Resenha | Os sofrimentos do jovem Werther, por Goethe

Oies Bookaholics!

 

As resenhas andam um pouco sumidas por aqui, mas aos poucos vou colocando em dia! (assim espero, rs). Essa leitura foi “meio que obrigatória” para a disciplina de Literatura Brasileira 3, em que está sendo abordado o Romantismo. Digo que foi meio que obrigatória porque o livro fazia parte da introdução do romantismo (junto com mais 3 livros), além dos 4 demais livros do romantismo brasileiro. Isso para vocês terem uma ideia de como está sendo esse semestre, haha.

Eu resolvi ler porque eu tenho a linda edição da Coleção Grandes Nomes da Literatura da Folha, em que eu estou fazendo um projeto de leitura. 🙂 Posso dizer que foi uma leitura que me agradou muito e vou utilizar de algumas anotações da aula para apresentar melhor as ideias para vocês!

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  • Título original: Die Leiden des jungen Werthers
  • Autor: Johann Wolfang von Goethe
  • Gênero: Clássicos / Literatura Alemã
  • Lançamento: 1774 – Edição: 2016
  • 144 Páginas
  • Classificação: 4/5

Sinopse: A literatura alemã divide-se em antes e depois de Os Sofrimentos do Jovem Werther, que chega às livrarias brasileiras nesta nova e brilhante tradução de Marcelo Backes.Ao escrever Werther, em 1774, Johann Wolfgang Goethe alcançava sua primeira obra de sucesso e, de quebra, dava início à prosa moderna na Alemanha. Werther não é, simplesmente, um romance em cartas assim como Nova Heloísa de Rousseau ou Pamela de Richardson. Esta que é uma das mais célebres obras de Goethe é o romance de uma alma, uma história interior. Dilacerante, arrebatada é a história de uma paixão literalmente devastadora. Com enorme repercussão quando do seu lançamento, Werther foi um testemunho de como a literatura tinha poder de agir na sociedade. Não foram poucos os suicídios atribuídos ao romance. Johann Wolfang von Goethe nasceu em Frankfurt em 1749 e morreu em Weimar em 1832. Poeta, romancista, dramaturgo, crítico, estadista, tornou-se um dos maiores vultos do pensamento alemão, tendo influenciado várias gerações. Em 1775, a convite do Duque Carlos Augusto, foi administrador de Weimar, onde destacou-se brilhantemente como administrador, financista e estadista. Deixou vasta obra, onde se destacam, entre outras, Werther, Ifigênia, Elegias Romanas (poesia), Fausto, Teoria das Cores, Viagem à Itália, Poesia e Verdade.

Desde o meu primeiro ano no curso de Letras esse livro é citado, mas só agora que estou no terceiro ano tive a possibilidade de lê-lo. Mas aí vocês podem estar se perguntando: por que ler um livro de literatura alemã para a disciplina de literatura brasileira? A questão é que para entender como tais movimentos literários se deram no Brasil, é necessário buscar a origem desses movimentos, e quando se trata de literatura a maioria pioneira está na Europa. No caso do romantismo, principalmente na literatura francesa e inglesa.

Mas há um diferencial em Goethe com “Os sofrimentos do jovem Werther”. Utilizando as palavras de Vinícius Torres Freire, colunista da Folha, na quarta capa desta edição:

“[…] Mas este primeiro romance de Goethe (1749-1832), mestre maior da literatura alemã, foi ainda uma obra que marcou uma virada importante nas ideias artísticas, morais e sociais na do final do século XVIII, e se tornou precursor do romantismo. […]”

Mas do que se trata a obra? É a história de Werther, um jovem que está sofrendo por um amor não correspondido por Carlota, uma mulher casada. A partir da narrativa de cartas somos levados aos pensamentos, sentimentos e sofrimentos desse jovem.

“Por que é que as coisas têm de ser assim, e o que faz a felicidade do homem se transformar também na fonte de sua desgraça…” (Pág. 58)

Para desmistificar a ideia de que livros clássicos são chatos ou muito difíceis de ler por ter uma linguagem muito rebuscada, posso afirmar que esse livro está muito longe desses pré-conceitos, e olha que estamos falando de um livro do século XVIII. Se levarmos em conta a temática, quem nunca sofreu por um amor não correspondido, principalmente quando se é mais jovem, não é mesmo? E o que facilita muito a compreensão da história, é que nessa edição há várias notas de rodapé para auxiliar o leitor.

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(Imagens fortes para quem não gosta de marcar, riscar e escrever nos livros, rs)

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Eu fiz a leitura de forma bem rápida e também sofri com Werther, é um livro melancólico que não trata apenas das desilusões amorosas, mas faz uma crítica da sociedade da época, há uma aproximação da natureza, característica típica do romantismo, e um principalmente uma busca de eu, uma busca de si mesmo.

Para Wether, o homem está fadado à solidão, e, a vida é uma encenação, ele se vê como uma fantoche. A vida social, socialização é uma encenação, por isso, uma das medidas é buscar o consolo e as respostas para seus questionamentos ao se voltar para uma vida reclusa na natureza.

