Resenha | Heroínas, de Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares

Oies Bookaholics!

Me sinto mal por não conseguir postar essa resenha antes, porque já tem um tempinho que finalizei a leitura de Heroínas, livro que contém 3 contos das autoras Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares, publicado pela Galera Record.

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Galera Record – Contos – 2018 – Young Adult – 256 Páginas – 4,5/5

Sinopse: Não faltam heróis. Dos clássicos às histórias contemporâneas os meninos e homens estão por todo lugar. Empunhando espadas, usando varinhas mágicas, atirando flechas ou duelando com sabres de luz. Mas os tempos mudam e já está mais do que na hora de as histórias mudarem também. Com discussões feministas cada vez mais empoderadas e potentes, meninas e mulheres exigem e precisam de algo que sempre foi entregue aos meninos de bandeja: se enxergar naquilo que consomem. Este é o livro de um tempo novo, um tempo que exige que as mulheres ocupem todos os espaços, incluindo a literatura. Laura Conrado imaginou as Três mosqueteiras como veterinárias de uma ONG, que de repente contam com a ajuda de uma estudante que não hesita em levantar seu escudo para defender os animais. A Távola Redonda de Pam Gonçalves é liderada por Marina, que diante do sumiço do dinheiro que os alunos de sua escola pública arrecadaram para a formatura, desembainha a espada e reúne um grupo de meninas para garantirem a festa que planejaram. E Roberta é a Robin Hood de Ray Tavares. Indignada com a situação da comunidade em que vive, a garota usa sua habilidade como hacker para corrigir algumas injustiças. Este é um livro no qual as meninas salvam o dia. No qual elas são o que são todos os dias na vida real: heroínas. Finalmente.

 

A proposta da editora é muito semelhante ao livro O amor nos tempos de #likes ao repensar histórias clássicas para os tempos atuais, mas em Heroínas, o conceito gira em torno de colocar as mulheres em posição de destaque. Ao mesmo tempo que fiquei bem curiosa com a proposta, apesar de não conhecer a fundo os clássicos utilizados nesse novo livro, também fiquei apreensiva por achar que talvez o livro fosse um pouco infantilizado para mim, já que estou mais perto dos 30 anos do que da adolescência rs. Mas fui surpreendida!

Heroínas tem uma forte preocupação em disseminar o empoderamento feminino, tratando das questões da mulher na sociedade hoje, seus desafios em relação aos estudos, sonhos, sexualidade e relacionamentos. Os contos transmitem esperança e seria um livro que eu gostaria de ter a oportunidade quando era mais nova, com certeza teria me influenciado e me tornando uma pessoa mais consciente sobre os assuntos que são tão essenciais para as mulheres.  No geral todos os contos possuem um ritmo muito fluído e histórias muito envolventes, fazendo o leitor a devorar as páginas em poucas horas, e ainda que as histórias se fechem, fica aquele gostinho de quero mais. Além disso, é notável a tentativa das autoras de colocar personagens diversificados, como negros, lésbicas, indígenas, mas respeitando o lugar de fala. É um livro que eu recomendo muito, principalmente para os leitores que estão nessa faixa etária, cursando o Ensino Médio.

 

Uma por todas, todas por uma, de Laura Conrado

Foi a primeira vez que tive contato com o trabalho da autora e fiquei muito satisfeita com o que li. Narrado em primeira pessoa sob a perspectiva da protagonista Dani, a história é uma delicinha, tem uma abordagem sobre o cuidado com os animais e ao mesmo tempo que cria uma rede de relacionamentos entre uma estudante do Ensino Médio e a preocupação com o Enem e o vestibular, com mulheres que estão quase concluindo a faculdade. Achei muito interessante a forma como a autora trabalhou essa relação entre mulheres com essa diferença de idades e vivências um pouco diferentes. A ambientação mais voltada para o clima da fazenda e do campo foi um adicional de encantamento, destacando as características de Minas Gerais (estado da autora). Claro que o livro também tem sua dose de romance e amei a forma como a autora finalizou a história, enfatizando o empoderamento feminino, aliás, fiquei com a percepção de que dos três contos, esse era o que mais “explicava” os conceitos sobre feminismo. Em poucas páginas de conto a autora conseguiu me deixar tão próximo as questões da protagonista que acabei me emocionando no momento do resultado do vestibular porque foi algo que eu também vivi, e toda a lembrança me veio à tona. ❤

Eu aprendi a escutar e valorizar a fala da outra, ainda que, às vezes, seja uma fala diferente da minha; a voz de toda mulher deve ser respeitada. Sororidade é isso, né? É a gente se reconhecer uma na outra (p. 69)

 

