Diário da Faculdade | Inseguranças…

Oies Bookaholics!

Hoje quero falar de uma realidade que me acompanhou durante todo o ano de 2016: INSEGURANÇAS. Antes de mais nada vou indicar para vocês os posts que já estão disponíveis sobre o meu 2º ano no curso de Letras na FFLCH/USP:

 

Mas por que as tais inseguranças me perseguiram durante todo o ano? Bem simples, acho que duas razões foram essenciais para isso, a primeira razão posso atribuir aos tantos problemas que a USP teve no ano passado, e a segunda devido à pressão por ter um ótimo desempenho nas disciplinas. Não vou detalhar a primeira razão porque falei bastante no post “Em busca de controle emocional” e sim à segunda razão.

Na Letras sofremos pressão a graduação inteira, depois de passar pelo tão sofrido vestibular da FUVEST, precisamos obter nota suficiente para cursar a habilitação que desejamos, o “ranqueamento”. Como isso funciona? No primeiro ano todos os calouros da Letras tem as mesmas disciplinas e ao final do ano podem escolher dentre as 16 línguas oferecidas e a linguística, a sua habilitação ao longo do curso, isso porque não tem professores suficientes para atender todos os alunos, então são delimitadas um número específico de vagas para cada habilitação.

Meu sonho sempre foi fazer Português-Inglês, e além de ficar preocupada em não conseguir ranquear para o Inglês, tinha outro problema: de todas as línguas oferecidas como habilitação o Inglês é o único que não oferece disciplinas de língua. Ou seja, já é esperado que o aluno saiba ler, falar e entender o idioma, já que todas as aulas, provas e trabalhos precisam ser na língua inglesa. Desesperador? Sim, porque eu fiz curso de inglês há muito tempo atrás e esqueci muitas coisas, nunca tive a experiência de fazer intercâmbio e estudar mais a fundo. Todo mundo fala que há muito elitismo em relação a isso e eu concordo plenamente, acreditam que todos os alunos tiveram as mesmas oportunidades de praticar e que são fluentes na língua, sendo que alguns só tiveram contato com a língua durante as aulas na rede pública.

Assim, depois que eu consegui ranquear eu fiquei muito aflita, pensando que não conseguiria entender nada, que seria reprovada nas matérias, e que teria que esperar mais um ano para tentar uma outra língua, o “reranqueamento”, que não é uma garantia também, porque depende dos alunos que desistiram da habilitação que você quer mudar. Lembro que na primeira aula do Inglês eu estava muito nervosa, como seu eu fosse prestar o vestibular novamente, mas para a meu alívio tive aulas com professores maravilhosos que explicavam a matérias bem devagar e eu conseguia entender uns 85% das aulaa. Claro que eu tinha mais dificuldades para ler os textos e tinha que prestar muita atenção durante as aulas, o tempo todo para não perder nada.

Tive que apresentar seminários, escrever trabalhos e fazer avaliações e era um tormento. Me sentia insegura o tempo todo, e o mais cômico e constrangedor momento da minha vida foi misturar português e inglês durante a apresentação de um seminário sobre conjunções, justamente na parte em que eu precisava comparar como funciona em cada língua. Foi terrível, mas consegui passar com médias satisfatórias até, rs … Com isso, para tentar minimizar meu estresse e insegurança, um dos meus objetivos é voltar a ter aulas de inglês nesse ano, em área específicas.

Agora por que essa pressão por ótimos desempenhos nas disciplinas, ou seja, notas altas? Dois motivos que me fazem perder o sono:

1. Intercâmbio: a USP tem convênio com inúmeras universidades públicas ao redor do mundo e como não há vagas suficientes para todos, um dos maiores critérios é que o aluno obtenha uma média ponderada muito alta. Todas as suas notas, desde o primeiro semestre, são computadas ao longo da graduação, então meu objetivo é sempre aumentar a minha média ponderada a cada semestre. É exagero? Eu acredito que não, porque já pensou na possibilidade de você poder fazer intercâmbio de graça durante, por sei lá, seis meses? Isso eu digo dependendo da bolsa oferecida, e são bolsas de todos os tipos: valores parciais, integrais, com 3, 6 ou 12 meses de duração, depende muito do edital. Ah, e só para esclarecer é bem comum essa prática no meio acadêmico, o aluno tranca o semestre e quando volta retoma de onde parou, por isso que muitos alunos não conseguem finalizar a graduação em 5 anos, além do trabalho, claro.

