Resenha | O último adeus, de Cynthia Hand

Oies Bookaholics!

Esse livro estava parado na minha estante (assim como vários outros) há pouco mais de um ano e graças ao clube de leitura da Pam Gonçalves e Bel Rodrigues, o #PamDeBel nesse mês de outubro. O último adeus, da autora norte-americana Cynthia Hand foi publicado no Brasil pela editora Darkside Books, numa linda edição em capa dura e diagramação diferenciada ❤

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The Last Time We Say Goodbye – Tradução: Carolina Coelho – 2016 – 5/5 ❤

Sinopse: O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.

 

Preciso confessar que alguns livros me trazem ranço quando estão no “hype”, ou seja, quando estão sendo muito falado. Apesar de ser muito influenciada pelas tendências, alguns livros eu fico com o pé atrás e espero um tempo para ler, principalmente os que tratam de depressão e suicídio. Livros como Por Lugares Incríveis, de Jennifer Niven e Eu Estive Aqui, de Gayle Forman são alguns exemplos de histórias que incomodaram por não trazer uma mensagem mais “consciente” sobre esses assuntos. No caso de O último adeus comprei numa promoção no ano passado e deixei ele de lado por pensar que poderia me decepcionar como os livros citados. Mas estava enganada, e ainda bem!

Existe morte ao nosso redor. Em todos os lugares para onde olhamos. 1,8 pessoa se mata a cada segundo. Só não prestamos atenção. Até começarmos a notar. (p. 251)

O livro sob a perspectiva de Lex em primeira pessoa retrata o luto, os sentimentos de raiva, culpa e impotência diante de um suicídio. Tyler era o irmão mais novo de Lex e sua culpa parece ser muito maior por ela ter aquele sentimento de que deveria ter cuidado e protegido o irmão caçula. Lex sempre foi muito racional e com a perda do irmão tenta racionalizar tudo, inclusive seus sentimentos, além de uma justificativa sobre o ato de Ty que acabou não só com a sua vida, mas de toda a família.

Estou tentando me imunizar diante da visão dos mortos. Pensar em nós, dentre todas as criaturas vivas no mundo, como carne. Leite azedo. Meleca verde. Qualquer coisa. Algo que, inevitavelmente, vai apodrecer. Não sei por quê, mas me ajuda a ver a morte como inescapável, inevitável e certa. (p. 28)

Com a ajuda de terapia a história se desenvolve no processo de cura de Lex. Ainda a garota de 18 anos precisa lidar com as últimas provas do ensino médio, as inscrições nas universidades, o divórcio dos pais e o fim do seu namoro. Lex tenta anular seus sentimentos e não consegue falar sobre a dor profunda que sente, se afasta dos amigos e tenta ser forte para ajudar sua mãe.

Porque eu contei a ele sobre o buraco em meu peito. Sobre como tenho a impressão de que vou morrer nas vezes em que o buraco aparece. Que estou morrendo de medo que esses momentos aconteçam cada vez mais, e de que eles durem cada vez mais tempo, até que eu só sinta o buraco, e então, talvez ele me engula para sempre. (p. 43)

Lex é retratada de forma muito racional, não por acaso ela é uma gênio na área de matemática e ciências exatas. E como tem dificuldades de expressar o que sente, o terapeuta a orienta e escrever em um diário sobre Ty. É a partir das passagens do diário que conhecemos o passado e as pequenas ações, que somadas, justificam o suicídio. Além disso, esses flashbacks mostram diversos momentos felizes da infância da família e como os irmãos sentiam ódio pelo pai quando ele foi embora.

Eu particularmente gosto muito de ler histórias sobre núcleos familiares turbulentos, mas nesse livro tudo se intensifica com a morte do Ty. Isso porque a relação e a situação da família muda muito com o divórcio, tanto pela questão emocional, como pela financeira.  A autora conseguiu ainda trabalhar os conflitos entre pais e filhos antes e depois da decisão de Ty, além da relação de Lex com sua mãe, que não por acaso se sente anestesiada com a perda do filho.

Alternando o presente e o passado a leitura é muito fluída, apesar de triste. Eu não chorei (porque se não choraria com diversos livros) mas foi quase. É muito difícil lidar com a perda de alguém próximo, principalmente quando a pessoa sofre de uma doença. Já diziam que a depressão é o mal do século, mas muitas vezes o assunto é tratado com frescura e descaso, mas o assunto tem ganhado relevância nos últimos anos, não por acaso há campanhas de prevenção em diversos países para tratar do assunto. No Brasil, por exemplo, é realizado o Setembro Amarelo, iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), incluindo palestras e ações específicas para apoio.

Tyler era jovem, tinha 16 anos. Era amado pelos familiares e querido pelos amigos. Jogava no time de basquete da escola, era saudável. Tinha uma namorada. Tinha um futuro. Mas não conseguia enfrentar e vencer os próprios demônios e enxergar uma saída. Não tinha condições de continuar. Ele planeja todos os detalhes de sua morte, do cartaz de fotos à roupa para ser enterrado, e a maneira que encontra para cabar com a própria vida. Escute: Nobody Can Save Me (Linkin Park).

Você não poderia tê-lo salvado (…) Ninguém além dele mesmo poderia tê-lo salvado. E você provavelmente está certo. Ele não ligou para ser salvo. Ligou para dar o último adeus. (p. 326)

A autora, que também teve um irmão que se suicidou aos 17 anos, chama a atenção para a diferença entre as causas de morte e como o suicídio é mal visto pela sociedade, e que julga e muitas vezes condena suas vítimas. Principalmente quando são adolescentes, trazendo estatísticas sobre os perfis doa jovens que se suicidam nos Estados Unidos, levando em conta o gênero, o histórico da vítima e a estrutura familiar. A autora também critica, de certa forma, o porte legalizado de armas em diversos estados norte-americanos e como isso se torna mais um agravante e um peso aspecto extremamente preocupante.

Tiraram o nome dele da lista de chamada. Até eliminaram os registros escolares dele do resto do ano, como se pudessem apagar a existência de Tyler de uma vez (…) Mas Tyler teve seu armário esvaziado e as coisas foram devolvidas à minha mãe, antes mesmo de nós o enterrarmos. Porque foi suicídio. Porque eles não querem dar a impressão de que aceitam isso. (p. 185)

Mas apesar de ser uma história bem triste, a mensagem que fica é de esperança, de perdão e de aceitação. Que maior que seja a dor é possível seguir em frente, de buscar ajuda e falar sobre o assunto. Que é possível continuar vivendo mesmo com a dor da perda para quem fica.

Agora, compreendo que ninguém poderia ter salvado o Ty, além dele mesmo. Não há mais ninguém a culpar. Nem você. Nem eu. Ty tinha as rédeas nas mãos. (p. 336)

Talvez o livro pode servir de gatilho e ser muito forte para quem já passou por situação semelhante, mas vale muito a pena!

 

Até o próximo post!

 

A Bookaholic Girl (2)

 

 

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5 Comentários

  1. Republicou isso em Memórias ao Vento.

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  2. Não conhecia esse livro, mas fiquei com vontade de ler (:

    Curtido por 1 pessoa

    1. É maravilhosamente triste, mas maravilhoso! ❤

      Curtido por 1 pessoa

  3. […] Outubro 1. Misery: Louca obsessão (Stephen King) 2. O vilarejo (Raphael Montes) 3. Caixa de pássaros (Josh Malerman) 4. Formaturas infernais (Meg Cabot, Stephanie Meyer, Michele Jaffe, Kim Harrison e Lauren Myracle) 5. O último adeus (Cynthia Hand) […]

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