Os formandos da Távola Redonda, de Pam Gonçalves

A Pam Gonçalves já é uma imagem recorrente aqui no blog, seja por suas indicações de  livros como por seus livros. Depois de ler todos os seus livros, neste conto eu percebi um  certo amadurecimento na escrita da autora, isso porque a narrativa em terceira pessoa conseguiu a partir de pequenos detalhes, seja um olhar ou um gesto, mostrar coisas que saíam da visão da protagonista Marina e mostrava ao leitor a “realidade” do que estava acontecendo. Isso porque o que nos é apresentado depende muito do que Marina está envolvida, então por isso dá para perceber a diferença do que ela pensa em relação ao que outro personagem pensa. O enredo também nos deixa conectados à história, porque a gente quer saber o que vai acontecer, como fica a situação da festa de formatura, se vão conseguir recuperar o dinheiro que foi roubado, e união formada pelos alunos é algo tão sonhador. Ah, gostei também porque alguns personagens de outro livro da autora aparecem rapidamente em uma cena, característica da autora, assim como o cenário de Santa Catarina, especificamente a própria cidade de Tubarão, destacando a rivalidade das escolas públicas da região. Havia uma grande expectativa em relação ao final do conto e eu terminei a leitura surpreendida, já que era uma coisa que via a Pam respondendo em seus vídeos quando seus leitores perguntavam sobre uma característica específica de personagem e ela dizia que precisaria de pesquisa para poder elaborar, e eu confesso que fiquei bem satisfeita pela leveza e sensibilidade que conseguiu desenvolver.

 

Robin, a proscrita, de Ray Tavares

Este também foi o meu primeiro contato com o trabalho da autora Ray Tavares. Minha vontade era aplaudir em pé a forma com que ela abordou o papel da igreja dentro de uma comunidade carente, sério, fiquei vibrando pela ousadia da autora em tocar na ferida e expor uma realidade tão recorrente em diversos lugares, de falar sobre os excluídos e marginalizados da sociedade. Dos três contos, este é o único que não trabalha diretamente as questões das jovens em relação à faculdade e vestibular, mas acaba colocando a tecnologia como um dos elementos fundamentais para o desenrolar da história da protagonista Roberta. Porém, o desenvolvimento da história não me agradou em alguns momentos, isso porque eu particularmente não curto uma estratégia bem recorrente de alguns autores (como Raiza VarellaChris Melo e Carina Rissi, por exemplo) que colocam tantos acontecimentos dramáticos na história que pra mim acabam perdendo todo efeito de realidade. Repito, é algo que eu não aprecio, não por acaso essas autoras fazem muito sucesso e vendem muito, mas para mim, em um conto de 90 páginas soou um pouco exagerado, como se fosse uma novela da Globo, e repito, que também faz muito sucesso. E sim, tem romance, tem ação e algumas reviravoltas ao longo do conto. Quero muito ler o primeiro romance da autora, Os 12 signos de Valentina, e sentir melhor seu estilo e características da autora.

Por mais que eu esteja quase chegando aos trinta anos, os livros do gênero Young Adult (ou jovem adulto) sempre me fascinam. E não só os livros gringos como os nacionais quem vêm ganhando destaque e espaço na minha estante nos últimos anos. Mas "Heroínas" foi diferente! Ele conseguiu colocar no protagonismo mulheres reais, com seus problemas e desafios diante da sociedade (machista) em que vivemos. A leitora que eu sou hoje gostaria de ter lido essas histórias quando tinha seus 15, 16 anos porque com certeza teria uma maior consciência sobre igualdade de gênero e empoderamento feminino. E vocês, já leram "Heroínas"? No blog tem resenha completa sobre cada um dos contos. Confiram! 💜 (((Link na bio))) . . . . . #heroinas #galerarecord #youngadult #leianacionais #LeiaMulheres #Book #Books #Bookaholic #ABookaholicGirl #bookshelf #Instabook #instareading #lendo #bookish #instalibros #ilovereading #libros #instalivros #bookstagram #instaread #LoveBooks #AmoLivros #AmoLer #VamosLer

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6 Comentários

  1. Ca fiquei mega curiosa para ler esse livro!! Faz um tempinho que to para ler aquele livro Boa Noite da Pam e conhecer a escrita dela hehe.
    Beijinhos ❤

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    1. Mulher!!! Boa noite é incrível, e sério, um dos melhores livros que já li na vida ❤ Heroínas me conquistou também, mas Boa noite ainda é o meu favorito! ❤ Espero que goste bastante, e depois me diga o que achou! 😉 Bjos ❤

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  2. Tenho muita vontade de ler esse livro e sua resenha alimentou ainda mais esse desejo! Adorei (:

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    1. Ah, fico muito feliz por isso! 🙂 Espero que goste bastante, depois me diga o que achou, viu? rs

      Curtido por 1 pessoa

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