Oies Bookaholics!

No sábado passado, dia 26 de novembro, aconteceu este evento maravilhoso desenvolvido pelo Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada – DTLLC do curso de Letras ❤

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Eu já mencionei várias vezes que a Universidade de São Paulo oferece inúmeras opções de eventos, oficinas, palestras e eu tento acompanhar e participar de tudo (na medida do possível) que tem relação com a minha área de interesse.

E por que este evento me fez sair de casa super cedo em pleno sábado depois de uma semana tão cansativa? É muito simples! Durante todas as matérias somos bombardeados com o cânone da literatura, 95% da matéria estudada é sobre os clássicos tão consagrados. O problema é que a literatura contemporânea fica de lado, e há muito preconceito com este tipo de literatura. Além de qualquer eventos como esse geram certificados de participação que são extremamente importante para as Atividades Acadêmicas Curriculares Complementares – AACC’s.

Mas ainda bem que há eventos como esse, com professores que entendem a importância de estudar o mundo contemporâneo e suas influências na literatura e ensino de literatura nas escolas. O evento contou não só com professores da USP, mas também da Unifesp e Universidade de Brasília (UnB).

Como vocês podem conferir no banner acima o evento com duas mesas e vou destacar alguns pontos em cada uma delas 😉

  • Mesa 1: Leitura literária e formação de leitores 

Um dos pontos destacados dessa mesa foi o ensino de literatura nas escolas públicas. O Prof. Danglei de Castro (UnB) destacou que os professores não trabalham literatura na educação básica, há um desaparecimento da palavra literatura nos programas. Sua pesquisa tem o objetivo de ter o ensino de literatura pela historiografia (estudo e descrição da história) e historicidade (conjunto dos fatores que constituem a história de uma pessoa e que condicionam seu comportamento em uma dada situação), ou seja, não estudar a literatura apenas como um recorte cultural. O professor ainda ressaltou que a tradição não nega o passado, e que as adaptações de obras literárias geralmente não levam em conta o período histórico em que a obra original foi publicada. Foi citado rapidamente a polêmica sobre a censura de livro de Monteiro Lobato. Os leitores dessa adaptações correm o risco de não conhecer a obra em seu original. Outras questões apontadas foram: qual é a forma com que o texto é tratado hoje, qual é a sua história? Como a literatura e arte podem recuperar e refletir os elementos culturais e históricos?

A professora Mirhiane Mendes Abreu (Unifesp) questionou qual é o ângulo privilegiado para pensar o leitor e leituras na contemporaneidade? Ela afirmou que a construção do leitor se faz no ambiente formal, mas reconhece que há problemas com o ensino da literatura, como fazer o aluno gostar de ler? Ela destacou a importância da internet como novo contexto na formação de leitores como uma forma amigável, já que a literatura está para além da escola e como os professores lidam com as novas plataformas (blogs, booktubers)? Ela ressalta que o ensino da literatura hoje não deve ignorar a cultura digital, mas também é preciso saber separar o que é bom e o que não é. ❤

Já a professora Neide Luzia Rezende (USP) que trabalha na formação de professores na Faculdade de Educação diz que há uma tensão entre a visão crítica do texto quando o aluno inicia a licenciatura e o a visão do aluno como leitor em foco. As escolas públicas costumam não ter bibliotecas ou salas de leituras para estimular os alunos. Esses alunos até leem, mas não aquilo que os professores exigem durante as aulas. E ressalta ainda que ter o aluno da educação básica e ensino médio como ênfase na literatura dá construção de sentido, cria um espaço de coletividade e dá voz ao leitor.

O professor Jaime Ginzburg (USP), meu professor de Literatura Brasileira II, dá ênfase ao leitor em dúvida. Alguns dos pontos levantados foram sobre as questões de vestibulares não acompanharem as atualizações da área de teoria e crítica literária. As escolas, salas de aula e vestibulares não dão espaço à polissemia (multiplicidade de sentidos) que uma obra possuí, ou seja, o leitor tem que simplesmente aceitar aquilo que dizem, ele não tem o direito de criticar e de interpretar de forma diferente o que está lendo. E essa falta de espaço é o reflexo da apatia / indiferença por parte de professores e alunos por pressões do programa e do tempo disponível durante as aulas. Tomando como base o texto “Arte e fascismo” do autor Anatol Rosenfeld de 1947, há um questionamento: para quê o conhecimento? O contexto após dois anos do fim da 2ª Guerra Mundial que desencadeou mudanças nas ciências humanas e sociais. A ideia é estimular a dúvida em nós mesmos, já que o conhecimento hoje não é mais o suficiente.

  • Mesa 2: A voz dos leitores

Como o próprio título dessa mesa destaca, nessa parte do evento conhecemos um pouco mais sobre os diferentes tipos de leitores. O professor Anderson Luís Nunes (UnB) falou sobre sua pesquisa “Do que trata o texto? A crítica à crítica publicada em periódicos acadêmicos feita por jovens leitores”, em que realizou com alunos ingressantes no curso de Letras. A Maria Nilda de Carvalho – Dinha (USP) contou sua experiência como mulher, negra, descendente de nordestinos e de periferia, sobre sua poesia e o meio em que está inserida. A Professora Patricia Trindade Nakagome (UnB) tratou da massa de leitores, ressaltou que a massa, qualquer massa, faz barulho e por isso gera incômodos, traz problemas. Mas que mesmo com tantas pessoas é possível identificar uma experiência singular em às massas. E a mesa contou ainda com a presença de Stella Aquino (USP), estudante de Letras e também bookttuber (seu canal no YouTube) que falou sobre literatura e mídias sociais.

Eu simplesmente amei o evento e já estou contando muito com a próxima edição dessa jornada, adoro eventos nessa temática pois saio super abastecida e com vontade de conhecer, aprofundar meus conhecimentos.

Me digam nos comentários o que acham das universidades se preocuparem com a literatura acadêmica e não somente aos clássicos. Se tiverem qualquer dúvida também basta perguntar!

Até o próximo post!

Camila Melo 

 

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4 comentários em “1ª Jornada de Leitores e Leituras na Contemporaneidade – FFLCH / USP

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