Filmes | Que Horas Ela Volta?

Oies BOOKAHOLICS! Tudo bem com vocês? 😉 Na segunda feira do dia 11, foi exibido na Rede Globo o filme nacional “Que Horas Ela Volta?” que foi lançado no ano passado e foi muito comentado e premiado lá fora. Confesso que não me interessei muito na época, mas isso mudou quando um casal de amigos disse que o filme não tinha nenhum sentido e que não valia muito a pena assistir. Fiquei muito intrigada e resolvi tirar minhas próprias conclusões e BOOOOM!  que filme incrível ❤

Então depois debater com eles alguns pontos precisava muito compartilhar as minhas percepções a respeito do filme  e para os que já assistiram proponho uma discussão aqui também! 🙂 Só lembrando que não sou nenhuma expert em resenhas de filmes, só vou compartilhar a minha opinião, pois não tenho nenhum entendimento sobre roteiro, direção e os termos técnicos do cinema. Preparados?!

ALERTA DE SPOILERS! 

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Sinopse: A pernambucana Val (Regina Casé) se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino (Michel Joelsas) vai prestar vestibular, Jéssica (Camila Márdila) lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.

  • Preconceitos com filmes nacionais… 

A primeira coisa que eu preciso falar é que muita gente tem preconceito com os filmes nacionais, não posso falar muito sobre roteiro, enredo, direção porque nem tenho condições para isso, vou me basear na mensagem que o filme quer transmitir aos seus telespectadores. Mas já posso adiantar que por mais que se trata de um filme que retrate uma realidade brasileira, esse não é mais um sobre a criminalidade, drogas e comunidades carentes, que são os que mais são reconhecidos lá fora.

  • Muito além de um tema…

Para quem assiste o filme “por cima” pode não perceber os vários assuntos que o filme aborda além da vida de uma emprega doméstica, que saí de sua terra no Nordeste para tentar uma vida melhor em São Paulo. Ao longo da história do país é muito comum encontrar inúmeros casos de pessoas que largam suas casas e suas famílias, muitas vezes para ocupar cargos e funções “baixa condições” na cidade grande. Porém, o filme abrange muito mais que isso…

  • A transformação chamada Jéssica…

Muitas situações só foram percebidas por Val com a chegada da filha Jéssica que não se conforma com a realidade em que a mãe vive na casa dos patrões sendo humilhada. Tudo parece mudar e a “fica cair’ para a pernambucana com a vinda da garota, porém desde o começo vi que Jéssica não estava pensando no bem estar ou no melhor para sua mãe, só para si mesma. A situação só vai mudar quando mãe e filha discutem o porquê da ausência e do distanciamento.

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  • Relação entre pais e filhos…

É possível ver uma inversão no tratamento dos pais com os filhos, Val sempre teve uma relação muito profunda com o filho da patroa desde que Fabinho era criança, quando a filha da pernambucana vem para São Paulo o patrão que se mostra ser “um pai” para a garota, levando-a para passear e mostrar a cidade. Um dos pontos em que mais se pode observar essa inversão de papeis é na primeira noite em que Jéssica mora na casa dos patrões da mãe, indo dormir no quarto de hóspedes e Fabinho indo dormir na cama da doméstica. Em contrapartida, a relação dos pais com seus próprios filhos não é boa e o filme mostra que independente da classe social as famílias tem vivido em crise e sem diálogos.

  • Cada um deve ter o seu lugar… Ou não?…

Com a chegada de Jéssica muitas situações consideradas até então “normais” vão sendo questionadas pela garota toda vez que a mãe afirma inúmeras vezes que a filha não pode fazer isso ou comer daquilo porque não era para elas, elas tinham que aprender onde era o seu lugar. Várias situações exemplificam essa questão, desde o não tomar o “sorvete do Fabinho” até não entrar na piscina…

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  • Universidade pública não é lugar de pobre…

Ainda falando do lugar que cada um deve ocupar na sociedade, Jéssica vem para São Paulo com o intuito de prestar o vestibular da FUVEST, o mais concorrido do Brasil, para realizar o sonho de estudar Arquitetura na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP). Logo de cara os patrões afirmam que é basicamente impossível já que a menina além de ser nordestina não teve os melhores estudos devido à situação financeira. Contra tudo e todos, Jéssica passa na primeira fase acertando 68 das 90 questões do vestibular, enquanto Fabinho, o garoto rico que sempre teve de tudo não conseguiu o resultado que almejava. cena-de-que-horas-ela-volta-1440481870402_956x500.jpg

  • Pessoas como objetos ou animais…

A personagem da patroa Bárbara é a que mais mostra que pessoas são como objetos e até mesmo animais devido às suas funções / papéis na sociedade. Além de manter Val afastada dos privilégios da família ela também expõe aversão, o pior momento é quando chama o responsável pela piscina para limpá-la porque viu um rato no momento em que Jéssica está brincando com Fabinho e seu amigo.

  • Abuso?…

O patrão Carlos se mostra como um pai para Jéssica, levando-a para passear e fazendo todas as vontades da garota, inclusive deixá-la dormir no quarto de hóspedes em vez do quarto de Val, mesmo com a esposa não gostando. Porém, no decorrer do filme percebe-se que o interesse de Carlos é maior que “amor de pai”, o patrão se declara para a filha da doméstica pedindo-a até em casamento.  Em um determinado passeio, o patrão até tenta algo a mais com Jéssica porém o seu celular toca devido a uma acidente com Bárbara.

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  • O reconhecimento e a libertação…

Durante todo o filme a piscina aparece retratada ao fundo, inclusive Jéssica questiona a mãe por nunca ter entrado depois de conviver com a família rica depois de tanto tempo. A cena de libertação acontece quando Val entra na piscina (esvaziada por causa do suposto rato) para comemorar o resultado excelente da filha no vestibular, e nada melhor que “confrontar” os patrões invadindo o seu espaço. Nessa hora chorei, sério! Com a ida de Fabinho a um intercâmbio Val mostra que o que tanto a prendia na casa dos patrões nem era o dinheiro, mas o amor de mãe que tinha pelo garoto, e quando se vê sem a presença dele a casa já não faz mais sentido ou importância.

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  • Final aberto…

Vi algumas pessoas falando que acharam o filme sem sentido por não mostrar se a Jéssica passava ou não no vestibular ou sobre a revelação dela ter deixado o filho em Pernambuco. Eu, sinceramente, nem me importei tanto com isso, pois o filme já abordava tantos pontos que as questões em aberto foram irrelevantes, pelo menos para mim.

Essas foram as minhas percepções sobre o filme, se vocês tem algum ponto que não foi abordado comenta aqui para podermos discutir, ou se tem algo contrário ao que expus também.

Até o próximo post!

Camila Melo 

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um comentário

  1. […] E atores que vem ganhando bastante destaque como Jesuíta Barbosa, Jéssica Ellen, Camila Márdila (Que horas ela volta? ), Julia Dalavia, Luisa Arraes em cenas muito emocionantes. Não conseguiria escolher apenas um ator […]

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