FLIPOP 2018… Eu fui!

Oies Bookaholics!

Hoje é dia de falar sobre a FLIPOP que aconteceu entre os dias 29 de junho a 1º de julho no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Okay, mas o que é a FLIPOP?

FLIPOP é o festival de literatura pop totalmente focado nos leitores. Criado pela Editora Seguinte em 2017, agora outras 9 editoras se juntam a nós para fazer a 2ª edição: D’Plácido, Duplo Sentido, Editora Hoo, Globo Alt, Editora Planeta do Brasil, Morro Branco, Plataforma 21, Qualis e Todavia. (Site Oficial)

Confesso que desde a edição do ano passado eu estava curiosa para conhecer o evento, mas nunca tinha me animado, principalmente depois que a programação foi divulgada e vi que dos autores internacionais convidados eu não conhecia o trabalho de nenhum deles e pensei ah, quem sabe no próximo ano. Porém, participando de lives no canal da Pam Gonçalves vi o quanto as pessoas comentavam que gostariam de participar do evento, mas como eram de outros estados ficava inviável vir para São Paulo e participar. Depois disso pensei que eu deveria aproveitar as oportunidades dos eventos que rolam por aqui, olhei a programação e gostei muito das mesas de sexta-feira, garanti meu ingresso e fui!

Apesar de ter frequentado apenas um dia posso garantir que a experiência foi incrível e diferente de tudo que eu já vi e vivi em eventos literários. A proposta da FLIPOP é a de criar um espaço de interação entre leitores, autores e os profissionais do mercado editorial sem restrições ou “barreiras”, tanto que os autores ficavam circulando pelo espaço, assistiam às mesas de debates e conversam com os leitores. Foi muito estranho (no bom sentido) essa proximidade ao mesmo tempo que foi muito bom essa relação mais próxima, tanto que na primeira mesa a autora Íris Figueiredo sentou ao meu lado (com a Thais, editora da Agência Página 7) e fazia alguns comentários sobre a mesa comigo, sério, mesmo sem conhecer o trabalho dela eu fiquei bem tocada, rs.

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Na entrada foram entregues a credencial personalizada com o seu nome, uma pulseira com a numeração para as senhas, ecobag com vários itens, entre eles um ingresso para qualquer dia da Bienal do Livro! O local era bem amplo com um espaço enorme com espaço para a Livraria Blooks (depois falo mais sobre o preço dos livros), editoras e empresas do segmento, como a Turista Literário, espaço para fotos, pufes para descanso e muitos brindes e sorteios! Foram reservadas duas salas para que mesas diferentes acontecessem simultaneamente, cabendo a escolha por conta do seu gosto. Eu optei pelas mesas da sala B, e das 4 mesas disponíveis eu assisti a 3, porque fiz uma pausa para comer e aliviar as cólicas (aka dores de parto) que estavam acabando comigo.

 

Sobre as mesas…

  • As várias vozes do Brasil: Jarid Arraes, Roberta Spindler e Socorro Acioli  – Mediação de Bruna Miranda

Que mesa forte e tão necessária! Essa mesa foi composta apenas por mulheres das regiões norte e nordeste do Brasil, ressaltando os preconceitos e dificuldades para quem está fora do eixo sul-sudeste. Algumas falas durante a mesa:

Jarid Arraes – Ressalta a importância de ser política, quando se começa a falar como mulher negra, nordestina e lésbica as portas se fecham na maioria dos lugares resultando na falta de representatividade. A autora ainda afirma que sempre escreve com um propósito, seus personagens são pensados e desenvolvidos fora dos padrões, e ela se sente com essa obrigação de criar personagens que representem quem ela é. Destaca ainda que é fundamental essas escolhas para preservar e valorizar os autores, além de ser um exercício de cura de alguém que leu tanto e não se enxergava nos personagens. Para ela a literatura é política, não é um clichê, é a realidade.

Socorro Acioli – Diz que o reconhecimento de que a situação da representatividade está mudando, aos poucos, mas está mudando, e ressalta o preconceito e estereótipos com a região nordeste do país, uma região inferiorizada ao eixo. A autora destaca ainda que o autor hoje escreve para preencher uma falta. Em termos de escrita, ela afirma que o autor precisa se apropriar do léxico do universo em que está escrevendo a história, explicando o porquê de seus livros há utilização de termos específicos da região. A autora também esclarece sobre o hábito de leitura no seu estado chamando a atenção não só pela falta de livrarias, mas também a falta de bibliotecas públicas para incentivar o hábito.

Roberta Spindler – A autora de Belém no Pará diz que há uma saturação das coisas que vêm do Sudeste impedindo, não só os leitores do eixo, mas os próprios conterrâneos de conhecer a produção literária de sua região. Ela também desabafa sobre o preconceito por ser da região norte, e ainda por ser mulher e escrever seus livros no gênero de fantasia. Para ela, o autor fora do eixo tem que escrever suas histórias, mas do jeito que eles querem e não de maneira limitada e estereotipada que esperam.

