“C. fez menção de passar por ele. O marido a agarrou pelo braço. Seus dedos a apertavam.

– Ei – disse ela – Isso dói.

Fazia parte do jogo a sua reação inicial ser sempre de indignação e surpresa, como se aquilo nunca tivesse acontecido, como se ele talvez não soubesse o que estava fazendo. Ele apertou com mais força. […] Dava a impressão de que era uma decisão consciente: quanto exatamente queria machucá-la.” 

(Pequenas grandes mentiras, por Liane Moriarty)

Oies Bookaholics! Estou lendo o livro “Pequenas grandes mentiras” da autora Liane Moriarty e essa cena me cortou o coração, me deixou agoniada, triste, revoltada, mas infelizmente não me deixou surpresa. Essa leitura faz parte do Projeto Quatro por Quatro e no próximo mês terá resenha, aguardem 😉

Quando pensei no projeto Mulheres na Literatura 2017, eu não tinha planejado fazer alguma postagem específica sobre a temática de violência doméstica, porém alguns acontecimentos nas últimas semanas me fizeram repensar e levantar questionamentos.

No final de fevereiro, a esposa do cantor Victor Chaves, da dupla Victor & Léo, o acusou de agressão, detalhe, ela está grávida. A dupla faz parte do time técnico do The Voice Kids Brasil, e desde as notícias do ocorrido, a produção do programa afastou o cantor. Já no início desse mês, o goleiro Bruno, foi solto após ser acusado do assassinato de sua ex-mulher Eliza Samúdio, por não querer pagar pensão alimentícia ao filho do casal.

O que chama atenção nesses dois casos, além de envolver pessoas conhecidas pela mídia e pelo público, é reação escrota das pessoas. No caso de Poliana, os comentários que li sobre era que era mentira porque ela não quis fazer exame de corpo de delito (não incentivo ninguém a ler os comentários de notícias desse tipo, é desesperador). No caso de Bruno os “fãs” esperavam o goleiro para tirar “selfies”, como se ele fosse uma celebridade, e não uma pessoa que foi condenada e liberta por um crime tão bárbaro como foi com Eliza. Isso porque nem vou entrar em debate sobre a posicionamento da “Justiça” no Brasil e os clubes que queriam contratar o goleiro. Muitos acreditam que o goleiro pode ser inocente já que o corpo da modelo nunca foi encontrado, e segundo a perícia o corpo poderia ter sido comido por cães.

Mas vamos tentar esclarecer o que seria a violência doméstica…

  • O que é a violência doméstica? 

Segundo Agência Patrícia Galvão, violência doméstica se mostra da seguinte forma:

“Uma das imagens mais associadas à violência doméstica e familiar contra as mulheres é a de um homem – namorado, marido ou ex – que agride a parceira, motivado por um sentimento de posse sobre a vida e as escolhas daquela mulher. De fato, este roteiro é velho conhecido de quem atua atendendo mulheres em situação de violência: a agressão física e psicológica cometida por parceiros é a mais recorrente no Brasil e em muitos outros países, conforme apontam pesquisas recentes. A recorrência, porém, não pode ser confundida com regra geral: a relação íntima de afeto prevista na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) não se restringe a relações amorosas e pode haver violência doméstica e familiar independentemente de parentesco – o agressor pode ser o padrasto/madrasta, sogro/a, cunhado/a ou agregados – desde que a vítima seja uma mulher, em qualquer idade ou classe social.”

Confiram também esse vídeo da Superinteressante que detalha melhor a temática:

Quando envolve casos de agressão doméstica (e nem vou mencionar os casos de estupro porque entram na mesma linha de pensamento) há sempre o questionamentos. A palavra da mulher, ou o silenciamento delas, como no caso de Eliza Samúdio, sempre é posto em dúvidas, será verdade ou não? Ela fez para aparecer, para ganhar dinheiro, para aparecer na mídia, etc…

O que surpreende é que é de conhecimento de muitos casos de violência contra a mulher. Você provavelmente conhece, no mínimo, uma mulher que sofre ou já sofreu violência doméstica. Não estou exagerando! Pare para pensar: no seu círculo de pessoas da sua convivência, quantas vezes você já teve conhecimento de alguma mulher da sua família, amiga ou vizinha, ou até mesmo alguma conhecida que já foi agredida pelo parceiro?

O assunto é muito sério, segundo a Pesquisa Violência e Assassinatos de Mulheres (2013),:

  • para 70% da população, a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil;
  • entre os entrevistados de ambos os sexos e de todas as classes sociais, 54% conhecem uma mulher que já foi agredida por um parceiro e 56% conhecem um homem que já agrediu uma parceira.

Diante disso fico me perguntando, que tipo de sociedade é essa em que vivemos que além de ter homens agredindo e matando suas parceiras, também é conivente com tais posturas? O cenário é desesperador, o medo e insegurança da mulher não estão somente à noite nas ruas, está muito mais próximo do que se pode imaginar, ou melhor, do que as pessoas fingem que não sabem!

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Até o próximo post!

Camila Melo 

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10 comentários em “Por que falar sobre violência doméstica?

  1. Olá, Camila Melo. Muito bom assunto que você abordou com bons esclarecimentos. As agressões e comportamentos impróprios aplicados principalmente a classe feminina é um enorme absurdo. Respeitar os direitos igualitariamente seria um bom começo, esperamos mais dignidade e respeito com as mulheres e pessoas oprimidas. Super apoio sua visão sobre os fatos descritos. Irei procurar o livro Pequenas grandes mentiras para ler, obrigado pela dica.
    Um forte abraço!
    Rodolfo Rodrigo.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Rodolfo! Fico muito contente por vc ter gostado do post, infelizmente esse tema não é levado tão a sério, parece que não tem tanta importância e poucas medidas são tomadas 😦 Eu ainda não finalizei o livro, mas estou adorando, espero que você goste também! 😉 Bjos ❤

      Curtido por 1 pessoa

  2. Oiii Ca! Adorei o post e acho que as informações que troxe deveriam ser mais divulgadas. Eu sinto como se a sociedade é total doentia, como se fazer mal – seja para qualquer pessoa – fosse algo bom. Infelizmente a mudança de comportamento do mundo com a mulher vai demorar para acontecer. É um processo de reeducação e a cada dia, a sociedade para que só piora. Estamos vivendo em um mundo onde a liberdade é mera ilusão. Beijos

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oies Isa! ❤ É bem isso que vc falou, a sociedade é extremamente doentia e propaga discursos do tipo "bandido bom é bandido morto", volta da ditadura e afins, claro, enquanto não for vc ou alguém da sua família ou amigos envolvidos. Eu tbm sinto que vai demorar muito para as coisas mudarem para nós, são passos muito pequenos, mas acredito que um dia haverá igualdade de gênero, respeito. Mesmo que seja difícil (quase impossível), ainda acredito! Bjos ❤

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