Resenha | Aconteceu naquele verão: doze histórias de amor

Oies Bookaholics!

Ultimamente eu venho gostando muito de livros de contos e essa me trouxe um quentinho no coração. Aconteceu naquele verão: doze histórias de amor é uma antologia organizada pela Stephanie Perkins e foi publicado pela Editora Intrínseca.

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Summer Days and Summer Nights: Twelve Love Stories – Tradução: Ana Rodrigues, Flora Pinheiro e Larissa Helena – 2016 – 384 Páginas – ★★★★

Doze histórias apaixonantes de doze grandes escritores, entre eles Cassandra Clare, Veronica Roth e Stephanie Perkins.
Bem-vindos à estação mais ensolarada e apaixonante de todas! No verão, somos todos iguais, diz um dos personagens do conto “Mil maneiras de tudo isso dar errado”. No Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar do globo, uma coisa é certa: no verão, nossos corações ficam mais leves, mais corajosos, impetuosos e confiantes — talvez por isso esta seja a estação perfeita para se apaixonar… e Aconteceu naquele verão é o livro ideal para quem adora histórias de amor.
Mas essa coletânea tem algo ainda mais especial. Algumas histórias têm uma pitada de estranheza, de mistério, um toque sobrenatural. Em “Cabeça, escamas, língua, calda”, a lagoa de uma cidadezinha é morada de um monstro marinho que só uma menina vê. No intrigante “Inércia”, dois grandes amigos há muito afastados vão se encontrar num quarto de hospital para uma última visita. No belo “O mapa das pequenas coisas perfeitas” é sempre dia 4 de agosto. Presos num loop temporal, dois jovens vão comprovar do que a força do amor é capaz. A lição é simples: o amor não escolhe lugar nem hora para surgir. Coloque seus óculos escuros e abra sua cadeira de praia, porque neste verão você terá doze motivos para suspirar e se apaixonar.

O projeto de reunir diferentes autores para contar histórias com a temática natalina em O Presente do Meu Grande Amor: Doze Histórias de Natal que a autora e organizadora Stephanie Perkins juntou 12 autores (alguns diferentes da primeira edição) para abordar histórias sobre o verão.

Nos Estados Unidos o verão ocorre entre os meses de Junho e Setembro, sendo este período de férias nas escolas de ensino médio, fato este que proporciona aos contos um clima de descanso, viagens e acampamentos, assim como um período em que muitos jovens buscam emprego de verão para adquirir uma renda extra. Esses aspectos culturais são um pouco diferente dos nossos, mas acho legal conhecer a cultura norte-americana e se sentir um pouco mais familiarizado se ler nesse período de verão (aka calor dos infernos) que estamos vivendo no Brasil.

Marigold odiava aquela época do ano. Para começar, julho era ainda mais quente – e talvez até mais úmido – que o restante do verão. O ar ficava insuportavelmente abafado. O suor escorria por cada curva de seu corpo. As pancadas de chuva, tão frequentes à tarde, traziam mais incômodos do que alívio. (Stephanie Perkins: Em noventa minutos, vá em direção a North)

Assim, tendo esse detalhe em mente, o leitor já pode ter uma ideia do que esperar nessa leitura, e ainda se familiarizar com os personagens que estão cursando o ensino médio e/ou perto de concluí-lo.

Diferente do primeiro livro dessa série eu senti que os contos de verão me agradaram mais que os contos natalinos. Digo isso porque até mesmo aqueles que envolvem uma atmosfera de fantasia ou futurista, como em Cabeça, escamas, língua, cauda (Leigh Bardugo); O último suspiro do Cinemorte (Libba Bray), Nova atração (Cassandra Clare) me agradaram, tanto que  Inércia (Veronica Roth) e O mapa das pequenas coisas perfeitas (Lev Grossman) foram um dos meus favoritos da coletânea. >3 Provavelmente os fãs desse gênero puderam perceber o nome de vários autores queridinhos e suas séries tão adoradas, então, mais uma oportunidade de curtir mais um trabalho 😉

Outro ponto essencial nesse livro é a representatividade e diversidade, tanto no gênero das histórias, como dos próprios personagens. Vários contos trazem personagens lgbtq como protagonistas como os meus preferidos O fim do amor (Nina Lacour, que também escreveu Estamos Bem <3) e Lembranças (Tim Federle), e ainda outros como personagens secundários como em Amor é o último recurso (Jon Skovron) e Boa sorte e adeus (Brandy Colbert), que este inclusive é o único conto que traz representatividade negra e depressão.

