Oies BOOKAHOLICS! Como o desafio do calendário do Vitor Martins era para ler um livro que virou filme aproveitei e resolvi ler esse clássico da distopia mundial! 😉

DESAFIO ANUAL: 9/50

DESAFIO DO CALENDÁRIO VITOR MARTINS – Fevereiro: leia um livro que virou filme

laranja mecênica

  •  Título Original: A Clockwork Orange
  • Autor: Anthony Burgess
  • Gênero: Distopia
  • Lançamento: 1962 – Lançamento Brasil: 2014 (essa edição)
  • Editora: Aleph
  • 224 Páginas
  • Classificação: 5/5

Sinopse: Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex – soberbamente engendrada pelo autor – empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de “1984”, de George Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, “Laranja Mecânica” é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.

**NÃO HÁ SPOILERS NESSA RESENHA**

Para começar eu já preciso dizer que tenho uma certa apreensão em fazer resenha de livros clássicos, diria até que é um certo bloqueio, pois parece que a minha experiência e entendimento do livro pode ser muito diferente ou “erradas” das críticas existentes. Mas como eu quero destacar os pontos que gostei e/ou que me chamaram atenção acho que dá para sair alguma impressão que tive sem me preocupar tanto por ser um clássico.!

LARANJA MECÂNICA… Onde já se viu falar de uma laranja mecânica? … A tentativa de impor ao homem … a tentativa de impor leis e condições que são apropriadas a uma criação mecânica… (Pág. 24)

Eu já tinha assistido ao filme no ano passado, mas como tenho o hábito comparar livros e filmes iniciei essa leitura no primeiro dia do mês, mas acabei enrolando e finalizando bem depois, apesar do livro ser bem curto.

O livro é contato pelo ponto de vista de Alex, um adolescente de 14 anos que é considerado um problema para sociedade devido aos seus atos de ultraviolência que pratica com seus amigos, principalmente após ingerirem um leite com substâncias químicas (sim, drogas!). O livro é um clássico da distopia ( que é o lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação) mas parece que o autor mesmo escrito a obra em 1962 previa o futuro, já que só pela sinopse esses acontecimentos são bem reais nos dias de hoje.

A primeira coisa que me chocou é que no filme a personagem principal foi interpretado por um ator muito mais velho, e fiquei chocada com as cenas de violência, agora pensem eu ler o livro com a imagem de um garoto de apenas 14 anos praticando todos os atos, e sim fiquei horrorizada! Alex narra o livro e nós como leitores somos considerados por ele como seus amigos ou até mesmo irmãos, criando uma tentativa de aproximação do personagem e sua personalidade.

alex-laranja-mecanica

Um detalhe muito bom nessa edição foi uma introdução que fizeram, excelente por sinal, nos orientando sobre o contexto histórico e cultural da época em que foi lançado, e ainda, a ideia e alguns elementos utilizados pelo autor, como a tentativa de criar personagens adolescentes, descrevendo inclusive, suas roupas, hábitos e inclusive suas gírias. Aliás, o livro todo tem várias gírias, sendo até necessário utilizar um glossário ao final do livro para poder “traduzir” os termos (como parei com a leitura diversas vezes, tive que retomar esse glossário inúmeras vezes, rs).

A questão da violência retratada na estória é uma preocupação do governo, e existem debates sobre quais ações devem ser tomadas para evitar ou até erradicar de qualquer forma o comportamento desses adolescentes. Essa mesma situação me fez associar ao livro Capitães de Areia (Jorge Amado), pois ambos os livros retratam um grupo de adolescentes na “marginalidade”. Porém, no romance brasileiro o bando de Pedro Bala era de crianças pobres e abandonadas que buscavam seu sustento e o complemento de seu vazio através de roubos. A situação em Laranja Mecânica é um pouco mais crítica, como pode ver no trecho:

O que é que dá em vocês todos? Nós estudamos o problema e já estamos estudando há quase um século, sim, mas os estudos não estão nos levando muito longe. Você tem uma bela casa aqui, bons pais que te amam, você não tem um cérebro lá tão ruim. É algum diabo que entra dentro de você? (Pág. 41)

E ainda esses jovens tem acesso à cultura, já que em várias cenas Alex se mostra um admirador e muito conhecedor de música clássica, além de utilizar um vocabulário muito formal, inclusive quando dialoga com nós leitores. Ou seja, o problema não pode ser resolvido com cultura ou educação, então qual é a solução?

 

O livro é dividido em 3 partes, na primeira somos apresentados as personagens, ambientes e, a segunda se inicia com a prisão de Alex e o seu desenvolvimento enquanto preso e a terceira com o experimento muito controverso da Técnica Ludovico, uma tentativa de curar o jovem Alex, e quem sabe até os demais adolescentes semelhantes a ele.

Como eu já disse eu já tinha assistido ao filme, mas o último capítulo do livro não foi adaptado, e tipo COMO ASSIM? Faz muita diferença porque há uma reviravolta na personalidade e crescimento do Alex, não tinha como não ter aparecido (acho que entendo porque o autor super criticou a adaptação da sua obra!).

Existem grandes tradições de liberdade a defender. Não sou homem de partidos políticos. onde vejo a infâmia, busco erradicá-la. Nomes de partidos nada significam. A tradição da liberdade significa tudo. As pessoas comuns deixarão isso passar, ah, sim. Elas venderão sua liberdade por uma vida mais tranquila. (Pág. 161)

O livro traz um debate sobre política, manipulação do Governo, da mídia  e da sociedade num todo, eu acho que a leitura é super válida para nos fazer refletir sobre isso, inclusive para os fãs das distopias da atualidade (Jogos Vorazes, Divergente, etc) sugiro que leiam as distopias clássicas, pois elas são as fontes.

Não quero mais mencionar nada para não dar spoilers, mas vou deixar dois vídeos muito legais que falam sobre Laranja Mecânica e (sem spoilers)!

 

 

Essa foi a minha humilde opinião sobre o livro! Já leram ou assistiram ao filme me digam o que acharam nos comentários!

Até o próximo post!

Camila Melo 

 

 

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17 comentários em “Resenha | Laranja Mecânica, Por Anthony Burgess

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