Diário da Faculdade | Sobre a minha primeira aula como professora

“A literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob a pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e portanto nos humaniza” 

(Antonio Candido, in A literatura como direito do ser humano)

 

Oies Bookaholics!

Adivinhem quem estreou como professora? Haha Eu já comentei no post de Aniversário do blog: Dois anos de A Bookaholic Girl sobre como 2017 tem sido um ano cheio de surpresas para blog e consequentemente para mim, e essa, foi mais uma dessas surpresas!

Quando eu iniciei o curso de Letras, não queria ir para a sala de aula de jeito nenhum! No post de 1º Ano do Curso de Letras | FFLCH – USP eu explico muito bem isso, (vale a pena conferir 😉 ) No início do segundo ano fiquei muito empolgada com a área de Editoração (mais detalhes: USP | Introdução à Editoração ), que não faze parte do curso de Letras e no final do ano passado me interessei muito por Teoria Literária e Literatura Comparada (confiram: Diário da Faculdade | Teoria Literária e Literatura Comparada).

Em meados de abril, eu conheci o Victor, amigo da minha amiga Jéssika, todos nós cursando Letras (eu a Jéssika no 3º ano e o Victor no 1º). Os dois dão aulas em um cursinho comunitário na cidade de Carapicuíba (região da Grande São Paulo), o Victor além de dar aulas também faz parte da coordenação e direção do cursinho. E surpreendentemente numa conversa de 5 minutos no corredor ele me convenceu a dar uma aula. Como tenho mais facilidade em Literatura, perguntei se seria possível uma aula sobre Vidas Secas, leitura obrigatória da FUVEST. E sim, seria possível, para o meu desespero! rs 😉

Eu tenho uma relação de muito amor com a obra, e vocês podem conferir melhor no meu post Resenha | Vidas Secas, por Graciliano Ramos ❤ Eu pude analisá-la com mais profundidade no semestre passado, então além de ter aulas sobre o livro, eu também li vários textos de apoio diferentes com as visões do trabalho de Graciliano Ramos.

Mas falando um pouco mais sobre o Prestes Vestibulares… Qual o propósito do cursinho?

O Prestes Vestibulares nasceu em 1999 a partir de iniciativas de estudantes da USP, e alunos recém-saídos do ensino médio de escolas públicas de Carapicuíba. Percebendo que muitos alunos egressos de escolas públicas não tinham condições de arcar com as despesas de um cursinho pré-vestibular comercial, e que desejosos de cursar uma universidade, não tinham condições de competir com os filhos das elites, passaram a buscar apoio de pessoas sensibilizadas com os anseios do grupo.

Fonte: Página Oficial do Facebook

 

Além das aulas, o cursinho promove vários eventos, exposição de filmes. Vale muito a pena conferir 😉

Depois de reagendarmos algumas vezes por causa dos meus horários e compromissos, a minha aula aconteceu no sábado dia 3 de junho. O Victor e Jéssica me ajudaram muito, tanto na preparação da aula, sobre formato e algumas dicas, e me incentivaram bastante. Aliás, eu recebi muito incentivo! Meus familiares, amigos e colegas da faculdade me apoiaram demais, recebi várias mensagens super fofas! Não tenho palavras para agradecer, de verdade! ❤

Apesar da loucura da faculdade nesse semestre, eu precisava ter essa experiência. E durante a semana que antecedia a aula eu fiquei muito abalada emocionalmente. Não foi fácil, minha mãe foi testemunha disso, tadinha, rs Um filme passava na minha cabeça, sobre as vezes que eu tentei passar na USP e não conseguia, o quanto de sacrifício e empenho eu tive que fazer. Eu sempre trabalhei e estudei, não foi nada fácil, sou negra e da periferia de São Paulo e estou bem distante de ser uma pessoa com uma formação privilegiada.

Comecei a lembrar dos cartazes espalhados pelo prédio da Letras que questionavam: “Para que serve o conhecimento que recebe aqui?” Percebi o quanto eu estava sendo egoísta, em não compartilhar, em não ajudar de alguma forma pessoas que passam pelo  mesmo que eu já passei. Eu realizei um dos maiores sonhos da minha vida, entrar na maior e melhor universidade da América Latina, e foi incrível, nada se compara com a sensação de ver o meu nome na lista dos aprovados nos vestibulares da  UNIFESP (porque também fui aprovada em Ciências Contábeis) e  da FUVEST 2015.