Sabe, tenho a sensação de que os negros acham que não precisam tomar remédio para doenças mentais. Como se devêssemos ser fortes demais para isso. É uma estupidez (…) Não somos sobre-humanos. (Brandy Colbert: Boa sorte e adeus) 

E o que dizer da temática da Síndrome de Asperger que Jennifer E. Smith trabalha com tanta sensibilidade em Mil maneiras de tudo isso dar errado, mais um que se tornou o meu preferido!

Além desses pontos, acho que a maioria dos autores quis trazer uma carga um pouco mais dramática, deixando uma mensagem no final, muitas vezes de esperança e superação, mesmo após alguma perda ou trauma, como as relações familiares, términos de relacionamento e até mesmo recomeços. Inclusive o conto Prazer doentio (Francesca Lia Block) tem uma carga tão angustiante e pesada que destoa dos demais contos, mas mesmo não gostando muito, entendi que talvez a proposta fosse abordar que nem sempre o sol e verão são sinônimos de felicidade.

Você pode passar a sua vida inteira à espera de momentos perfeitos, mas às vezes é fazê-los acontecer. (Lev Grossman: O mapa das pequenas coisas perfeitas)

E por fim, muito amor! Todos os contos trazem os romances como elemento base de suas narrativas, e é uma ótima escolha para aqueles que gostam desse estilo, com alguns vários clichês daqueles de dar um quentinho no coração, ou uma quebra mesmo, rs.

Acho que se apaixonar deve ser um pouco assim. Você descobre aquela pessoa que entende o que ninguém mais parece entender; que o mundo é uma droga e não pode ser consertado. Você pode parar de fingir, pelo menos por um tempinho. Vocês dois podem admitir a verdade, ainda que só um para o outro. (Lev Grossman: O mapa das pequenas coisas perfeitas)

Apesar das temáticas um tanto quanto pesadas a leitura é envolvente, fluída, dinâmica e traz uma atmosfera mais leve, ideal para descontrair com tantas questões problemáticas do cotidiano. Espero muito que a autora trabalhe mais projetos com outras estações do ano 🙂

 

Até o próximo post!

 

armesan Cheese

 

 

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9 Comentários

  1. Hey Camila.
    Esse ano enfiei na minha cabeça que lerei mais contos e porque não?
    Eu quero ler principalmente coletâneas. Adorei sua resenha. Me deixou animada para leitura.
    Beijos.

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oies! Ahh acredita que era um gênero que eu não curtia tanto? Mas depois que comecei a ler antologias fiquei mais encantada, fora a possibilidade de conhecer novos autores. Fico feliz que tenha gostado 🙂 Bjos

      Curtido por 1 pessoa

  2. Oi! Eu li os de natal, mas não gostei e tenho tudo muita resistência em comprar esse livro para ler. Mas, depois do seu post, confesso que 2 contos me interessaram bastante. Ainda não sei se é o suficiente para comprar o livro físico, mas quem sabe então o e-book pelo menos ou conseguir emprestado hahaha

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Isa! Eu fiquei com a sensação de ter gostado mais desses contos do que os de natal, mas acho que ler em e-book ou pegar em biblioteca compensa mais, rs. A minha edição comprei numa promoção nas Lojas Americanas durante a Bienal do Livro. 😉

      Curtido por 1 pessoa

  3. Não conhecia esse livro, fiquei interessada, fica a dica para aqueles momentos em que precisamos de algo mais leve para ler! Bjs!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sim Ju! Muito leve mesmo 🙂 Espero que goste! Bjos

      Curtido por 1 pessoa

  4. Nossa que resenhas kkkk, adorei seu post.
    Bjss

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    1. Oies! Obrigada! Fico feliz que vc tenha gostado 🙂 Bjos

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  5. […] Mais uma leitura leve e gostosinha. Confiram: Resenha | Aconteceu naquele verão: doze histórias de amor 🙂 […]

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