De acordo com as minhas anotações em sala de aula com base nos comentários do meu professor, Marcos Flamínio, há uma centralização do eu, por ser um único narrador na primeira parte da obra, mas Goethe utiliza o recurso de um editor na segunda parte, como um detetive para analisar os fatos que culminaram ao final da história. O intuito é mostrar que nessa ficção há um ato de legitimar a história, criando um efeito de verdade a partir da inserção desse editor.

Outro ponto que foi destacado é a importância do coração, como uma medida de valoração de um indivíduo. Na primeira carta é um termo que se repete por 5 vezes e diz respeito aos questionamentos de “quem sou eu”, uma busca pelo eu que desenvolve ao longo do livro.

Falando um pouco sobre a natureza, é comum ver nas obras românticas (obras do romantismo) uma fuga dos personagens da cidade para áreas mais isoladas da natureza, mas no caso de Werther, a natureza não se dá como elemento de salvação do indivíduo.

Uma ideia que foi apresentada durante a aula e que me chamou atenção foi que a obra é um romance de amor, mas o jovem Werther não é vítima do amor, é vítima da sua imaginação, da sua idealização do amor que poderia ter com Carlota. Isso porque a imaginação surge antes do amor, o amor é uma vítima da imaginação. É a ideia do amor pré-romântico.

Werther também é um leitor voraz, e conforme a relação de Werther e Carlota vai mudando as leituras do jovem também, com citações de Homero a Ossian, e como curiosidade cabe esclarecer que Goethe era tradutor de Homero.

Alguns trechos interessantes:

“[…] Se me perguntares como são as pessoas por aqui tenho de te responder: como em todo lugar! É uma coisa bastante uniforme a espécie humana. Boa parte dela passa seus dias trabalhando para viver, e o poucochinho de tempo livre que lhe resta pesa-lhe tanto que busca todos os meios possíveis para livrar-se dele. Oh destino dos homens.” (Pág. 14)

“Que as crianças não sabem o porquê de desejarem algo, todos os pedagogos estão de acordo. Mas que também homens feitos se arrastem como crianças, titubeando sobre a face da terra, e, exatamente como elas, não saibam de onde vêm e para onde vão, até mesmo que não têm um fim determinado para suas ações, igualmente governados por biscoitos, balas e chibatas, ninguém faz gosto em acreditar. Quanto a mim, parece-me que não há realidade mais palpável do que essa.” (Pág. 17)

“Não basta o fato de não podermos nos tornar mutuamente felizes? Temos ainda de nos privar um ao outro do prazer que cada qual pode gozar no íntimo do seu coração? Citai-me um só homem que, adoecendo de mau humor, seja, não obstante, bravo o suficiente para dissimulá-lo, guardá-lo só para si, sem acabar com a festa dos que o rodeiam! Não será o mau humor muito antes uma insatisfação íntima com a nossa própria indignidade, um descontentamento com nós mesmos, que sempre vem atado a uma inveja, fomentada por uma vaidade insana? Vemos homens felizes cuja felicidade não é obra nossa e isso nos resulta insuportável.” (Pág. 40)

Eu super recomendo a leitura desse clássico e incentivo muito vocês a lerem! 🙂 Se já leu, me diga nos comentários o que achou, vou adorar saber! 😉

Até o próximo post!

Camila Melo

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8 Comentários

  1. Camil, faltou mencionar que além de se voltar para a natureza, uma das características do Romantismo, Werther demonstra um apreço muito grande pelas crianças, os “filhos” de Carlota, influenciado pelas ideias de Rousseau acerca do aprendizado. Amei seu texto! Xou!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oies! Sim, eu até anotei isso, mas preferi não colocar na resenha pq não ia conseguir colocar de forma tão resumida kkk … Mas obrigada! ❤ Bjos

      Curtido por 1 pessoa

  2. […] Joaninha é descrita como um estereótipo de pureza, preservação de inocência, ainda mais pela casa ser situada no Vale de Santarém, lugar que remete o jardim do Éden, e possibilita ao homem ser um ser mais natural. Aliás, uma das características do romantismo é a natureza, e há passagens com vários atributos positivos sobre.  (Recomendo a resenha de Os sofrimentos do jovem Werther, por Goethe) […]

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  3. Ótima resenha!! Bjs!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Ju! Muito obrigada! 🙂 Bjos ❤

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  4. […] 15/60 – Os sofrimentos do jovem Werther, por Goethe […]

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  5. […] introdução ao romantismo: Paulo e Virgínia (Bernadin de Saint-Pierre) da literatura francesa e Os sofrimentos do jovem Werther (Goethe) da literatura […]

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  6. […] uma comparação com Os sofrimentos do jovem Werher (Goethe), e acabei não fazendo (Confiram: Resenha | Os sofrimentos do jovem Werther, por Goethe). Quando peguei a correção do professor ele justamente cobrou a relação dessa obra ou outras […]

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