Resenha | O sorriso da hiena, por Gustavo Ávila / 3 motivos para ler

Sobre um livro que além de me jogar no chão pisou em cima…

Oies Bookaholics!

O sorriso da hiena foi um dos poucos livros que não só atingiu as minhas expectativas como as superou ❤ Essa foi mais uma leitura concluída da Maratona Literária de Volta às Aulas, cumprindo os os desafios 2, 4, 5 e 9, respectivamente: livro que foi lançado em 2017; livro que sempre quis ler, mas nunca leu; livro que se passa no Brasil ou de um autor nacional; e livro de um gênero que você não está acostumado a ler.

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  • Título original: O sorriso da hiena
  • Autor: Gustavo Ávila
  • Editora: Verus
  • País: Brasil
  • Gênero: Romance / Suspense
  • Lançamento: 2017
  • 266 páginas
  • Classificação: 5/5 ❤ ❤ ❤

Sinopse: É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?
Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana.
Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas.
Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos?
Em O sorriso da hiena, Gustavo Ávila cria uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos, em uma história que vai manter o leitor fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.

 

Eu estava muito curiosa para ler este livro e depois de participar do evento de lançamento em São Paulo (confiram: Lançamentos | Quinze Dias (Vitor Martins) e O sorriso da Hiena (Gustavo Ávila)) a ansiedade se intensificou! Para mim foi uma das melhores leituras do ano, se tornando um dos meus livros favoritos da vida. E não foi por acaso.

Gustavo Ávila criou uma história com todos os elementos que julgo serem necessários que mais se aproximam do conceito de perfeição: história envolvente, personagens marcantes e temas reflexivos, sendo esses os três motivos para ler O sorriso da hiena.

 

Motivo 1: História envolvente

Eu não tenho muita familiaridade com livros desse gênero e confesso que me afastava, e toda a minha pouca experiência se faz por contos do Edgar Allan Poe, poucos livros da Agatha Christie e vários livros do Harlan Coben. O autor desenvolveu uma história com alguns artifícios, a partir de uma escrita clara e real sem romantismo dos horrores dos crimes,  capítulos curtos repletos de cliffhangers e uma teia de pequenos fatos que ao final montam um quebra cabeça agoniante.

Na metade do livro eu me via tentando me recuperar dos tiros que compõem a trama, mas sem sucesso, pois além de te jogar no chão, ele ainda pisa em você, sem dó e piedade. O livro cumpre muito bem a proposta de ser um suspense psicológico, é perturbador, mas ao mesmo tempo é muito difícil parar a leitura até ter certeza de como será a conclusão da história.

A sociedade está confusa, dispersa. As pessoas não sabem em quem ou no que acreditar. A nossa capacidade de encontrar explicações para certos atos de barbárie e intolerância acaba sendo limitada pela falta de palavras cruéis o suficiente. Imagine essas pessoas saindo de casa sem ter certeza se vão voltar no final do dia ou se algo vai explodir ao seu lado… (Pág. 35)

Ao final todos os pontos se encaixaram sem deixar nenhuma ponta solta na história e o meu sentimento final foi de que por mais cruel que tenham sido as coisas, tudo fazia sentido, a realidade é muito perturbadora.

Quando eu li a sinopse eu tive uma ideia completamente equivocada de como seria a narrativa. E fiquei muito surpresa ao perceber que a história saía do padrão ao ter como base 3 pontos de vistas centrais. O que nos leva ao segundo motivo! 😉

 

Motivo 2: Personagens marcantes

Na maioria das vezes, a histórias desse gênero são contadas pelo ponto de vista de quem tenta desvendar um mistério. Nesse caso, a proposta foi diferente, desde o começo o leitor tem acesso à mente e às motivações do criminoso David. Ele é um personagem muito bem escrito e tem como marcas do seu caráter inteligência, frieza, e por que não genialidade? Marcado por um trauma terrível acredita que precisa reproduzir o que aconteceu com ele com outras crianças para descobrir como o trauma influenciaria suas vidas, para o bem ou para o mal.

Como de costume, David dirige evitando as ruas mais movimentadas,. O trajeto alternativo fazia a viagem ficar ainda mais longa, dando tempo para repassar cada etapa da ação e, infelizmente, relembrar cenas de sua vida em pensamentos que insistiam em assombrá-lo: imagens de sorrisos, olhares, até a simples lembrança do som de seu nome sendo dito por sua mãe o torturava. Os momentos felizes do passado eram trazidos com tristeza pelo sadismo do tempo. Não é à toa que fotos tristes não ficam em porta-retratos – não se precisa delas para relembrar o que se gostaria de esquecer. (Pág. 87) 

O que o leva a buscar ajuda com William, um psicólogo especializado em crianças que tem um forte amor pela profissão. Mais do que isso, acredita que pode mudar o mundo, oferecendo até consultas gratuitas para crianças que sofreram algum tipo de trauma. William tem uma vida plena, está prestes a casar com Juliana, namorada desde a época da faculdade, conta com seu melhor amigo Chris. Entretanto ele não está satisfeito, sua tese no doutorado parece atormentá-lo por não conseguir comprovar na prática todas as hipóteses levantadas. Ao ter uma oportunidade de finalmente concluir suas pesquisas William é levado por seu desejo mesmo que sejam necessários alguns sacrifícios para isso. A transformação do psicólogo, bem como o estado de estado físico e mental me fizeram compreender melhor e tirar uma ideia que talvez não me agradou tanto lendo a sinopse.