2. Critério para desempate: outra questão interessante é que temos a opção de escolher os professores de algumas matérias obrigatórias que não são da habilitação (mudaram algumas coisas no ano passado, infelizmente), e um dos critérios que o sistema utiliza para classificar os alunos é pela média ponderada. Bem como para as escolhas das matérias optativas, que são muito requisitadas. Claro que podemos tentar conversar com o professor dessas disciplinas e tentar pedir “requerimento” quando a turma está lotada (algo muito frequente e que chamamos de ser “chutado” pelo sistema), mas isso não é uma certeza, já que tem professor que não aceita requerimento ou a sala disponível não comporta todos os alunos, enfim, é muito frustrante. Já consegui o requerimento para disciplinas duas vezes, que eu considero verdadeiros milagres ao longo dessa graduação, rs!

Mas o que aconteceu comigo foi que eu comecei a estagiar, e mesmo que sejam, apenas 6 horas por dia, eu fico exausta. Primeiro que São Paulo tem uma característica marcante chamada trânsito infernal, e que um percurso que você faria em 1 hora, por exemplo, pode levar até 2 horas ou 2 horas e meia dependendo do clima e de acidentes no caminho. Por exemplo, se eu entro às 10 no estágio, preciso sair de casa por volta das 8:10, já ouviram falara na Rodovia Raposo Tavares? A gente perde muito tempo no trânsito! 😦

Enfim, eu preciso trabalhar e o estágio já é bem mais flexível que um emprego comum de 8 a 9 horas de jornada de trabalho, além de eu ter um gestor maravilhoso que me apoia e me libera todas as vezes que eu preciso ❤ . Pela legislação, quem é estagiário tem o direito de sair 3 horas antes em dias de avaliação, e eu tenho essa oportunidade, mas posso confessar para vocês de que na véspera de todas as minhas avaliações no ano passado eu não conseguia dormir de tão preocupada e ansiosa que ficava. A insegurança era maior principalmente nas matérias que eu já mencionei que foram uma decepção para mim, porque eu tinha na minha mente que eu não conseguia me dedicar o suficiente, e sim era verdade. Minha preocupação com essas matérias era reprovar e ter que passar por aquela chatice novamente, atrasando a minha grade curricular do curso.

O problema é que até em uma das últimas provas que eu fiz no ano passado e era com a melhor matéria que eu tive, Literatura Brasileira II, eu não fui tão bem como eu gostaria e como eu me dediquei. Me atrapalhei na avaliação e quando recebi o resultado no dia 20 de dezembro saí chorando da sala de aula. Foi uma experiência marcante e horrível para mim, (hoje consigo falar melhor sobre esse episódio, rs) mas no fundo foi um aprendizado. Eu me cobro demais e quando me dedico muito em algo espero receber o resultado de tanto esforço e quando isso não acontece eu me sinto muito mal. O pior é que a minha nota na avaliação não foi ruim, muito pelo contrário, mas o comentários da correção do professor na minha prova foram como pontadas no meu coração.

Muitos acharam que foi um exagero a minha reação  (minha mãe, inclusive, rs) mas eu acho que eu acabei surtando. Eu estava muito cansada e não aguentava mais o segundo ano que foi tão caótico, parecia que eu ia explodir. Meus amigos tentavam me tranquilizar e me acalmar, porque para mim não adiantava o quanto eles falavam que eu tinha ido super bem durante as aulas, se no dia da avaliação eu não conseguia me expressar da mesma forma que me expressava na classe =/ No final eu conversei com o professor e ele me tranquilizou, percebeu que pela minha prova eu estava cansada porque viu o meu progresso ao longo do semestre, disse que a minha escrita não estava acompanhando o meu raciocínio, e que eu deveria levar como um aprendizado mesmo e não ficar me pressionando daquela forma (já falei o quanto esse professor é incrível no outro post ❤ )

Depois disso tudo, eu queria finalizar dizendo que, infelizmente nem tudo acontece da forma que planejamos, há outros fatores que acabam interferindo no nosso percurso,  no nosso emocional e nos tirando o equilíbrio, fatores que estão fora do nosso controle, e infelizmente precisamos saber lidar em cada momento. 

Nesse novo semestre eu espero que eu tenha mais sabedoria para lidar com esses momentos de crise e uma meta para cada início de semestre: não deixar a matéria acumular, principalmente se ela for extremamente insuportável.

