Resenha | Quinze dias, por Vitor Martins

Sobre uma leitura contra o preconceito, seja ele qual for… 

Oies Bookaholics!

Agora que o semestre está acabando consigo ter muito mais calma e ler (não consigo evitar, rs) aquilo que eu quero! Haha Não estava nos meus planos ler este livro agora, mas alguma coisa me fez querer lê-lo assim que saí do evento de lançamento (confiram: Lançamentos | Quinze Dias (Vitor Martins) e O sorriso da Hiena (Gustavo Ávila)).

O autor, Vitor Martins, também é booktuber, ou melhor youtuber (porque seus vídeos não são só sobre livros) e acompanho o canal desde meados de 2015, se não me engano. Eu gosto muito do estilo do Vitor, e no final do ano passado quando ele divulgou que publicaria um livro nesse ano eu fiquei radiante 🙂 Pelo tempo muito corrido eu não divulguei a notícia aqui no blog, mas esse post fará jus ao trabalho incrível do Vitor, (assim eu espero)!

Ah, e antes de mais nada: eu apoio todo o tipo de literatura, e destaco o trabalho dos booktubers brasileiros, confiram: Resenha | Boa noite, por Pam GonçalvesResenha | Azeitona, Por Bruno Miranda e Resenha | O amor nos tempos de #likes, Por Pam Gonçalves, Bel Rodrigues, Hugo Francioni e Pedro Pereira  

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  • Título original: Quinze dias
  • Autor: Vitor Martins
  • Editora: Globo Alt
  • País: Brasil
  • Gênero: Romance / Young Adult
  • Lançamento: 2017
  • 208 páginas
  • Classificação: 5 / 5 ❤ ❤

Sinopse: Felipe está esperando esse momento desde que as aulas começaram: o início das férias de julho. Finalmente ele vai poder passar alguns dias longe da escola e dos colegas que o maltratam. Os planos envolvem se afundar nos episódios atrasados de suas séries favoritas, colocar a leitura em dia e aprender com tutoriais no YouTube coisas novas que ele nunca vai botar em prática. Mas as coisas fogem um pouquinho do controle quando a mãe de Felipe informa que concordou em hospedar Caio, o vizinho do 57, por longos quinze dias, enquanto os pais dele não voltam de uma viagem. Felipe entra em desespero porque a) Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e existe uma grande possibilidade dessa paixão não ter passado até hoje) e b) Felipe coleciona uma lista infinita de inseguranças e não tem a menor ideia de como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz, tranquilidade e maratonas épicas de Netflix acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, que obrigarão Felipe a mergulhar em todas as questões mal resolvidas que ele tem consigo mesmo.

 

Por ser do gênero Young Adult (Y.A), tem todos os elementos “básicos”: o primeiro amor, inseguranças, o ensino médio e elementos da cultura pop que nos rodeia. Mas o livro de estreia do Vitor Martins, vai muito mais além dos livros que estamos acostumados a ler. Eu preciso listar os motivos que me fizeram amar Quinze Dias e se tornar um dos melhores livros lidos desse ano! 😉

 

  • Representatividade

Eu sou gordo. Eu não sou “gordinho” ou “cheinho” ou “fofinho”. Eu sou pesado, ocupo espaço e as pessoas me olham torto na rua. (Pág. 7)

As primeiras frases do livro já indicam que o Felipe, personagem principal, foge dos padrões de beleza que nos são impostos. Felipe tem 17 anos e está no último ano do ensino médio, sofre bullying por ser gordo e é gay. Felipe é tímido, tem vergonha de ser do jeito que é, adora ler e as coisas geeks. Impossível não enxergar o Felipe como o Vitor, porque sim! mas também muita coisa do Vitor no Caio. A história conta sobre o primeiro amor e o relacionamento de Felipe com o vizinho Caio, então sim, estamos falando de um livro na temática LGBT.

