suas experiências! Agradeço pelo apoio e incentivo, viu?! ❤ ❤ Bjos

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  6. Como sempre, me dá vontade de aplaudir e sair compartilhando tudo que você escreve sobre suas experiencias no seu curso. Mesmo que eu não esteja estudando aí com você, me identifiquei demais! No período passado, eu me sentia burra, deslocada, perdida, sempre! Todo mundo era mais culto, mais por dentro, e isso causava um sentimento horrível. Hoje, vejo que na maior parte do tempo é meio que “atuação” para se encaixar. (e olha que nem de longe é a pressão que você vive! É chato pra caramba as pessoas que ficam se vangloriando porque só lê/assiste clássicos e tal).
    Obrigada por sempre compartilhar suas experiências com a gente!

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    1. Oies Geo! Maravilhosa, fico muito feliz por ter sua companhia por aqui! Torço muito para vc e vc sabe disso, né? Realmente é muito difícil, não tenho a fórmula pra nada, mas sei lá, talvez falar sobre alguns assuntos aqui me ajuda a desabafar e quem sabe, ajudar quem está passando por situação semelhante. Mas sabe, sobre o que vc disse sobre pressão, infelizmente é em qualquer lugar: a pressão para entrar na faculdade (de preferência uma pública e com cursos que dão dinheiro e não na área de exatas), a pressão para casar, ter filhos, ter sua própria casa, carro, independência financeira e por aí vai… Não é fácil lidar com tudo isso, e essa semana foi bem punk por conta de coisas que ainda nem chegaram e já estão tirando a minha paz, mas fé e muito omeprazol! 😦 Vai com tudo e tamo junto! ❤ ❤

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  7. Guilherme Mendes · · Responder

    Caramba, eu posso dizer que me identifiquei como aluno não de Letras, mas de Direito. Muitas pessoas do curso inclusive se me vissem lendo algo que não era a doutrina, ou algum livro clássico de algum sociólogo ou filósofo ficavam me criticando pela “leitura rasa”. E nesses momentos de dificuldade por sempre achar que eu ainda tinha muito a pesquisar que não fazia parte do meu cotidiano eu também me sentia como se não fosse realmente ali o meu lugar. Mas com o tempo, depois de aprender a aprender eu fui vendo que realmente gostava daquilo apesar das dificuldades.

    Outro ponto também é que eu gosto muito de desenho e pintura e artes em geral. E muitas pessoas vem falar que ain vc não deveria estar nesse curso, e aí no meu quinto período eu descobri que minha professora de processo civil já foi atriz e era toda artista também e fora quantas pessoas no caminho da arte são juristas? Ai depois de conhecer ela eu parei com essas noias kkkk mas é bom ver que não era o único (descobri outros amigos que se sentiam assim e agr vc tbm kkk) que se sentia desse jeito. É quase que algo que as pessoas não falam, que sentem escondidas.

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    1. Oies Guilherme! Nossa, exatamente! Eu acho que fica muito naquela coisa de eu tenho que mostrar que eu sou 100% o perfil do meu curso e tals… Fico feliz que por este post as pessoas tão relatando que já passaram por coisas semelhantes em seus cursos. Vai com tudo curtindo muito as “demais coisas” que vc gosta e que faz parte de quem vc é!

      Cah

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  8. […] Diário da Faculdade | O perfil ou estereótipo do aluno de Letras da FFLCH/USP […]

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  9. Oi Camila! Como sempre, seu blog me ajuda muito em relação a minha jornada pela Letras-USP. Tanto no período pré-vestibular como agora. 🙂

    Este texto resume bem como estou me sentindo em relação ao período de adaptação do curso… Muitas vezes me sinto inferior, não só em relação ao meu repertório cultural (e, eventualmente, a ideia que alguns professores tem de achar que todos na sala estão em pé de igualdade em relação à base educacional) quanto a privilégios de pessoas que estão dentro da Letras. Vejo, em muitos casos, uma aura hierarquizada entre os calouros e os veteranos, ou uma disputa irracional de ego que me faz questionar, muitas vezes, se aquele ambiente é pra mim e se eu mereço estar ali. Confesso que cai numa desilusão que me deixou bem baqueada, mas sigo tentando lembrar, nos momentos mais difíceis, o quanto estudei pra estar ali.

