Resenha | Vipassana, de Mara Romaro

Oies Bookaholics!

Em parceria com a autora Mara Romaro recebi o livro Vipassana: Desenhada a lápis sanguine e carvão e vou tentar expressar as minhas impressões sobre 😉

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Chiado Books – 2018 – 206 Páginas 

Nunca eu poderia esboçar o que aconteceu. Vislumbres que se derramaram feito tinta em minha visão e escorreram em meu íntimo, em nuances e grandes impactos na minha vida e alma.
O que você faria se recordasse fatos sensíveis que não viveu, com alguém com quem se deparou na vida?
Vipassana é uma história de fatos e ilusões, sob o ponto de vista dos desenhos, que simbolizam a arte na minha vida e na escrita, a contar da experiência de uma relação que foi permeada insights de uma vida não vivida, suas essências e tangências à vida da outra, trazendo questões psicoafetivas de elo e relação filha e mãe.

Quando recebi a proposta da autora fiquei receosa, Vipassana trazia a possibilidade de me tirar da minha zona de conforto, por ser um livro do gênero que não estou acostumada a ler com frequência. Mas por que não? A obra de Mara Romaro parece não ser enquadrar em um determinado gênero ou tipo específico de narrativa: é um texto que mescla os traços do diário, somado à poesia e a narrativa de autoficção, e tudo permeado por traços melancólicos.

Vipassana, termo sânscrito, em tradição budista significa insight na natureza da realidade e existência, significa também “as coisas como elas são”, e há a meditação que significa caminho que conduz ao incondicionado. Vipassana conta história desses vislumbres, suas consequências, âmbitos através dos desenhos que simbolizam artisticamente o elo afetivo em cartas e desenhos em um diálogo interno.

Com essa descrição podemos antecipar que a leitura de Vipassana transporta para a reflexão, questões filosóficas e até mesmo aos assuntos mal resolvidos daquilo que o eu-lírico/narrador vivenciou, sentiu e sofreu. O texto muitas vezes poético traz os questionamentos, trata de ausência, de dor, de traumas, dos transtornos psicológicos, e com isso utiliza de figuras de linguagem, metáforas e ainda um tom mais lírico, que chama a atenção do leitor para a sonoridade utilizada a partir de escolhas e disposição das palavras.

Por trazer elementos autobiográficos categorizados no gênero da autoficção para mim ficar pensando o que de fato era real ou ficção não fazia sentido, e não porque desmereci a trajetória da Mara Romaro, pelo contrário. A narrativa da autora traz uma densidade e profundidade que minha experiência durante a leitura me fez mergulhar no texto, voltar e reler alguns fragmentos, absorver os sentimentos expressos nessas páginas. E ainda acho que esse é um daqueles tipos de livro de exigem um tempo para reflexão e que deve ser lido e relido no futuro.

Senti um desabar. Parecia que nada mais iria ser como antes. Estava sentindo apreensão e tristeza que não parecia que neste desenho, iriam acabar. Assim que a Melancolia cerra seus olhos, eu me encontro com meu tempo, agora após esses longos anos, alma. Dúvidas e elaboração psicológica. Não me parecem ter as mesmas cores, os mesmos traços. Sinto meu olhar desfigurado e doentiamente triste depois de tudo. Melancolia se deteve em seu olhar, permitindo que um ar quieto soprasse sobre mim, depois de reler tantos relatos intrincados e perturbadores. Um momento como espiral, um caminho de linhas de desenho, sem ponto de encontro, uma impressão de um eterno refazer algo e de não conseguir concluí-lo. (p. 50)

Em relação às pinturas que são trazidas como reflexo dos sentimentos da autora, de seus sonhos e devaneios me veio à mente uma citação de Fernando Pessoa: “A arte nos livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos”, no sentido de que diante das angústias e aflições vividas, foi a arte que trouxe um respiro, uma válvula de escape, um refúgio diante dos nossos próprios demônios que nos afligem.

 

Até o próximo post.

 

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7 Comentários

  1. Adorei! Parece ser um livro bem intenso!
    https://blogdastatianices.wordpress.com/

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    1. Sim, demais! Chega a dar alguns apertos no coração 😦

      Curtido por 1 pessoa

  2. Querida Camila, muito grata!!! Eu assim que puder enviarei postcard do livro, e já divulguei em meu face pessoal e página de autora a sua resenha. Deixo flores de gratidão. Beijos.

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    1. Ahhh, imagina! Agradeço a parceria! ❤

      Curtido por 1 pessoa

  3. Republicou isso em mararomaroe comentado:
    Caros amigos, minha querida amiga literária, resenhou o meu livro Vipassana com bastante propriedade. Gostei e me senti grata pela atenção e divulgação. Recomendo seu blog que traz assuntos literários. Abraços.
    Mara Romaro

    Curtido por 1 pessoa

  4. […] Livro que recebi de parceria com a autora: Resenha | Vipassana, de Mara Romaro […]

    Curtir

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