O conteúdo em si nem era tão preocupante para mim, porque eu preparei a aula e tinha 90% de certeza do que eu queria dizer e os pontos para focar. Eu mal dormi na véspera, e aula foi uma das melhores experiências que vivi. Ser chamada de professora pele primeira vez, foi ao mesmo tempo hilário porque eu esqueci que eu que era a tal professora e ao mesmo tempo surreal, porque era algo que eu sonhava quando era criança.

Sempre que perguntavam  o que eu queria ser, eu dizia que seria professora, mas ao longo do tempo, eu desanimei muito com as perspectivas da profissão e como eu disse anteriormente, eu não queria ser professora ao ingressar no curso. Realmente o cenário não é animador, principalmente se pensarmos no ensino básico da rede pública, é desesperador na verdade 😦 (falando nisso, pode interessar 2ª Jornada de Leitores e Leituras na Contemporaneidade – FFLCH / USP).

Apesar do nervosismo e um pouco de hesitação, gagueira em alguns momentos e tentar responder às dúvidas dos alunos, eu tive um feedback muito positivo. Inclusive, já estou conversando sobre a próxima aula 🙂 Mas acredito que aprendi muito mais do que ensinei com essa oportunidade. Eu aprendi que eu preciso sim compartilhar, eu tenho condições de ajudar e motivar outras pessoas (meus alunos), e o mais importante: eu voltei a acreditar na educação como  meio de transformação do mundo!

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Saí apaixonada pela sala de aula e pelo cursinho. Saí com a vontade de fazer mais, ajudar mais, apesar de precisar trabalhar também, tenho várias limitações e sei que não posso assumir muitos compromissos, infelizmente. Mas uma faísca se acendeu no meu coração e eu tive a certeza ser reafirmada de que a sala de aula pode ser sim o meu lugar ❤

Espero que muitas aulas façam parte da minha jornada!

E se você, puder, de alguma forma, compartilhe aquilo que você sabe, busque na sua cidade lugares que você possa contribuir, garanto que a sensação é maravilhosa e muito recompensadora!

 

Até o próximo post!

Camila Melo

 

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17 Comentários

  1. fagulhadeideias · · Responder

    Seu entusiasmo é contagiante! Continue assim 🙂

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    1. Muito, muito, muito obrigada! ❤ ❤ 🙂

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  2. Cah, eu fiquei tão feliz por você! ❤
    Sua história é muito inspiradora, saiba que merece sempre o melhor! Que essa seja a primeira de muitas aulas, professora! Parabéns!
    Beijos ♥

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    1. Bia, você é maravilhosa, sou muito grata por todo seu carinho e apoio! ❤ ❤ Bjos

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      1. Que lindo Cah, eu que agradeço pela sua amizade ❤ ❤ Beijos

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  3. Poxa vida, to emocionada aqui! Parabéns Cah! São de pessoas/professores assim que precisamos. Quem sabe um dia, lutando juntos, a gente consegue fazer com que a educação seja valorizada nesse país!!! Bj grande

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    1. Oies! Uauu, você me deixou sem palavras, obrigada pelo carinho e apoio! ❤ ❤ Bjos

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  4. Também sonho em dar aula, entendo seu entusiasmo e alegria. Espero que conquiste seus alunos assim como conquista seus leitores por aqui. Beijão.

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    1. Oies Nath! Olha “Don’t dream it’s over” ❤ Obrigada pelo carinho, como sempre! Vai om tudo mulher, podemos conquistar tudo que sonhamos! ❤ Bjos

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  5. Confesso que ver você falando assim, com tanta paixão, de uma profissão tão bonita fez com que meu coração se aquecesse um pouco – mesmo sabendo que eu mesma não pretendo seguir por esse lado. Acho que nunca comentei, mas também faço faculdade de Letras (entrei esse ano; é meu primeiro semestre), e um dos motivos que mais me aborreceu foi que percebi que Licenciatura não é pra mim; que não sirvo pra falar em público (eu congelo e travo lindamente) e lidar com tantas cabeças que hoje em dia tendem a ser mais vazias do que curiosas. (É claro que ainda existe muita gente estudiosa e interessada, mas vejo tantos alunos desvalorizando o pessoal dessa área… Fora as dificuldades financeiras que muitos passam, a falta de apoio, os poucos recursos que os professores de escola pública têm… Essas coisas, sabe?)

