Resenha | O morro dos ventos uivantes (Wuthering Heights), por Emily Brontë

Oies Bookaholics!

Venho nesse post compartilhar mais uma resenha com vocês! Eu tinha que escolher um romance inglês para fazer um trabalho da faculdade, especificamente na disciplina de Introdução ao Romance (confiram o post Diário da Faculdade | Início do 5º semestre: rotina e expectativas), e como eu já tinha lido o livro achei que seria mais tranquilo, mas a experiência foi muito melhor do que eu imaginava, e não, não foi fácil, rs

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  • Título original: Wuthering Heights
  • Autor: Emily Brontë
  • Editora: Landmark
  • Nacionalidade: Inglesa
  • Gênero: Romance / Clássicos
  • Lançamento: 1847 – Esta edição: 2012
  • 304 páginas
  • Classificação: 4/5

Sinopse: Esta obra foi publicada em 1847 através do pseudônimo Ellis Bell. Hoje considerado um dos grandes clássicos da literatura universal, caracteriza-se como uma grande história de amor amaldiçoado e de vingança, e visto como a mais intensa história de amor já escrita na língua inglesa, tendo recebido fortes críticas quando de sua publicação no século 19. Um ano antes de seu lançamento, as três irmãs Brontë – Charlotte, Emily e Anne – haviam publicado uma coletânea de poemas sob o nome de “Currer, Ellis e Acton Bell”. Nos círculos literários ingleses era crença generalizada que as “Irmãs Brontë” e os “Irmãos Bell” fossem as mesmas pessoas. No entanto, o simples crédito deu margem a controvérsias: qual das irmãs Brontë seria qual dos irmãos “Bell? Correntes de críticos afirmavam que os três pseudônimos pertenciam na realidade à Charlotte Brontë; outros sugeriam que os demais pseudônimos “Bell” não se relacionavam com nenhuma das irmãs, e se referiam a seu Irmão, Branwell. Críticos da época reagiram com indiferença a O Morro dos Ventos Uivantes, comparando-a desfavoravelmente com “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë, enquanto outros achavam o livro excessivamente mórbido e violento. Finalmente, a reavaliação crítica gradual encabeçada pela própria Charlotte resultou no reconhecimento do gênio de Emily e na aceitação de “O MORRO DOS VENTOS UIVANTES” como uma obra-prima singular, representando um distanciamento radical da tradição vitoriana de romance, uma vez que – é fortemente influenciado pelo estilo de lorde Byron e Percy Shelley, em suas poesias, e pelo ar gótico e rebuscado de Horace Walpole (autor do primeiro romance gótico “O Castelo de Otranto”) e por Mary Shelley (autora de “Frankenstein” e “O Último Homem”). O Morro dos Ventos Uivantes possui características ímpares diante de seus contemporâneos: enquanto outros se baseavam em ações complexas, geralmente tortuosas, sua estrutura dramática é resultado do choque de vontades, através de uma rica mistura de romantismo e realismo, transbordando de paixão, turbulência e misticismo. Este livro já foi adaptado mais de vinte vezes para o cinema, rádio e televisão. A versão de William Wyler de 1939, estrelada por Merle Oberon como Cathy e Laurence Olivier como Heathcliff, é considerado um dos grandes clássicos do cinema até os dias de hoje.

A primeira vez que tive contato com essa história foi em 2012, peguei emprestado da biblioteca pois achava que precisava ler mais livros clássicos. Acontece que eu li nessa mesma época “Orgulho e Preconceito” (Jane Austen) e acabei “não achando tudo isso” das duas histórias, e até misturei os enredos e personagens das duas histórias, loucura não é?

Em 2014 eu comprei essa linda edição da Editora Landmark, que faz parte da coleção “Grandes clássicos em edições bilíngues” (inclusive alguns amigos da faculdade tem seus livros dessa coleção), que é em capa dura com jacket, e paguei apenas $ 9,90! Nunca mais vi essa edição por esse preço. Então depois de 3 anos ela saiu da minha estante e foi lida, grande parte em português, mas como precisei escrever o trabalho em inglês em alguns momentos precisei cotejar as duas partes.

Enfim…

Logo nas primeiras páginas percebi que não lembrava de muita coisa da história, e acho interessante como a nossa percepção de leitura muda ao longo do tempo, e olhar de uma obra mudou completamente depois que comecei o curso de Letras.

A obra conta a história da família Ernshaw a partir do momento que o pai leva para casa um menino de rua, Heathcliff. Ele se torna irmão adotivo de Catherine e Hindley, esse desde o começo teve problemas em aceitar o mais novo irmão em casa, e tinha até ciúmes, porque o pai se apegou muito ao “forasteiro”. Em contrapartida, Catherine tinha o menino como companheiro para as suas artes em casa, eram cúmplices até o pai morrer, (a mãe morre antes sem maiores detalhes) e Hindley assume a casa e transforma Heathcliff num empregado da família, humilhando-o.