    Muito obrigada pelos seus pensamentos e relatos sobre a faculdade! Tudo de bom sempre!

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    1. Ahhh que linda! Fico feliz por ajudar, xará 😉
      Olha sei muito bem o que vc está sentindo e se serve de consolação (ou não) até hoje me sinto assim, e olha que estou no último ano.

      Com o tempo vc consegue lidar melhor com essa situação, encontrar alternativas e meio de não se sentir tão mal (ou de querer matar um). Não sei se vc viu, mas foi um dos motivos de eu ter mudado do noturno para o matutino no ano passado, para pelos menos mudar os ares.

      E sim, tenha sempre em mente: só vc sabe o quanto se dedicou para estar onde está hj. Não deixe que este sentimento diminuam a sua conquista! Torço muito para que as coisas melhorem! 😉

      Bjos

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  10. Vou confessar que algumas partes do seu texto bateram em alguns lugares aqui que deu até medo! Esse preconceito existe um pouco, também, no pessoal de Escrita Criativa (a graduação que curso), sabe? Mas é estranho, porque muitos têm preconceitos com os clássicos no meu caso!

    Meus colegas (alguns dos mais jovens, pelo menos) torcem o nariz pra muito texto clássico sem nunca ter tentado ler – é quase sempre culpa do trauma deixado pelas leituras do ensino médio. Já os mais velhos, na sua segunda graduação, não conseguem lidar com a literatura mais de “massa”, aí fica uma zona minúscula onde poucos colegas conhecem e leem vários tipos de obras… E se supõe que deveríamos ser ecléticos (ou pelo menos tentar).

    Enfim, os professores pelo menos conhecem de tudo e têm bem menos preconceito do que a maioria dos estudantes. (É claro que sempre tem aquele 1 professor mais elitista, mas dá pra lidar). E foi quase o mesmo problema de quando cursei Letras (antes de fazer essa troca): ou todo mundo supõe que devemos saber do que é tratado em aula, ou supõe que não sabemos de nada e somos ignorantes quanto ao assunto.

    Mas pelo menos me encontrei num lugar onde todo mundo tem mente aberta pra outros aspectos da vida, ironicamente. E acredito ter aprendido a lidar com essa bagunça nesses últimos 3 anos, então agora é menos massacrante ser eu mesma. 🙂

    Obrigada por compartilhar suas experiências!

    Beijo, flor!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Ahh, muito bom conhecer a sua experiência e até fiquei pensando em escrever um outro post sobre as leituras obrigatórias, um dos pontos polêmicos é que tem muita gente que não lê. Claro que é impossível dar conta de tudo o que os professores passam, eu mesma tive muitas vezes que escolher as leituras para fazer prova/trabalho deixando as outras de lado. Digo isso pq vc mencionou que o pessoal não lê clássicos e está num curso de Escrita Criativa? Não faz o menor sentido, não só pelos clássicos, mas como vc bem colocou para repertório mesmo. Eu sigo alguns podcasts literários e frequento eventos e mesmo não tendo a pretensão de me tornar escritora acompanho as reclamações de agentes e editores dizendo que tem escritor que não lê, e aí escreve algo e acha que é ideia inovadora, mas não tem base nenhuma e a ideia dele já foi abordada muito antes, haha. Isso é só um exemplo. Mas no meu caso no curso de Letras basicamente 97% dos professores que já tive aula são completamente elitistas e o curso fica somente no cânone desprezando muito da literatura contemporânea, e olha que nem estou falando de livros best-sellers…

      Enfim, ainda bem que vc encontrou um meio termo e tem conseguido lidar melhor com essas questões. Vai com tudo! 😉

      Bjos

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