    Pensei, então, em trocar de curso – o que muitas pessoas me desaconselharam fortemente; mas o que mais sinto é que é o meu lugar ao mesmo tempo em que não é. Talvez deva tentar o bacharelado ou trocar pra algo que também se pareça comigo. Enfim, fico feliz em ver que ainda existem pessoas esperançosas e habilidosas o suficiente como você! E torço pra que as gerações futuras caiam em mãos tão carinhosas e capacitadas quanto as suas! ❤
    Beijo!

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    1. Oies! Roxanne 🙂 Olha, eu sinceramente nem sei o que dizer, concordo em muitas coisas que você diz, está coberta de razão. Como eu disse, o cenário é muito desmotivador, e isso é bem triste, infelizmente. Mas o que eu posso te dizer é, não troque de curso, nem desista; o começo é bem difícil mesmo, e sua percepção pode ir mudando conforme for avançando no curso. Tudo é um processo e sei que as dificuldades que você está passando agora, serão pequenas lá frente. Sei que o financeiro influencia muito na questão da mudança e tals, mas espera pelo segundo semestre pra ver se sua opinião muda ou não 😉 Não esqueça que você está num momento de adaptação e nem sempre as coisas são do jeito que a gente pensou que seria, digo por mim mesma, tantas coisas no curso que não me agradam, e são problemas estruturais que vão demorar muito para serem resolvidos, mas isso é assunto de outro post, rs …
      Enfim, muito obrigada pelo carinho e motivação, saiba que palavras assim significam muito para mim, de verdade! Espero poder te ajudar de alguma forma, e se tiver qualquer dúvida, pode mandar! 🙂 Tenha uma ótima semana! Bjos ❤

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  6. Camila, você é o máximo. É bom saber que existem pessoas como você. Fiquei emocionada com seu texto. Beijão!

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    1. Juju, não me fala essas coisas pq não aguento, shuahsua! Muito obrigada pelo carinho, de verdade! ❤ Bjos

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  7. Queria falar três milhões de coisas sobre esse post. São muitas identificações. É difícil depois de sentir a literatura, a educação dessa forma, querer se dedicar a questões corporativistas. Não quero parecer mto bicho grilo, mas é verdade… rs Parece q nada vai ser tão importante, tão recompensador ou significativo quanto o ensino.
    Tb sempre ouvi que ganharia pco etc., mas, convenhamos, se escolhemos Letras já não estamos pensando em sermos milionárias, né? Rs Vc vai ter uma ótima formação e há vários processos seletivos que pagam um pco melhor, como IFSP, Paula Souza, Sesi… Podemos mesclar escola privada e pública. Há várias alternativas. Vc estando na USP, já pode tentar engatar um mestrado…
    As pessoas adoram dar opinião, eu tb.. hehe Mas se vc estiver sempre atenta e preparada, as oportunidades virão e vc vai ver que há espaço e mta coisa boa nos esperando.
    Sua aula deve ter sido incrível!!
    É o comentário para hoje, mas fiquei pensando váriaaaas coisas…. rs
    Bjs!!!

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    1. Ai Val! ❤ Você como sempre sempre sincera e demais, obrigada pelo carinho… ❤ Bjos

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  8. […] Como esse mês foi uma loucura total com várias provas e trabalhos para concluir o semestre, acabei postando somente sobre a minha experiência dando aula em um cursinho comunitário, e sim, rolaram algumas lágrimas de emoção antes, durante, depois e até mesmo escrevendo sobre. Preciso até agradecer a todos os comentários maravilhosos que vocês deixaram para mim, o apoio, o incentivo. Sério! Vocês não sabem como as palavras de vocês aqueceram o meu coração! ❤ Para quem não viu, recomendo: Diário da Faculdade | Sobre a minha primeira aula como professora 😉 […]

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  9. […] Uma postagem recente que adorei à interação de vocês foi sobre Diário da Faculdade | Sobre a minha primeira aula como professora ❤ […]

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