O espaço em que a história se passa é um ambiente rural e não na metrópole que estava em ascensão devido a Revolução Industrial na Inglaterra nesse período. A propriedade da família Ernshaw se chama “Wuthering Heights” ou como foi traduzido para o português “O morro dos ventos uivantes”, nome que dá título ao livro. Mas boa parte da história também se passa em Thrushcross Grange, a propriedade dos vizinhos (mas que não moravam tão próximos assim), a família Linton.

As coisas ficam mais complicadas quando Catherine se casa com Edgar Linton, mesmo sem amá-lo, seu coração pertencia a Heathcliff, mas ele não tinha posses, e o conceito de casamento naquela época (em alguns casos até hoje) era uma preocupação, já que determinava sua posição social. Após fugir e ficar ausente por dois anos, Heathcliff volta rico e faz de tudo para se vingar de todos, sim, de tudo! Então se preparem porque tem muita treta! rs

Os núcleos familiares construídos por Emily Brontë são bem complexos, bem como seus personagens. Catherine é muito impulsiva e dona de uma personalidade extremamente forte, bem como Heathcliff, que em busca de vingança usa de todos os artifícios, se torna um tirano, dominador, agressivo e muito violento.

O interessante é que a história é contada pela governanta da família, Nelly Dean, então de certo modo, temos uma perspectiva dos dois lados da história, um ponto de vista mais neutro, mesmo que a empregada afirma desde o início que não gosta de Heathcliff.

Um detalhe importante, que concordei ao fazer minhas pesquisas para o trabalho, é que esse é um romance tão complexo que não  deixa o leitor ter certeza sobre quem é bom ou mal na história. Não acho que as atitudes de vingança precisavam chegar aos extremos que chegaram, mas há toda uma raiz, toda uma motivação que explica o porquê de tanto ódio exercido por Heathcliff.

Uma dica que vale para a leitura é procurar na internet uma árvore genealógica do romance, porque é muito fácil se perder aos detalhes e personagens, mesmo porque era costume os pais darem o seus próprios nomes aos filhos. Muita coisa acontece de forma muito rápida e é preciso ter uma “colinha” para não se perder, motivo que não dei 5 estrelas para o livros, rs

A história também envolve elementos góticos com momentos de horror, mistério e sobrenaturais, bem como aspectos religiosos. E como está na sinopse, a sua estrutura dramática se deve de uma rica mistura de dois gêneros, o romantismo e o realismo inglês, na era vitoriana inglesa.

Eu recomendo a super resenha da Karol Rodrigues, do canal Tem Que Ler, ela fala sobre as adaptações cinematográficas, do contexto histórico e a relação de Wuthering Heights com a Saga Crepúsculo:

Como foi fazer um trabalho acadêmico sobre Wuthering Heights

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Eu fiquei surpreendida pelo alto nível de violência que a história possui. Tanto que o tema do meu trabalho foi “Images of domestic violence in Wuthering Heights: power relationships” (Imagens de violência doméstica em O morro dos ventos uivantes: relações de poder). Só para esclarecer, poderíamos escolher qualquer romance britânico publicado entre os séculos XVII e XIX, e, teríamos que focar num ponto da obra e desenvolver uma tese em 5 páginas (sem contar capa e folha com notas e referências bibliográficas) escritas em inglês.

Foi um pouco assustador, principalmente porque eu surtei na véspera da entrega e sim rolaram algumas lágrimas (fora ter bombado numa prova). Mas o programa da disciplina foi enviado desde o dia 2 de janeiro (sem brincadeiras, a profs. nos deu muito tempo para nos preparar), mas eu estava completamente perdida e não sabia qual romance escolher. Só defini no final de março, ou seja, eu tinha um mês para escrever. Além disso, tínhamos a nossa disposição o monitor da disciplina, que é aluno do mestrado. E sem o seu auxílio, eu não conseguira a organizar as minhas ideias transformando-as em um trabalho crível. O monitor (maravilhoso) ainda conseguiu dar um parecer sobre o que eu tinha escrito, apontando alguns pontos que poderia melhorar. Sim, ele foi incrível ❤

Eu também tive ajuda dos ministrantes das oficinas do Laboratório de Estudos do Romance – LERo, me deram indicação de livros que foram base de sustentação para a minha tese. Minha preocupação (além de escrever em inglês) era fazer uma abordagem muito contemporânea nesse livro clássico, porque a minha hipótese gera em torno das relações de poder entre um indivíduo economicamente superior a outro indivíduo.  Para quem acompanha o blog, ou não, o meu interesse de estudos dentro da área de Teoria Literária e Literatura Comparada é a violência, então meio que é um tema que eu quero desenvolver basicamente em todos os trabalhos, rs

Fui orientada pelo monitor a pensar nas seguintes questões: o que gera essa violência, e o que torna essa violência específica no contexto da época. A partir desse esquema foi mais tranquilo pensar na estrutura do trabalho em si e utilizando trechos da história. Se quiserem, posso disponibilizar o trabalho após a correção da professora, e lá tem os textos que utilizei como referência. E espero que eu tenha ido muito bem! 🙂 Oremos!