Eu tenho sido bem sincera nesses diários porque a ideia é realmente essa, eu me abrir e me expor com essas experiências que têm tomado grande parte da minha vida, desse momento tão importante para mim. Eu quero deixar registrado para que no futuro conseguir me avaliar, e quem sabe, ajudar alguém que também passa ou já passou por alguma situação semelhante.

Agradeço de coração aos comentários que vocês deixam sobre os ensinamentos e compartilhamentos nesses diários, é muito importante para mim, fazem toda a diferença ❤

Até o próximo post!

Camila Melo

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7 Comentários

  1. Estou adorando demais ler seus diários de faculdade!!!
    Passei por algo semelhante quando estudei fora. A experiência foi incrível, mas tanta coisa estava acontecendo na minha vida, eu tinha tantas responsabilidades que surtei várias vezes. É tenso mesmo :/
    Espero que 2017 seja um ano melhor pra você ❤

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    1. Oies! 🙂 Que felicidade ao saber que você tem gostado dos diários 🙂 🙂 Menina, eu aqui já surto, imagina se estivesse no exterior? rs Que maravilhoso saber que vc teve uma experiência tão incrível assim, fiquei curiosa para saber mais detalhes, rs … Muito obrigada pelo carinho, que 2017 seja bem melhor mesmo hahaha. Bjos ❤

      Curtido por 1 pessoa

      1. No meu blog eu conto um pouquinho, caso tenha interesse em ler! Beijos ❤

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        1. Oies… Vou pesquisar e ficar de olho 😉 Bjos ❤

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  2. Cá, esse é um comentário de surtada para surtada… rs
    Quando a gente se propõe a fazer algo difícil, é assim mesmo, mas no final, tudo vai valer a pena, e já está valendo! Você vai ter um diploma da melhor faculdade de letras do Brasil, coisa que eu, por exemplo, não tenho… rs Tudo o que você aprendeu já te transformou muito, com certeza, é que é difícil para nós mesmos avaliarmos o quanto mudamos. Eu sou muito surtada, mas eu gosto de quando estou assim (a louca assumida) porque é sinal de que estou vivendo ao máximo e dando o meu máximo também, é sinal de que estou plenamente viva e indo atrás, não apenas deixando a vida me levar para onde ela quer. Uma vez eu tirei um 7 em análise do discurso e voltei para casa chorando. Outras pessoas não entendem, mas é bem o que você falou, é muita dedicação, além de fatores externos que vão enchendo a tampa. Você, por gostar muito desse professor (li no outro post), com certeza gostaria de ter o reconhecimento dele. Existe um caminho a percorrer. Às vezes a gente olha outra pessoa e parece que ela já está onde a gente gostaria, mas a gente tem que respeitar nosso caminho e ficar muito feliz por cada vitória, porque é a nossa vitória, de mais ninguém, por mais que outros contribuam. Com certeza você só tem a melhorar e esse comprometimento é o que vai fazer a diferença. Trabalhar e estudar é difícil. Houve um período em que eu morava e estudava em Santos, trabalhava 8 horas por dia em Alphaville e dava monitoria de morfossintaxe aos sábados…. rs Sinceramente, para ninguém mais isso fez qq diferença, nunca consegui um emprego melhor por causa disso, mas não posso deixar de reconhecer a transformação que aconteceu em mim mesma. Uma coisa, por exemplo, é que consegui ser mais organizada e rápida. Eu tinha tal tempo para fazer determinado trabalho e era aquilo, não dava p/ ficar viajando na maionese. Rs… É como você, que trabalha, estuda e ainda mantém um blog muito legal. Quando as coisas parecerem querer te soterrar, pense sempre que você é a poderosa que já passou por muita coisa e está vencendo tudo o que aparecer pela frente, concentre-se na sua força, não nos obstáculos, e vai dar tudo certo, porque você é guerreira!!! Que seu 2017 seja repleto de vitórias 😉

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    1. Aii Val, estou quase chorando aqui, rs ❤ Eu não sei nem o que falar primeiro, mas muito obrigada mesmo pelo carinho, me fez muito bem saber que tem pessoas como você que sabem bem o que eu estou passando pq já esteve no meu lugar, e pra vc foi muito mais cansativo devido à distância. Você é guerreira e tem mais ainda a minha admiração ❤ Espero colher muito de todo esse sacrifício e que 2017 seja maravilhoso para nós! ❤ Bjos ❤ ❤

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