Além disso, preciso destacar (e elogiar) dois personagens da história: Beca e Olívia. Sobre a Beca não posso dar muitos detalhes para não dar spoilers, rs … Mas sobre Olívia eu faço questão! Olívia é a psicóloga de Felipe e me senti muito feliz pela forma que foi retratada:

Ela é a mulher mais alta que eu já vi na vida, tem a pele negra, um cabelo crespo cheio, sempre amarrado de um jeito diferente com lenços ou turbantes, e suas roupas são elegantes. (Pág. 58)

Vamos lá, quantos livros, filmes ou séries vemos negros em profissões ou cargos de destaque e prestígio, hein? As coisas têm mudado de um tempo para cá, mas como mulher negra, me senti muito representada por ter uma descrição tão clara sobre cabelo crespo ❤

 

  • Escrita envolvente e tom numa medida certa

O livro tem uma escrita tão envolvente que o narrador compartilha e dialoga com o leitor o tempo todo. Mas não tem uma forma chata e maçante, por muitas vezes me ri dando várias risadas e também me emocionando. Narrado em primeira pessoa, não foi uma leitura que me deixou entediada e foi muito legal ir “vivendo” as surpresas e experiências com o protagonista. Os temas abordados são pesados, mas o tom do livro estava numa medida certa, sem apelar demais para o drama ao mesmo tempo sem ficar na superficialidade. Os diálogos são interessantes e na maioria das vezes muito engraçados! Há várias referências de filmes, séries e a cultura pop, fazendo-nos identificar e nos aproximar da história.

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  • Desenvolvimento do romance

Um dos poucos livros que não que o romance foi aquela coisa forçada sabe? Nas 200 e poucas páginas do livro, vemos o relacionamento de Caio e Felipe se desenvolver de forma até que natural, se levarmos em conta que os dois precisam passar quinze dias de férias dividindo o mesmo quarto, rs Mas senti que as inseguranças dos dois foi muito bem trabalhada, nos faz torcer pelo casal e vibrar com cada conquista ao longo desses quinze dias.

 

  • Relacionamento familiar

Como não amar Rita, a mãe de Felipe. Ela é incrível, e relação dela com o Felipe é muito bonita, eles são amigos, conversam (lembra muito a minha em algumas características) e tem um coração enorme. Até me fez lembrar dos pai de Lola, em Lola e o garoto da casa ao lado (Stephanie Perkins):  assim como Rita, são companheiros, conselheiros e sabem dar uma bronca sem dar uma bronca, rs … Estão sempre abertos a escutar e chorar junto quando necessário. ❤ Em contrapartida, os pais de Caio, ênfase melhor na mãe, são totalmente o oposto. Ela não aceita a sexualidade do filho, não quer que ele conviva com “más companhias”, no contexto LGBT vocês entendem né?, E ainda é super protetora, afinal, que mãe precisa deixar o “filhinho” de 17 anos na casa da vizinha durante uma viagem em vez de deixar o menino sozinho em casa?

 

 

Foi uma leitura que eu adorei muito, veio na hora certa! Acredito que o autor tem tudo para escrever mais e estou ansiosa pelos seus próximos trabalhos. Espero que mais livros com essa temática para romper com os preconceitos. Eu super recomendo e espero que gostem muito, assim como eu gostei! 🙂

Para aguçar ainda mais o interesse de vocês por essa leitura eu indico o vídeo em que o Vitor falar sobre as 15 curiosidades (SEM SPOILERS) sobre Quinze Dias:

 

Me digam nos comentários se conhecem o canal do Vitor, ou algum outro livro nessa temática LGBT, preciso expandir meus horizontes, rs  😉

 

Até o próximo post!

Camila Melo

 

Me acompanhem nas redes sociais *Skoob / *Instagram / *Facebook / * Filmow

 

 

 

 

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6 Comentários

  1. Me pareceu muito bom!! Me deu vontade de ler! Bjs

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    1. Ju, sim, é uma leitura bem leve, quebra um pouco o ritmo de livros tão pesados que estamos acostumadas a ler, sabe? rs Bjos

      Curtido por 1 pessoa

      1. Eu estou vindo de uma carreira de livros pesados….rs….nessas férias vou pegar uns mais tranquilos! Bjs!

        Curtido por 1 pessoa

        1. Sei muito bem como é, rs! 😉

          Curtido por 1 pessoa

  2. […] Confiram: Resenha | Quinze dias, por Vitor Martins […]

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