Assim, O morro dos ventos uivantes é uma leitura que eu super recomendo para todos e mais um clássico que precisa ser lido, debatido e discutido, principalmente por ser um livro escrito por uma mulher. Há inúmeros ensaios e artigos com as mais variadas abordagens na interpretação da obra que nos fazem refletir sobre. Vale muito a pena conferir 🙂

Até o próximo post!

Camila Melo

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19 Comentários

  1. Li há mto tempo e sou apaixonada pelo filme, acho q dos anos 1990, e a música dá Kate Bush 😉 bjs, Cá, boa sorte com o trabalho!!

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    1. Oies! Agora eu preciso ver o filme, rs Vi que tem uma edição de 2012, acho que vou ver as duas e ver qual gosto mais shuahusa. Muito obrigada pelo apoio! ❤ Bjos

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  2. Já iniciei a leitura desse livro e parei por duas vezes, pois me confundia com os nomes, mas depois dessa dica sobre a árvore genealógica do romance vou tentar mais uma vez. Preciso conckuir essa leitura.

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    1. Oies Geo! É bem complicado nesse ponto, mas pode acreditar, com a árvore ajuda muito 😉 Quando ler quero saber o que vc achou 😉 Bjos ❤

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  3. Oies, Cami! Seu trabalho deve estar incrível! Quero ler! Curioso notar no livro da Emily elementos recorrentes na prosa romântica europeia, principalmente n’O Conde de Montecristo do francês Alexandre Dumas. No livro, o heroi Edmund Dantès sofre preconceito de classe, desaparece, retorna rico com sede de vingança. Montecristo foi publicado em 1844. Parabéns pela resenha, sempre fantástica! Um bigbeijo!

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    1. Companheiro! 🙂 Eu espero que o trabalho esteja mesmo, pq olha, me tirou a tranquilidade (como sempre) hahaha. Eu não conheço nada da obra de Alexandre Dumas (novidade, rs), mas agora fiquei curiosa e vou ler, muito obrigada pela dica, pela visita, pelo carinho e apoio! ❤ Bjos

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      1. A edição da Zahar está muito bem cuidada. Vale a pena.

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        1. É uma edição de bolso né?

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          1. Sim. De bolso e capa dura. Não encontrei edição melhor. Vale!

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  4. Menina que resenha gostosa de ler! Nossa, tantos detalhes, e seus comentários, tipo análise por causa do seu curso deixou ela super completa! (assim como todas as outras resenhas que já li aqui) E esse livro! Não sei o motivo, mas gosto demais dele ❤

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    1. Geo, sua linda! Seus já disse o quanto seus comentários me motivam? ❤ Eu meio que me apaixonei pela história nessa releitura! Muito obrigada pelo carinho ❤ Bjos 🙂

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      1. ❤ ❤ ❤

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  5. fagulhadeideias · · Responder

    Amei seu post!

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    1. Oies! Fico muito feliz por isso 🙂 Bjos

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  6. Oiiieee.
    Eu sempre tive vontade de ler esse livro. Mas nunca comecei realmente a leitura. A história desse casal me deixa com “água na boca” pois imagino o quão difícil deve ser se apaixonar em um mundo onde só existe o preconceito. Amei sua resenha. Ela acabou me dando maior fôlego para ler o livro. Beijos.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Jessica! Fico muito feliz em poder despertar a sua curiosidade e te motivar a conhecer essa história. ❤ Espero que você curta bastante, e quando ler, me diga o que achou, ok? 😉 Bjos ❤

      Curtido por 1 pessoa

  7. […] 19/60 – O morro dos ventos uivantes / Wuthering Heights (Emily Brontë) […]

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  8. […] Essa minha edição é da Editora Landmark, é em capa dura (hardcover) e jacket. Confiram a resenha completa: Resenha | O morro dos ventos uivantes (Wuthering Heights), por Emily Brontë. […]

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  9. […] 8. Jane Eyre: obra de Charlotte Brontë, o enfoque da obra foi nos elementos góticos na obra. Foi muito interessante aprender sobre o conceito de gótico e como se desenvolveu ao longo do tempo. Mais uma obra que entrou para a minha listinha (infinita) de livros para ler. 🙂 E sim, ela é irmã de Emily Brontë, autora de Wuthering Heights (O morro dos ventos uivantes) Confiram: Resenha | O morro dos ventos uivantes (Wuthering Heights), por Emily Brontë 🙂 […]

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