Oies BOOKAHOLICS! Finalmente mais uma leitura finalizada nesse mês de Maratona Literária de Inverno e além disso, pude completar o desafio de Julho do calendário ilustrado Vitor Martins que era ler um livro com mais de 500 páginas. 😉

Comprei esse livro na 17a Festa do Livro da USP e foi num impulso de fã, já que foi o livro que inspirou Suzanne Collins a escrever “Jogos Vorazes”. Aproveitei o tema da terceira semana da maratona que seria ler livros que se passam em outros mundos: desde distopias, apocalipse e outras realidades. 😉

MARATONA LITERÁRIA DE INVERNO 2016 – SEMANA III “OUTROS MUNDOS”

DESAFIO ANUAL: 35/50

  • battle royaleTítulo original: Batoru Rowaiaru
  • Autor: Koushun Takami
  • Editora: Globo Livros
  • Gênero: Distopia
  • Lançamento: 2009 – Lançamento Brasil: 2014
  • 664 Páginas
  • Classificação: 4/5

Sinopse: Em 1997, o jornalista e escritor japonês Koushun Takami sofreu uma grande decepção. O manuscrito de seu romance de estreia havia chegado à final do Japan Grand Prix Horror Novel, concurso literário voltado para a ficção de terror, mas acabou preterido. Não era para menos. Embora habituado a tramas assustadoras, o júri se alarmou com a história do jogo macabro entre adolescentes de uma mesma turma escolar que, confinados numa ilha, têm de matar uns aos outros até que reste apenas um sobrevivente. Detalhe: o organizador da sangrenta disputa é o próprio Estado japonês, imaginado pelo autor como uma totalitária República da Grande Ásia Oriental. O livro, intitulado ‘Battle Royale’, só seria lançado em 1999, espalhando um rastro de polêmica – vendeu mais de 1 milhão de exemplares e foi comentado no Japão inteiro. A repercussão foi tão intensa que apenas um ano depois já eram lançadas as adaptações da história para o cinema e para os mangás – mais tarde, viriam sequências tanto na tela grande como nos quadrinhos.

OMG!  QUE LIVRO É ESSE?!!!

“Era um país totalitário,  o governo cria um programa anual em que uma turma do ensino fundamental é escolhida para participar de um jogo. Os estudantes são levados para uma área isolada, onde recebem um kit de sobrevivência com uma arma para se proteger e matar os concorrentes.  Uma coleira rastreadora é presa no pescoço de cada um deles. O jogo só termina quando apenas um estudante restar vivo. Ao final do Programa,  o vencedor é anunciado nos telejornais para todo o país.  As regras do jogo foram criadas de maneira que não haja uma forma de escapar.  E a justificativa da matança é mostrar para a população como o ser humano pode ser cruel e como não podemos confiar em ninguém – nem mesmo no nosso melhor amigo da escola.” (Globo Livros)

Não foi à toa que a história desenvolvida por Koushun Takami gerasse tanta polêmica, há tanta coisa que vou tentar expressar de uma forma que tenha nexo na bagunça e horror que ficou minha mente.

A primeira coisa que preciso destacar é que para mim foi muito confuso acompanhar todos os personagens na história,  e não foi por acaso.  O livro é narrado em terceira pessoa, então temos acesso à minha visão geral dos 42 estudantes envolvidos, era difícil acompanhar a descrição de cada personagem e gravar na memória suas características.  Além do próprio fator cultural,  já que muitas vezes não sabia se o narrador estava falando de homem ou mulher, precisava continuar a leitura para a descrição do autor.  Mas o legal é que nessa edição há no início uma lista com o nome de todos os estudantes e um mapa na área reservada a esse Programa o que facilitou muito.