 

  • Livros como profissão: Ale Kalko (designer), Bruno Anselmi Matangrano (pesquisador), Guilherme Miranda (tradutor) e Priscilla Sigwalt (Turista Literário) – Mediação de Iris Figueiredo.

    Essa mesa também foi maravilhosa, confesso que não fiz muitas anotações, mas no geral os profissionais falaram sobre as dificuldades de se trabalhar com livros nas suas áreas, e ainda deixaram a mensagem de perseverança para aqueles que querem trabalhar nesse segmento, mesmo que depare com muitos não pelo caminho. Eu saí totalmente entusiasmada com a fala do Bruno Matangrano, que é formado em Letras na USP e lá não encontrou apoio para pesquisar sobre literatura fantástica, já que a Universidade de São Paulo ainda favorece apenas o estudo de livros do cânone, sem muita abertura para a literatura contemporânea, principalmente a literatura mais comercial. Ele precisou recorrer a outras universidades públicas para prosseguir com seu objetivo e no final da mesa até fui agradecer pela motivação e conversamos um pouco sobre como é complicada a questão da área de pesquisa. ❤ A Íris Figueiredo também ressaltou fortemente sobre o preconceito literário e o rebaixamento de certos gêneros, entre eles os livros de Young Adult.

 

  • O que é uma protagonista forte?: Iris Figueiredo, Lavínia Rocha e Roberta Spindler – Mediação de Bárbara Morais.

    Bárbara Morais inicia a mesa perguntando às autoras o que elas consideram uma protagonista fraca, e as autoras pontuaram: personagens mal desenvolvidas, aquelas que não são verossímeis, as que ficam em segundo plano e que servem mais como suporte dos outros. O debate girou, principalmente, em torno dos estereótipos que se esperam de uma mulher e a diferença entre a recepção de personagens masculinos e femininos, como a mulher durante a adolescência que tem como “defeito” a suas escolhas, seus erros por falta de maturidade; ou ser considerada como chata. Lavínia Rocha ressaltou principalmente o estereótipo pesado de mulher negra forte, como um fardo, não podendo esta mulher pedir ajuda. Roberta Spindler pontuou os estereótipos de mulher guerreira e mega sexy nos livros (filmes, jogos) de fantasia. Íris Figueiredo destacou ainda sobre as mulheres mais velhas, que parecem que são esquecidas, e ressalta que no Brasil é muito comum o convívio com tias, avós e isso precisa ser mais representado nos livros, porque a existência feminina não é solitária. A mesa ainda contou com debates discussões sobre a Bela de Crepúsculo, série e filmes, com a platéia contribuindo para o debate. Eu perguntei sobre o preconceito com os livros de Chick-lit, que são considerados livros de mulherzinhas e a Bárbara Morais disse que estão evitando usar esse termo que soa como pejorativo, e a Íris Figueiredo falou novamente contra o preconceito literário e o poder que o leitor tem de ler o que quer sem ser julgado pelas suas escolhas.

Booktubers e autores que encontrei

O primeiro dia não estava tão cheio, por ser numa sexta-feira à tarde e muitas pessoas trabalharem, mas acabei encontrando várias pessoas que já acompanho a algum tempo, além de conhecer outras. Eu também encontrei o Eduardo Cilto, Aione Simões e outros que não tirei foto, rs.

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Pontos negativos…

Sem sombra de dúvidas foi o preço dos livros! Como era a livraria do shopping que tinha o monopólio do evento os livros estavam a preço de capa, e sério, a média dos preços era de R$ 40, sendo livros de lançamento ou não. E confesso que foi muito decepcionante, já que o evento dá a possibilidade de conhecer novos autores, a gente sai super empolgado com os debates e quer adquirir o livro do autor e já autografar, mas com esses preços fica impossível. 😦 Minha esperança é a Bienal do Livro no mês que vem 😉 Outro ponto também, mas esse já é mais para mim que não tem muito senso de direção, poderiam ter deixado mais claro que o local do evento seria no Shopping Frei Caneca, colocaram apenas Centro de Convenções Frei Caneca e fiquei procurando na rua até descobrir que era no shopping.

 

Mas então, vale a pena ir à FLIPOP? 

