Resenha | Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, por Marçal Aquino

Sobre um livro que acabou comigo…

Oies Bookaholics!

Desde o ano passado minha amiga Amanda insiste para que lesse esse livro, ela me emprestou e ele ficou parado na minha estante por muito tempo. Veio as férias e resolvi dar uma chance e meu Deus (entenda-se pqp)!

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  • Título original: Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios
  • Autor: Marçal Aquino
  • Editora: Companhia das Letras
  • País: Brasil
  • Gênero: Romance / Literatura Brasileira
  • Lançamento: 2005
  • 229 páginas
  • Classificação: 5/5 ❤

 

Sinopse: Numa cidade de garimpo do Pará, conflagrada pelas tensões de uma corrida do ouro, um fotógrafo vive uma paixão clandestina com uma mulher misteriosa e sedutora. Mesmo sabendo dos riscos do jogo, ele decide ir até o fim — e agora está de volta para relatar o que viveu.

 

O livro conta a história de Cauby, um fotógrafo de São Paulo que vai para uma cidade no Pará devido à corrida e busca pelo ouro. O protagonista é um homem experiente, já morou em diversas partes do mundo fotografando de tudo, é apaixonado por artes: música clássica, bons livros, fotografias, e filmes. Cita por diversas vezes o livro “O que vemos no mundo” do professor Benjamin Schianberg, o “filósofo do amor, mas tudo não passa de uma estratégia genial de Marçal Aquino (entendam melhor nesse link). Até Nietzche é citado:

 

O trecho está grifado no livro. Nele, o professor Schianberg dá voz a Nietzche – “Há sempre um pouco de loucura no amor, mas há sempre um pouco de razão na loucura” – para depois contestá-lo, lembrando que na loucura dos amores contrariados não há espaço nenhum para a razão, apenas para mais loucura. (Pág. 22)

 

Achei interessante que o tempo é muito relativo na obra, ora está no presente, ora no passado, sem nenhuma marcação textual (prática muito comum na literatura contemporânea). Nos vemos imersos nas memórias de Cauby, sua paixão pela sedutora Lavínia numa estrutura temporal não linear e não convencional.

Primeiro que na minha mente eu imaginava Lavínia com a cara da Camila Pitanga, e não foi por acaso, na adaptação cinematográfica o papel é interpretado pela atriz, mas depois nos atemos ao filme, rs 😉 Lavínia é uma mulher sedutora e misteriosa, e eu achei essa personagem muito semelhante com Lúcia / Lucíola no romance de José de Alencar (não li o livro ainda, mas tive aulas sobre nesse semestre).

Pela perspectiva de Cauby somos apresentados às várias nuances dessa mulher. Pode-se dizer que foi paixão e muito fogo (se é que vocês me entendem 😉 ) à primeira vista, num ritmo alucinado de tensão sexual, a intimidade e relação dos personagens embalam a trama do início ao fim, e sem pudor. Cauby se vê entregue aos desejos que o dominam, ou talvez, ao feitiço que Lavínia lança sobre si.

 

“O amor é sexualmente transmissível.” 

 

A história de amor se passa num ambiente até que muito improvável, a cidade está em guerra, pessoas são mortas de forma brutal, e há mais impedimentos para a relação “normal” do casal. Não é o tipo de casal que eu me vi torcendo desde o início, mas com o fluir da narrativa fui criando uma empatia por essas personagens.

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Mesmo porque em alguns momentos a história sai da perspectiva de Cauby, e conhecemos o passado de Lavínia, contada por um narrador em terceira pessoa que “justifica” o passado da mulher, para o leitor os segredos dela são revelados, desde a infância, seus traumas e suas dores. Achei essa estratégia interessante, porque para Cauby alguns pontos ainda não estão claros, mantendo a imagem de mistérios e segredos de sua amada.

 

“O segredo, dizia Chang, o china da loja, não é descobrir o que as pessoas escondem, e sim, entender o que elas mostram.” (Pág. 13)

 

Por diversas vezes o narrador alerta ao leitor que essa história não tem um final feliz, e é impossível prever o final. Eu fiquei completamente chocada com o desfecho, eu queria chorar, acabou comigo. Alguns fatos e personagens são lançados na trama e eu estava pensando “Ok”, mas a forma com que as coisas se encaixam ao final me deixou chocada. Marçal não poupou palavras para expressar a violência, e críticas em vários quesitos. Não há tolerância, nem perdão, as pessoas conseguem transformar o mundo no pior dos infernos possíveis.

 

“A vida da maioria das pessoas é medíocre, o que não as impede de enxergar tudo numa perspectiva heroica. Suportamos a existência tentando converter o banal em épico.” (Pág. 140)

 

O livro é maravilhoso e eu super recomendo, de leitura fácil e rápida nos faz apaixonar pela história de Cauby e Lavínia. E ainda, nos aproxima da região Norte do país retratando uma crise que assola as cidades. O filme ganhou uma adaptação em 2011, dirigida por Beto Brant e Renato Ciasca, com Camila Pitanga e Gustavo Machado nos papeis principais. Quero muito assistir ao filme 🙂

 

Espero muito que tenham gostado da resenha e se já leram este livro me digam nos comentários, ou se já assistiram ao filme, vou adorar saber! 😉

 

Até o próximo post!

EST. 2015

 

 

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4 Comentários

  1. Aloha, Camil Mel! Já quero!
    Desse jeito vou precisar de duas vidas: uma para as obrigações e a outra para os prazeres da vida, como ler livros como esse, por exemplo.
    Desse jeito você vai acabar com tudo, mulé!
    Instigante!
    Bjsss!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies parça! Hahaha se eu pudesse, me acabaria lendo e lendo muito, mas sacomé, rs … Eu recomendo muito essa leitura! 😉 Bjos

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  2. […] todos deveriam ler, principalmente por ser de um autor nacional e pelos temas envolvidos. Confiram: Resenha | Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, por Marçal Aquino ❤ […]

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