Artur é o detetive que está à frente dos casos. Ele sofre da Síndrome de Aspenger, uma espécie de autismo que limita as condições de interação social, mas revelando uma inteligência incrível. Artur leva tudo ao pé da letra, e pode até soar grosseiro eu dizer que algumas situações acabam sendo de certa forma engraçadas, porque em minha mente eu via a imagem do Sheldon Cooper de The Big Bang Theory (não o personagem da série também tenha a síndrome). Achei interessante a representatividade ao elaborar um personagem que pode trazer conhecimento sobre essa síndrome aos leitores. Ao acompanhar a forma com que Artur ia chegando às pistas do crime era mais fascinante ainda, porque pontos que para mim não tinham muita relevância ou passaram totalmente desapercebido eram essenciais para se aproximar da solução.

 

Motivo 3: Temas reflexivos 

Além de abordar a questão da violência, trauma e vingança, O sorriso da hiena ainda toca em assuntos como a moral e ética, ao propor os assassinatos como fonte de pesquisa prática para um psicólogo especializado no assunto. Até que ponto iríamos para saciar os nossos desejos?

E vai muito além, por ter sua estrutura em três pontos de vistas diferentes, é possível reconhecer algumas críticas contra a ação da polícia, que na maioria das vezes só dá prioridade aos casos que envolvem pessoa superiores financeiramente, e também, à Justiça (brasileira, apesar da história não ter um local especificamente citado).

A questão de menores infratores também foi um ponto que julguei ser de extrema pertinência, já que é um debate que faz parte da sociedade há muito tempo, não se limitando apenas às discussões sobre a redução de maioridade penal no Brasil. Há muito descaso, abandono e o discurso, com o aumento da criminalidade, de que bandido bom é bandido morto.

Mas são apenas crianças, não é? Você acha que uma simples conversa, uma conversa, vai mudar esses projetos de monstros? Barro seco não tem conserto, detetive. É preciso quebrar, transformar em pó e moldar de novo. (Pág. 210)

Cheguei até a lembrar de Capitães de areia (Jorge Amado) em que crianças moradoras de rua e abandonas pelo Estado, cometem diversos crimes nas ruas de Salvador. E comparando as duas obras, com 80 anos de diferença mostra que pouco a realidade para menores infratores não mudou muito: ou estão nas ruas, ou são presos em reformatórios sem assistência psicológica e nenhum apoio.

Eu via crianças entrando e saindo do reformatório do mesmo jeito. Qual é o propósito de uma instituição dessas, se não for pra ajudar de verdade, se não for para orientar essas crianças? Eu gostava de conversar com elas, de descobrir o que as atormentava, e tentava ajudar da forma que podia. Muitas vezes só era preciso fazer isso, escutar. Mas com muitas outras não era tão simples, e a maior dificuldade de ajudar essas crianças era justamente descobrir o motivo pela dor delas. E a maioria dos funcionários dessas instituições, bom vou ser bem sincero… Eles simplesmente liam as fichas: o garoto era espancado pelos pais, a menina tinha que se prostituir pra ajudar a alimentar os quatro irmãos, e toda uma infinidade de meios de molestar física e emocionalmente uma criança. Eles só descobriam o que estava nas fichas. Poucos se davam ao trabalho de descobrir o que de fato é preciso descobrir […], o que as crianças sentem. (Pág. 223)

Eu fiquei me questionando e refletindo sobre essas coisas e mesmo depois de ter terminado a leitura eu me sentia agoniada. É uma leitura que eu recomendo muito para quem goste do gênero e também para aqueles que queiram adentrar no gênero de crimes e suspenses.

 

Motivo Extra

O livro teve os direitos de adaptação comprados pela TV Globo! Nada melhor do que ver que autores nacionais podem sim desenvolver histórias marcantes, muito bem estruturadas, no mesmo nível que livros best-sellers estrangeiros.

 

Até o próximo post!

EST. 2015

 

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7 Comentários

  1. Uau: “pois além de te jogar no chão, ele ainda pisa em você, sem dó e piedade.” Só com essa frase você me convenceu! hihihi Amei ❤
    Resenha maravilhosa 👏👏👏
    Beijinhos 😘

    Curtido por 1 pessoa

    1. Hahaha! Nossa Geo, fiquei muito abalada com essa leitura, era tiro atrás de tiro, sem muito tempo para se recuperar sabe? Tenho certeza de que você irá adorar! 😉 Bjos ❤

      Curtido por 1 pessoa

  2. Amei a resenha,já tinha lido uma resenha desse livro é gostei dele por ser um dos meus gêneros favoritos! Essa sua resenha só me deixou mais curiosa! O que percebir foi que ele é diferente,traumático e reflexivo.bjos 😘

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies! Seja muito bem vinda (o)! Fico muito feliz por vc ter gostado da minha resenha 🙂 Lê sim e depois me diga o que achou, viu? 😉 Muito obrigada pelo carinho 🙂 Bjos da Cah!

      Curtido por 1 pessoa

  3. […] favoritos do ano, mas favorito da vida. É perturbador, é reflexivo e é muito bom! No post Resenha | O sorriso da hiena, por Gustavo Ávila / 3 motivos para ler eu explico melhor o porquê de ter gostado tanto dessa leitura, a ponto de considerá-la bem […]

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  4. […] Acho que depois do lançamento, esse foi o livro que eu mais quis ler no ano! Confiram: Resenha | O sorriso da hiena, por Gustavo Ávila / 3 motivos para ler […]

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