Resenha | Violência e paixão, por Fernando Bonassi

Oies Bookaholics!

Essa leitura faz parte da Maratona Literária de Volta Às Aulas, cumprindo os desafios 3 e 6, respectivamente: livro com menos de 200 páginas livro de capa feia 🙂

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  • Título original: Violência e paixão
  • Autor: Fernando Bonassi
  • Editora: Scipione
  • País: Brasil
  • Gênero: Contos
  • Lançamento: 2007
  • 80 páginas
  • Classificação: 4/5

Sinopse: Os textos deste livro habitam a fronteira entre o conto e a crônica, entre a narrativa e o comentário, apontando para a vocação do autor de retratar o cotidiano – cotidiano em que convergem brutalidade, relações de exploração e dominação, sexualidade represada e incomunicabilidade. A violência e a exploração aparecem nos textos como práticas que permeiam as relações entre diferentes indivíduos e classes, como elementos que estruturam socialmente o país. É um cotidiano virado parcialmente do avesso, com entranhas e aparências à mostra.

 

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A primeira coisa que preciso fazer é me redimir, isso porque coloquei o livro para cumprir o desafio de capa feia, e gente, como não amar essa edição? Com ilustrações de Herbert Bagione, o livro é uma arte à parte dos contos. O livro tem um formato diferenciado, além da capa em papel reciclado, no vídeo a seguir é possível visualizar melhor 😉

Quando a edição do livro surpreende… ♥

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Eu tive contato com a escrita do autor Fernando Bonassi na disciplina de Teoria Literária I (confiram: Diário da Faculdade | Sobre a disciplina de Teoria Literária I) com o livro 100 histórias colhidas na rua, mas não achei para compra e resolvi comprar Violência e paixão ❤ pagando apenas R$ 9,99.

Enfim, logo de cara gostei do prefácio Liberdade de risco escrito por Bruno Zeni (escritor, jornalista e mestre em teoria literária pela USP) destacando o mundo e tempo em que vivemos, um mundo de aparências e dominação dissimulada, segundo ele. Zeni ainda considera Fernando Bonassi como um “cronista da urbanidade fraturada” e “retratador  expressionista do cotidiano”, além da ideia de testemunho de um Brasil fragmentário a partir dos textos desse livro. Para bruno Zeni:

O mundo está em transformação permanente, e fixar o instante com arte pode ser perigoso e conformista – a arte literária tampouco está isenta de contrariedades no mundo atual. (Pág. 9)

Se arte não está isenta ou imune do que acontece no mundo Fernando Bonassi me conquistou com a maneira com que seus textos abordassem a realidade. São tão profundos, cruéis e tristes, afinal estamos tratando da realidade dos marginalizados na sociedade.

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O autor faz uma mistura de poesia e conto nos seus textos, há toda uma preocupação com a sonoridade e jogo de palavras, de sentidos. O cotidiano e toda a naturalização que temos com a violência:

Estamos procurando lembrar as piores coisas que conhecemos. É como um exercício. Há cadáveres em posições esquisitas, sangue pastoso brilhando nas calçadas e pedaços de miolos grudados em azulejos. Serras, motosserras, fuzis de assalto, metralhadoras. Em pouco tempo estamos trabalhando com quantidades, referindo-nos a chacinas, massacres e genocídios. Bombas inimagináveis, maremotos, terríveis coincidências. Apenas um exercício. As pessoas foram desaparecendo das nossas histórias. Também nosso horror impressionante. Então já era hora de dormir. (Pág. 17)

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O autor, nascido em 1962 e crescido durante a ditadura militar, também escreve sobre essa temática:

A moçada começando a pensar que afinal os militares não eram tão ruins, que pelo menos havia polícia secreta e política externa e mistério e missões e empresários autenticamente nacionais e batizados e crismas e primeiras comunhões e noivados e casamentos e carnês de esperança. (Pág. 20)

Eu confesso que gostei mais dos textos sobre violência do que os sobre paixão, sendo os meus favoritos Cesta básica; Carnaval de paulista; Trabalhadores do Brasil; João e Maria; Par ou ímpar; Relações perigosas. ❤ 

João e Maria, por exemplo, trata da história de João, um menor de idade que sozinho nas ruas passa roubando carros e depois vai para um negócio mais lucrativo, a venda de drogas, e tudo estava “funcionando bem” até ele se envolver com Maria. A garota era viciada em crack e João acaba se viciando também, se envolvem em vários problemas por dever drogas ao fornecedor e João ser preso e Maria grávida, mas ele não tinha certeza se era pai pela mulher também se prostituir em troca de drogas.

Entretanto, Carnaval de paulista, retrata os paulistas que fogem da folia do feriado, mas tudo retratado de forma bem irônica e critica ao moralismo, o mesmo tom que se encontra em Relações perigosas e todo um círculo de relações.

É uma leitura que eu recomendo muito, super rápida e reflexiva. Me interessei pela escrita do autor e vou procurar ler mais de suas obras! Vale destacar que o autor também é roteirista de cinema e tv, dramaturgo e  cineasta.

Quero aproveitar e deixar o vídeo com a participação de Fernando Bonassi na Biblioteca Parque Villa-Lobos no mês de março desse ano, e eu infelizmente perdi, rs. Fiquei bem surpresa com o posicionamento do autor em diversos assuntos e as revelações que ele faz durante o evento.

 

Uma das afirmações que mais me chamaram a atenção foi que segundo Bonassi a literatura brasileira é fraquinha, se comparado ao cinema, pois as pessoas sabem mais de polícia por conta do Tropa de Elite (2007), sabem mais de favela por conta de Cidade de Deus (2002) e sabem mais de presídio por causa de Carandiru (2003) e não por conta da literatura. Para ele a desgraça é o melhor campo da criação artística, e, falta na literatura brasileira a capacidade de incomodar o poder. Bem polêmico!

Até o próximo post!

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4 Comentários

  1. Confesso que ri quando li “livro com capa feia”. Hahaha Fiquei com vontade de ler, Cah!

    Como gostaria de participar dessas sessões Segundas Intenções! ❤

    Beijo,
    Brenda

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Brenda! Depois percebi que a capa não é tão feia assim, rs Esse encontro eu perdi, mas eu adoro! Que pena que por aí não tem =/ Bjos

      Curtido por 1 pessoa

  2. […] frio aqui em São Paulo tem sido muito intenso. Foi mais uma leitura que eu gostei muito e no post Resenha | Violência e paixão, por Fernando Bonassi vocês podem conferir todos os […]

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  3. […] Falei muito sobre esse livro! Confiram: Resenha | Violência e paixão, por Fernando Bonassi […]

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