O livro não focou muito no regime totalitário dessa sociedade, pois as 664 páginas se desenvolveram ao longo do Programa e as disputas com inúmeras cenas de ação, combate e confrontos entre os estudantes. E esse foi um dos motivos que mais me chocaram, o autor não mede esforços nas suas descrições sobre o estado dos estudantes durante e após os embates, foi de criar espanto, nojo e até repulsa em vários momentos sanguinários ao decorrer da história. Se já assistiram ao filme “Kill Bill” sabem bem do que eu estou falando, mas de forma muito pior já que os envolvidos são adolescentes. Dessa forma a leitura é bem rápida com tanta ação, reviravoltas e surpresas, se você aguentar o ritmo com muito sangue frio!

Na história, o autor faz crítica ao regime totalitário Fascismo:

“Vivemos sob um regime fascista bem-bem-sucedido. Em que outra parte do mundo há algo tão malévolo?”. Ele tinha razão,  o país era louco. Não apenas naquele jogo absurdo: qualquer um que mostrasse o menor sinal de resistência ao governo era eliminado na hora.  O sistema não perdoava nem mesmo os inocentes.  Por isso,  todos continuavam intimidados pela sombra do governo,  obedecendo totalmente às suas políticas m e viviam tendo como consolo somente as pequenas felicidades da vida diária. E mesmo quando essas felicidades lhes eram indevidamente tomadas, apenas aguentavam de modo servil. (Pág.  214)

E como não é novidade em distopias sempre há censura nos meios culturais:

Em outras palavras,  o governo cor de pêssego da República não aprecia os ritmos musicais,  em particular as letras, que possam agitar os cidadãos.  Bob Marley é um dos malvistos, mas um exemplo típico seria o refrão de Lennon: “Talvez você né chame de sonhador / mas eu não sou o único. / Espero que um dia você se junte a nós / e o mundo será um só. ” Como poderia a nação não considerar essas palavras uma ameaça?  (Pág.  262)

Como foi o que livro que inspirou “Jogos Vorazes” fica impossível não comparar e acredito que se fosse resumir “Battle Royale” nos termos da trilogia de Suzanne Collins, o livro se passa na arena. E o final foi bem surpreendente e a utilização do estilo da escrita em terceira pessoa funcionaram muito bem para a construção e desenvolvimento da história desde o início. E achei muito mais forte já que os “competidores” já se conheciam muitas vezes desde a infância, então questões de confiança e amizade ficaram mais em evidência nessa obra. Outro ponto é que a maioria das distopias foca num único personagem utilizando a escrita em primeira pessoa, e em “Battle Royale” foi muito interessante ter vários pontos de vista e acontecimentos da história.

A linguagem adotada também foi de extrema importância para a melhor fluidez da história, utilizando uma linguagem mais coloquial e com expressões utilizadas por adolescentes foi muito fácil entender o modo como a sociedade funciona, sem explicações muito elaboradas ou complexas.

Eu nunca tinha lido um livro tão pesado desse jeito e para os fãs desse tipo de história tão sanguinária este livro tem tudo para agradar 😉 Sei também que tem adaptação cinematográfica mas com certeza não teria estômago para assistir, rs 😦

No final de semana se encerra a maratona e estou torcendo para conseguir ler todos os livros que queria, e se der certo sairá a resenha do último livro que estava na minha TBR: “O amor nos tempos de #likes”. Se vocês ainda não viram, sugiro as demais resenhas que fiz durante esse mês de maratona: Trilogia: Destino / Travessia / Conquista – Por Ally Condie e Os Bons Segredos – Por Sarah Dessen. 😉

Me contem nos comentários se já leram ou se querem ler esse livro e os que estão participando da Maratona Literária de Inverno como andam suas leituras 😉

Até o próximo post!

Camila Melo 

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12 comentários em “Resenha | Battle Royale, Por Koushun Takami

  1. Li esse livro ano passado e Gostei bastante, assisti ao filme tbm e é muito legal Cah. Eu estou curiosa para ler os mangás de Battle Royale mas parece ser mais sangrento que o livro!

    Adorei sua resenha. E nunca tive vontade de ler jogos vorazes agora quero ler, me deixou curiosa…

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