Com certeza! E se você é de São Paulo mais ainda!!! A oportunidade de participar de um evento que debata tantas questões tão importantes e te dá acesso a um espaço de troca com autores e amantes de livros de uma forma diferenciada vale muito a pena. Isso porque eu não tinha interesse especial em nenhum autor que iria participar  do evento! Os ingressos custavam R$ 50 (dia único) e R$ 100 (os três dias), valores estes de meia entrada que todos tinham direito (pela meia de estudante ou por doação de um livro) compensaram muito, mas se você for de fora de São Paulo, vale a pena se planejar porque ainda tem os custos de passagem, alimentação e hospedagem. Nesse ano o evento foi no shopping (um dos mais caros), mas com a praça de alimentação você consegue comer nos restaurantes de rede que já tem um preço determinado, além de contar com as Lojas Americanas que é uma opção também. Mas não se iludam: o evento não serve para comprar livros, talvez você passe vontade ou tenha que fazer algumas escolhas difíceis, eu optei pelo livro da Íris Figueiredo que me custou R$ 39,90. Além de sair com novas ideias e conhecimentos, você também sai com vários brindes, como eu disse anteriormente. E de verdade espero muito ir na edição de 2019 do evento que vem crescendo a cada ano! A Editora Seguinte arrasou criando um espaço como esse para a literatura jovem e ainda valorizando os autores nacionais!!! ❤

 

A Willyara Amorim, do blog Entre nos Mundos também foi e fez um post contando sobre o evento, confiram as experiências dela também 😉

 

Até o próximo post!

 

A Bookaholic Girl (2)

 

 

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11 Comentários

  1. Que maravilha de evento! Amei os temas abordados, foram bastante pertinentes. Aproveite que você mora aí e participe mesmo desses eventos, é muito enriquecedor. Quanto a mim que sou do interior da Bahia, fico aqui acompanhando o que você me conta. Kkkkk Quem sabe um dia eu terei a oportunidade de ir em uma Bienal do Livro, vamos aguardar! ☺☺

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    1. Oies Gio! Ah fico feliz que vc tenha gostado, realmente é uma pena que os eventos não cheguem a todos, principalmente para os que estão foram do eixo SP-RJ. Para você ter uma ideia eu nunca fui à Bienal do Rio, acredita? E sim, torço muito para que vc consiga vir para uma Bienal, é incrível (tirando o preço dos livros, rs) Bjos da Cah! ❤

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  2. Oie!
    Gente que incrível esse evento. Sinto falta de mais eventos assim em Porto Alegre. Eu sei que o sul ainda em muitas vantagens (em questão de procura para eventos) em relação a outras regiões, porém é um desejo muito forte que tenho. Quem sabe um dia.
    Essa mesa de protagonistas e do preconceito com livros fora do eixo sul-sudeste pareceram muito interessantes, vou dar uma catada depois para ver se acho mais informações.
    Obrigada pelas informações, adorei ❤

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    1. Oies Joanna! É muito complicado mesmo, e acho que as coisas giram mais em torno do eixo SP-RJ do que Sul-Sudeste, mas como as autoras explicaram no evento (e eu acabei não colocando aqui) tudo que não é Norte-Nordeste elas chamam de Sul hahaha. Enfim, há muitos fatores que implicam essa não disseminação de eventos, desde falta de capital, até como falta de livrarias e bibliotecas, como as pesssoas não tem muito acesso e não leem por esses motivos, fica muito difícil levar eventos, porque acaba não atingindo um “número considerável” que justifique os recursos investidos, mas quem sabe as coisas mudem, não é mesmo? Eu acredito muito no poder transformador da literatura e minha esperança é que ela seja disseminada para todos, oremos! ❤ Bjos

      Curtido por 1 pessoa

  3. O evento é incrível mesmo. Um ponto que você abordou e super concordo (e é uma pena), foram os preços dos livros. Embora eu tenha comprado alguns, também fiquei um pouco “chateada”. Mas é claro que isso é só um ponto. O evento é sensacional! Que venha a Flipop 2019 ❤

    Bjos.
    Willy

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    1. Entendo, acho que se eu tivesse me preparado melhor daria para comprar mais, porém, decidi que iria mesma duas semanas antes do evento, aí não tinha como… Mas a Bienal tá aí e quem sabe consigo comprar e autografar os livros de mais autores! ❤ FLIPOP 2019 que nos aguarde!!! Hahaha. Bjos ❤

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      1. Estou nessa torcida também de poder autografar mais livros com mais autores! Siiim! Flipop 2019 que nos aguarde 😉 Bjos

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  4. Oie, tudo bem?
    Esse evento pareceu maravilhoso. Amei a mesa sobre protagonistas fortes ❤ Queria ter presenciado!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Priih! Ah, fica até redundante eu dizer o quanto o evento foi incrível… Essa mesa foi bem diferente do que eu espera e eu adorei! ❤ Espero e torço muito para que vc venha para a edição de 2019! ❤ Bjos

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  5. […] Eu participei de três eventos muito legais em Junho, o lançamento de Quem tem medo do feminismo negro? da Djamila Ribeiro, lançamento de Senhorita Aurora da Babi A. Sette, com direito a um dia muito gostoso com a May e a Flá (post: Lançamento | Senhorita Aurora) e para finalizar a FLIPOP! (confiram: FLIPOP 2018… Eu fui!). […]

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  6. […] de margarina. Nenhuma família é perfeita, aliás, nenhum ser humano é perfeito. Lembro que na FLIPOP 2018… Eu fui! a Iris Figueiredo falou sobre a importância das mulheres mais velhas e da relação mais próxima […]

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